Abraçam meus olhos o espaço
da íngreme e imponente montanha.
Subindo pela encosta, pousam na
cumeada:
Seus grandes cumes desnudos
a tocar o etéreo azul, deleitam os meus
sentidos.
Sou eterna apaixonada!
Meu olhar, liquefeito de emoção,
vagueia inseguro, perdido,
por entre as agrestes ravinas
enlaça a vistosa cascata
de águas brancas, de prata,
que salta o despenhadeiro
se esgueira, escorregadia,
por entre brechas e calhaus
da agreste penedia.
Imerge, depois, meu olhar
errante pela encosta,
na névoa de branca espuma
dispersa pela ravina
a escorrer pelos carreiros
dos íngremes desfiladeiros.
O astro que espalha a luz
incide intenso, brilhante,
nas encostas e cumeadas
trepa as alcantiladas
fixa a cascata cantante
a nuvem de branca espuma...
E toda a montanha se arruma
num cenário de luz e sombra
abraçada pela brisa
que docemente me enlaça.
De narinas palpitantes
sorvo os aromas distantes
trazidos pela brisa que passa,
a brisa que me enlaça,
nesta montanha que eu amo.
Jeracina Gonçalves
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