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terça-feira, outubro 31, 2017

NOS CONTRAFORTES DA SERRA.

As lágrimas, que a Lua chorou sobre a pele macia e aveludada da rosa provocantemente exposta aos dourados raios do Sol nascente, deliciando-se com a sua carícia doce, amiga, criadora, são diamantes incrustados no veludo rubro das suas pétalas: fulguram sob as chispas ardentes do sol enamorado, crescendo em ardente paixão perante tão perfeita e encantadora formosura, e atraem a abelhinha matinal que, apaixonada também, ternamente a vem beijar e com ela estabelece um diálogo secreto, prenhe de cumplicidade e de amor. No açude à minha esquerda, a água cai, ritmada e branca, sobre o lago cavado na rocha do leito, mercê da pressão contínua do seu ímpeto. Multiplica-se em ondulações sonoras e, com o zunir da abelhinha enamorada e o fervilhar dos ramos dos castanheiros e dos amieiros frondosos a bordarem as margens do rio, tocados pela brisa, compõe um concerto de paz e põe pinceladas de verde e azul na minha alma faminta. Escapule-se, depois, pela direita do areal a fluir mansa e pura sobre a cama de pequenos e arredondados seixos, brilhando sob os raios incidentes do sol. Um pouco mais abaixo espraia-se, serena e quieta, num palco espelhado a refletir coreografias de enorme beleza, nesta manhã azul, deste mês tão popular, de marchas, alho-porro e martelinhos, com a bela sardinha assada a nadar em vinho tinto pelas ruas, e manjericos a aquecerem os corações enamorados. 
Toda a natureza fervilha, igualmente viva, apaixonada, saudável e tranquila; e a minha alma, ávida, insaciável, mastiga sofregamente este delicioso manjar de luz, cor e amor, neste recanto de paz, nos contrafortes da serra.
Porém, em oposição a este delicioso poema de beleza e de amor com que a Natureza me presenteia nesta manhã de Junho, chega, inadvertidamente, aos meus ouvidos um diálogo entre humanos bastante menos poético e pacífico, que me põe a pensar nas atrocidades que o dinheiro, a ganância, a paixão incontrolável do ter, da posse, pode desencadear; os desencontros que pode provocar nas famílias e criar situações de grande desgaste e de sofrimento atroz, destruindo-lhes a harmonia, o entendimento e até a vida.  
“…diz-se que o sogro é que queria matá-lo; mas a verdade é que quem foi buscar a arma e deu dois tiros no sogro foi ele. Diz-se que foi por causa de dinheiro. Havia ali uma grande fortuna e há quem diga que foi conseguida… assim… Sabe Deus como! Diz-se muita coisa. O povo disposto a falar… 
Alegaram loucura instantânea e foi absolvido. Não cumpriu pena. Mas não era boa rês. E, por de traz daquela absolvição devem ter circulado grandes somas; deve ter corrido por ali muito dinheiro. Porém, desta vez, o dinheiro nada pôde. De nada lhe valeu. E lá foi. Um enfarte fulminante e… seguiu o caminho de todos, sem levar nada consigo. Tudo cá ficou. Tudo cá fica. Sempre. Para quê tantas rixas, tantas zaragatas, tantos ódios?  Para quê? Diz-me!  
Quando chega a hora, todos partimos da mesma maneira. Ninguém leva nada consigo. 
Ah! Sim! Deixou a família toda bem…”
As vozes afastam-se, dialogando, sem se terem apercebido da minha presença. 
Fiquei a matutar no que acabara de ouvir, sem saber a quem se referiam. Estou de passagem e não conheço as histórias das gentes, mas a história impressionou-me.
O dinheiro! Sempre o dinheiro!
E fico a pensar no dinheiro e nas enormes atrocidades cometidas por esse mundo além por sua causa. Provocam-se guerras, promove-se o tráfico de drogas, adulteram-se alimentos, escravizam-se mulheres, crianças… Enganam-se e traem-se multidões. "Meio mundo engana outro meio.", como diz o ditado. Em seu nome, em nome do lucro desmedido, tantas e tantas situações degradantes, tantas e tantas mortes e desgraças crescem e se espalham pelo mundo! Mas, sem ele, tanto sofrimento existe também. 
E fico-me a refletir na sua ambiguidade, na sua dualidade. 
O dinheiro em demasia mata a alma, a sensibilidade, o coração. Mata o Ser. 
Quando a ganância domina e se impõe sem regras, destrói famílias, destrói amizades, compra consciências, espalha o caos e a morte. 
O dinheiro com ganância conspurca, suja, destrói. 
Cada ser humano devia ter o suficiente para ter uma vida digna, com trabalho lazer e cultura. E, quanto a mim, todos os trabalhos são igualmente dignos e importantes, desde que exercidos com profissionalismo e honestidade e contribuam para o bem-estar do ser humano em sociedade. 
Cada ser humano devia ter dinheiro suficiente para poder distribuir a sua vida, igualmente, por estas três vertentes: trabalho, cultura, lazer, sem extravagâncias, mas com responsabilidade e sentido de dever individual e coletivo.
- Utopia! Dirão. 
  • Eu sei. Mas como seria bom se assim pudesse ser! 
  • Como o Mundo seria tão mais feliz se assim fosse!                                                                                 
                                                                                                                   Jeracina Gonçalves
            Barcelos/Portugal

