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segunda-feira, outubro 29, 2007

28/10/07
O Sol abre-se num sorriso prazenteiro e anuncia-me a alegria de mais um dia cheio de luz e de cor neste Outono sem pressas nem vontade de se instalar.
É um espetáculo que não me cansa, nem me canso de olhar: seja quando lentamente se levanta e começa a colorir o horizonte e a iluminar o rosto da paisagem, até que surge aquela bola redonda, plena e cheia de força, a espalhar luz e calor sobre a Terra, seja depois, na hora da despedida, a esvair-se lentamente em sangue a alastrar no anilado do céu, pintando quadros de delicioso encanto, até que de todo morre, para horas depois renascer.
Jeracina Gonçalves

segunda-feira, outubro 22, 2007


Seja na serra ou no mar
Gosto do sol quando nasce
Gosto de vê-lo morrer
É manjar que minha alma come
Com deliciado prazer.
Jeracina Gonçalves

quarta-feira, outubro 17, 2007
















... E de socalco em socalco,
trepam pelo outro lado
cruzam vários caminhos
diversos povoados
sobem ao etéreo azul
cruzam com o rei da vida
quase em fim de jornada
no horizonte ondulado.
Despede-se de S. Leonardo.
Jeracina Gonçalves












Meus olhos descem, lentamente, por esses socalcos
- esculturas dinâmicas e sinuosas, traçadas em circular -,
feitos de passos e de braços com enxadas a cavar,
e mergulham na prata luzente, lá em baixo, no cavado.
Jeracina Gonçalves

terça-feira, outubro 16, 2007

No barco de S. Leonardo
sou agora o timoneiro:
sulco este “mar de mosto”,
mergulho meus olhos no rio
que comigo, ao desafio,
joga um jogo de crianças:
ora de ar prazenteiro
mostra seu rosto risonho
ora foge ao meu olhar
entre ravinas trancado
e sob o mar encrespado
de ásperas ondas rochosas
abre caminho pró mar.

Jeracina Gonçalves

domingo, outubro 14, 2007

S. LEONARDO DE GALAFURA

















Da proa do grande  navio
que o poeta lhe deu
contempla o rio, lá no fundo,
que ora se ri francamente
ora se esconde e se fecha
entre as ravinas rochosas.
                                                                            Jeracina Gonçalves

sexta-feira, julho 27, 2007

O tempo não volta

O tempo, pássaro voando sem poiso,
nem tempo a desperdiçar,

soma distâncias em dias, meses e anos
para jamais regressar.
O tempo não roda;
O tempo não volta a passar;
O tempo hoje perdido
jamais se consegue apanhar.
O tempo, do nosso tempo,
vestido de Paz e de Amor,
saibamos aproveitar.
JG

segunda-feira, julho 23, 2007

VELHOS SÃO OS TRAPOS

Os anos passam por nós com a rapidez do relâmpago e vão deixando o desgaste da sua passagem no nosso processo anímico, intelectual e físico.
O tempo desgasta qualquer máquina e, a nossa, por mais perfeita que seja, sente também as marcas da passagem do tempo: a pele perde o viço e é marcada por vincos mais ou menos profundos, os ossos doem e, pouco a pouco, vão-se tornando menos densos e mais quebradiços, a vista perde acuidade, a memória não responde às solicitações com a mesma prontidão, os movimentos perdem agilidade e graça, as pernas não nos obedecem com a mesma rapidez… enfim: uma série de pequenos ou grandes males vão surgindo e submergindo o que antes eram dados certos, precisos e disponíveis, sempre prontos a intervir com acuidade e rapidez.
São os acessórios naturais trazidos pelo tempo volvido; aspetos físicos da velhice temporal; marcas de um tempo que nem todos temos o privilégio percorrer, para nos recordar que não somos imperecíveis, nem impermeáveis à sua passagem; mas, pelo contrário, somos perecíveis e sujeitos a maior ou menor prazo de validade.
Alguns têm um prazo de validade muito curto e a sua caminhada termina bem cedo. Partem sem rugas na pele, nem dores nos ossos. Outros (onde muitos de nós nos incluímos já), que têm uma caminhada mais longa e chegam a esse estádio, acima descrito, são privilegiados e têm o dever acrescido, para consigo e para com a sociedade, de lutarem contra a verdadeira velhice, a velhice que se instala através da alma (porque a verdadeira velhice é, sobretudo, um estado de alma), com veemência e com todos os meios ao seu alcance.
Há jovens de pele enrugada e corpos curvados sob o peso dos anos passados, mas entusiasmados pela vida, de espírito aberto, sempre prontos a deixarem-se surpreender e a aprenderem mais e mais, e velhos de corpos eretos e pele lisa, que deixam a vida passar por eles mantendo-se indiferentes à sua passagem.
A verdadeira velhice acontece quando deixámos morrer a capacidade de sonhar e perdemos a curiosidade pelas coisas. Quando perdemos a esperança e nos remetemos à inatividade física e intelectual;
A verdadeira velhice instala-se quando deixamos de acreditar na nossa força interior, nas nossas capacidades de sentir, de querer, de realizar, e passamos o tempo a rezingar e a dizer mal de tudo e de todos, perdidos num passado que não tem volta, sem querermos vislumbrar ou dar um passo em direção ao futuro;
A verdadeira velhice instala-se quando lhe franqueamos a porta e nos acomodamos no nosso canto, sem reagirmos aos processos de desgaste intelectual, físico e psíquico, que o passar dos anos traz, irremediavelmente, consigo, e leva à deterioração cognitiva e sensitiva, abrindo caminho à solidão e à depressão – estrada larga para a verdadeira velhice.
Se não lemos, não escrevemos, não fazemos jogos ou outras actividades, que obriguem a mente e o corpo a trabalhar, estamos a convidá-los (corpo e mente) à preguiça e daí, à morte.
É sabido que, qualquer máquina parada se deteriora mais rapidamente, o mesmo acontecendo com a nossa.
Alguém dizia, outro dia - alguém com muita idade, de pele enrugada e corpo alquebrado, mas com grande atividade intelectual -, que não tinha tempo para envelhecer.
Pois é. Se calhar envelhecer é só uma questão de ter ou não ter tempo.

                                                                                                                                                                                                                                             Jeracina Gonçalves

segunda-feira, julho 16, 2007

A SEMENTE GERMINADA

Seara ondulada
solta à brisa
afagada com amor
exibe o húmus e o âmago
da semente germinada
na terra rasgada
transmutada em nutrido grão.
                                                 JG