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sábado, agosto 04, 2018


"...Criara oito filhos. Uma família grande. E agora está só. Só e sem saúde. O marido morrera há muitos anos num desabamento da mina onde trabalhava. Ficaram lá cinco soterrados na galeria. Ele e mais quatro. Foi uma grande desgraça que aconteceu na aldeia. Ficou com os filhos ainda pequenos. O mais velhinho tinha, na altura, catorze anos. Lá os foi criando como pôde, com o fruto do seu trabalho e com a pequena pensão que ficara a receber do marido. Mas quando tomaram idade, partiram à procura de melhor vida. Uns para um lado, outros para outro..., partiram todos. Ficou só.
Ficara muito triste ao vê-los partir, mas compreendia-os. Compreendia a sua ambição, o seu desejo de melhor vida. Ali não havia futuro. As terras eram fracas, produziam pouco. E não havia outra maneira de ganhar a vida. Não havia outros trabalhos. A velha mina, que no passado dera trabalho a muita gente, fechara há muitos anos. E os homens, a gente nova partiu quase toda à procura de melhor futuro. Os seus filhos foram também. Nos primeiros tempos ainda lhe escreviam. Depois...
Nos dias em que recebia carta de qualquer um deles era dia de festa. Havia música de violinos no seu coração. Corria de carta na mão para casa da professora para que lha lesse. Não sabe ler. Nunca fora à escola. Bem pena teve, sempre. Mas naquele tempo era assim. Na idade em que devia andar na escola andava com o gado no monte. A escola não era obrigatória. Era só para os ricos. Os pobres precisavam de trabalhar. Os seus pais precisavam do seu trabalho para ajudar a angariar o sustento..." 

"in" As vizinhas - HISTÓRIAS DE GENTE SÍMPLES
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal

terça-feira, julho 17, 2018

"HISTÓRIAS DE GENTES SIMPLES"

"O livro "HISTÓRIAS DE GENTES SIMPLES" é um livro solidário, aberto à solidariedade. Destina-se a alimentar Bolsas de Estudo atribuídas no ano passado no âmbito do projecto do Lions Clube de Barcelos. 
O gesto de adquiri-lo poderá ajudar alguém a ser um(a) homem/mulher da ciência, solucionador(a) de alguns dos problemas que afligem a humanidade.
 Seja solidário(a). Participe!" 

sexta-feira, julho 13, 2018

PRECISO DE TI


Procurei um Poema: encontrei um mundo
Escondido por entre as montanhas do sonho
Perdido nas vertentes da fantasia.
Debruço-me sobre o meu Eu,
Perscruto a minha alma,  
Perscruto em cada recanto do meu Ser
E não encontro resquícios de ti.
Sinto que me abandonaste.
Partiste sem me dizeres uma palavra
Sem um sinal, sem o menor aceno de mão.
Partiste sem me dizeres adeus
Sem me dizeres para onde ias
ou sequer porque partias.
A mim, que sempre te pertenci.
Que te sentia à flor pele,
Que vibrava ao mais leve toque dos teus dedos suaves;
A mim, que ficava febril ao mais leve sussurro da tua voz.
Partiste, sem me dizeres adeus,
Sem um leve aceno de mão,
Sem um olhar de despedida,
Sem qualquer sinal que me preparasse para a tua partida.
Por que partiste?
Por que me abandonaste assim?
Por que me deixaste nesta ansiedade,
Nesta busca dolorosa de ti, em mim?
Busco-te e não te encontro.
Onde te escondes, Poesia?
Preciso de ti. És o sal da minha vida!
Jeracina Gonçalves
03/02/2017

domingo, julho 08, 2018

Porquê?
Pergunto-me.
E não me sei responder;
Pergunto-o à brisa que passa
E nada me sabe dizer.
Este porquê me persegue
No vendaval rapineiro
De loucos em volta de mim.
Cerceiam-me a liberdade.
A liberdade de ser
Em liberdade viver
O meu Ser.
Porquê?
Pergunto-me.
E não me sei responder.
Este porquê me persegue
No vendaval rapineiro
De loucos em volta de mim.
Jeracina Gonçalves
Barcelos, 08/07/18


segunda-feira, julho 02, 2018

“HISTÓRIAS DE GENTE SIMPLES”


Apresento-vos o meu novo livro: “HISTÓRIAS DE GENTE SIMPLES”. 

É, como o nome indica, um pequeno livro, que ao longo de noventa e duas páginas e de um conjunto de dezasseis pequenas histórias do quotidiano de gente simples, foca temas como a solidão, a amizade, a velhice, a solidariedade, a aspereza da vida das gentes da terra nesses tempos longínquos dos anos 50/60, a droga, a emigração, o ambiente, etc.Temas de todos os tempos, conhecidos em todos os extratos sociais, mas sentidos, talvez, de forma diferente em cada tempo e em cada espaço.

Em 2017, queridos amigos e amigas, conseguimos ajudar a realizar alguns sonhos a jovens estudantes que desejavam continuar os seus estudos a nível superior, mas não tinham base económica para fazê-lo. E, para continuarem a realização desse sonho de irem mais além, continuam a precisar do nosso apoio também este ano. Mais uma vez conto convosco, queridos amigos e amigas.
Sozinha, nada conseguirei. Poderei dar um grande pedaço do meu coração, o meu tempo e um pouco do meu dinheiro, mas, sem vós, tudo isso será nada.
Como o livro “A VIAGEM”, publicado em junho de 2017, este segue o mesmo trajeto solidário de ajudar a manter transitável e seguro o caminho aberto por  aquele:  alimentar as bolsas de estudo já atribuídas.
Convosco, com a ajuda de todos vós, poderemos, juntos, iluminar olhares e aquecer corações e contribuir para realizar os sonhos desses jovens estudantes que precisam de nós.
Obrigada.
Jeracina Gonçalves
02/07/2018

domingo, maio 06, 2018

SONHO QUE NÃO VIVI


Desde esse instante
que na curva do caminho te perdi
restam-me pedaços de sonho
desse sonho de ti
desfeito nos contrafortes rochosos
desse muro erguido entre ti e mim.
Resta-me a nostalgia do sonho que não vivi.
Jeracina Gonçalves
06/05/2018

sábado, maio 05, 2018

ENREDO


O tempo foge com o tempo
Na roda sempre a girar
Segundos, minutos e horas
O tempo não pode parar.

Troca o Sol com a Lua
Do entardecer à aurora
A um dia, segue outro dia
Semanas, meses e anos...

O tempo não tem demoras!
É século, depois de século,
Milénio, atrás de milénio...
Na roda sempre a girar
O tempo não pode parar.

O tempo foge no tempo
Sem tempo para observar
O tempo na roda a passar.

O tempo do nosso tempo
É tempo de educar!
É tempo de ao tempo ensinar
Que é preciso, no tempo,
Ter tempo para rir e brincar;
E tempo para sonhar.
O tempo não volta a passar!
Jeracina Gonçalves - Barcelos/Portugal
in JANELA ABERTA