PS: Este texto é antigo e já foi publicado por aí em vários sítios.
Continua atualíssimo. Quanto a mim, cada vez mais. Acho que não faz mal publicá-lo de novo. 

segunda-feira, outubro 30, 2017

CAMINHANDO PELO PORTO

Saio a porta da estação de S. Bento
Olho à esquerda
Uma imagem capta o meu olhar.
Tiro a câmara para nela registar
Esse encontro entre mim e o passado
Que meus olhos seduziu.
Caminho depois devagar...
Meus olhos, pássaros voando,
Poisam em cada beiral.
De beiral em beiral
Vão subindo rua a cima
E bebem, traço a traço,
O passado construído
Que o meu passo apressado
Com destino a qualquer lado
Nunca tinha registado.
Hoje, porém, olho e vejo
E  os meus olhos,
Pássaros por essa rua voando,
Poisam  de beiral em beiral,
E na câmara vão registando
Essas linhas do passado
Desse património imortal.
Jeracina Gonçalves
30/10/2017

domingo, outubro 29, 2017

Um muro denso interpõe-se ao meu pensamento.
O meu pensamento não flui
Faz ricochete
Redemoinha
Não passa além desse muro que lhe corta a fluidez.
E permanece nesse limbo sem impulso nem paixão
Que arrebate o seu despertar.
Redemoinha, nesse espaço junto ao chão,
Quando o meu coração
Pede asas para chegar às estrelas e delas poder voltar
Beber o sonho da lua e sonhar sob a luz do luar.
Jeracina Gonçalves
29/10/2017

sábado, outubro 28, 2017

A Minha alma caminha por entre as veredas floridas e perfumadas das rosas vermelhas e amarelas, que ornamentam hoje o meu coração.
A solidariedade em cordão gera resultados fabulosos.
Assim aconteceu ontem: mais de 500 pessoas aderiram ao convite para o Jantar Onda Rosa a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro, e o resultado foi uma vitória estrondosa.
Resultou numa verba fantástica para a prevenção e para a investigação na luta contra o cancro.
Quando todos nos damos  as mãos, coisas muito bonitas acontecem.
Jeracina Gonçalves
28/10/2017

quinta-feira, outubro 26, 2017

AMOR

São tantas as formas de amar!
Amor amante
Amor amigo
Amor irmão
Amor maternal
Amor fraternal
Amor filial
Amor à Natureza
Amor À Humanidade...
AMOR!
Simplesmente AMOR!
Palavra tão pequena...
Em sua essência está o mundo que é preciso construir
Todas as formas de Amor preenchem o coração
Todas as formas de Amor fazem o Mundo Melhor!
Jeracina Gonçalves
26/10/2017


terça-feira, outubro 24, 2017

A ESPERANÇA RENASCIDA

Senti-me perdida
Magoada
Ferida
Minha alma devassada
Minha vida
Mas na vida tudo passa.
Quando na vida se ultrapassam
Os escolhos no caminho
A vida toma seu rumo
Deixando a alma mais forte
Em cada retalho da vida
Em cada esperança perdida
Nova esperança renascida
E de andança em andança
Vence-se a vida, na vida.
Jeracina Gonçalves

24/10/2017

domingo, outubro 22, 2017

Pensar-me, sentir-me, no silêncio da minha alma, é um exercício que faço, agora, sentada à mesa do meu computador.
Temia encontrar dentro de mim mágoa, tristeza, dor...
Mas não.
Sinto em mim a serenidade de um lago azul e tranquilo, onde velejam velas brancas tocadas por brisa suave.
Sinto paz. Sinto serenidade.
Está intacto o meu Ser.
Sinto que o meu coração se mantém firme e doce, capaz de olhar a vida  com a mesma firmeza, a mesma determinação, e o mesmo sentimento de sempre em relação mundo e ao ser humano.
Dentro de mim há AMOR, há paz, há tranquilidade.
Jeracina Gonçalves
22/10/2017


sábado, outubro 21, 2017

Por que me tratam assim?

Santa... eu não sou.
Sou pecadora confessa
como todo o ser humano;
porém, eu vos confesso
procuro, em cada momento,
ser um pouco melhor
e dar um pouco de mim.
Em cada luta que travo
e saio vitoriosa
sinto que enriqueci.

Santa... eu não sou.
Mas longe de mim ser demónio.
Sou apenas uma mulher
que ama, que chora, que ri
com derrotas, com vtórias
com muitas mágoas, muito pranto
nos anos que já vivi.
E sempre prá vida sorri.
Porque a vida é coisa bela.
É um manjar recheado
de várias cores e sabores
que fazem dela o encanto
de ser vida
e à vida dar o seu canto.
Há, porém, quem não o entenda
e tecem-me em volta uma teia
tão negra, tão suja, tão feia...
que ainda não entendi.

Jeracina Gonçalves
21/10/2017

A VIDA É UM PRESENTE

O sol que iluminou o dia de hoje estendeu os seus raios luminosos sobre o meu coração. Encheu-mo de alegria.
O meu dia foi embelezado, logo pela manhã, por um miúdo que encontrei e demonstrou  uma grande alegria em ter falado comigo.
Deixou-me depois com um piropo que me enterneceu e deu um grande ânimo ao meu ego:
"A senhora está muito bonita."
"Obrigada, Joca".
"Mesmo!"
E repetiu: "A senhora está muito bonita, mesmo."
Quanto a isto, que pode fazer-se?
A minha cabeleireira ficava-me no caminho. Entrei: se estava bonita, fui por-me mais bonita ainda!
De tarde fui a uma palestra, de que gostei, no"meu" IAESM, e vendi cinco livros. E perguntaram-me quando publicava outro de poesia...
O meu coração regressou  a cantar.
Foi um daqueles dias em que sentimos, profundamente, que a vida é o maior presente obtido. Não pode ser desperdiçado com querelas e mágoas. Vale a pena vivê-la com AMOR no coração.
Jeracina Gonçalves
23/10/2017

sexta-feira, outubro 20, 2017

O PRANTO DO DIA

Um pranto silencioso e triste
Desce hoje pelo rosto do dia.
Olho por detrás da vidraça
O pranto que desfaz o dia
E a minha mente recua
Até esse mar rubro e revolto
Que avançou sobre a vida
Espalhou tristeza e luto
Há apenas alguns dias…
Que bem este pranto faria!
Jeracina Gonçalves
20/10/2017