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domingo, junho 29, 2008

O AMANHÃ COMEÇOU ONTEM

O amanhã começou ontem
Mesmo antes de nasceres
Com tudo o que te foi legado
E o que foi adquirido
No caminho já trilhado;

Tudo o que te foi legado
O que já adquirido
E aquilo que aprenderes
Fazem teu jeito de ser
Tua forma de lutar
O teu perder e vencer;

Os trilhos que percorreres
Com o que te foi legado
Fazem tua força de vida
Para levares de vencida
O que o amanhã te trouxer.

O amanhã… começou ontem.
Mesmo antes de naceres!

Jeracina Gonçalves

quinta-feira, junho 12, 2008


O sol solta o seu olhar
sobre o lustre azul do mar;
gaivotas desenham no ar
entre o céu e omar.
Jeracina Gonçalves

terça-feira, junho 10, 2008

TENHO TRABALHOS NESTES LIVROS




Junho de 2005

Fevereiro de 2005

MAS AS CRIANÇAS… Senhor!”

Soldados… Armados…
Armados até aos dentes
invadem e vasculham lares, perante o
olhar assombrado de dois pequenos inocentes.
Duas pequenas crianças fitam, fixamente,
aqueles soldados…
Artilhados…
Armados até aos dentes.
Olham-nos de forma diferente.

Um terá três anitos… talvez quatro…
Não tem mais.
Seus olhos negros, redondos, reflectem terror.
Todo o terror gravado na sua alma de menino.
O outro terá seis… sete…
Olha-os de modo diferente: Crava-os com o olhar!
Seus olhos, lagos redondos
com fundos de negro carvão
Fitam aqueles soldados…
Armados…
Armados até aos dentes.
Fitam-nos fixamente.
(Olhar duro, fechado, sombrio…)
Há ódio em seu coração!
Todo o ódio contido no seio de uma prisão
à espera de uma brecha.
Só espera a ocasião.
Será a bomba armadilhada…
Granada…
Está pronto para a acção.

Soldados, armados,
armados até aos dentes,
invadem e vasculham casas
perante o olhar assombrado
de dois pequenos inocentes!

“…mas as crianças, Senhor!”
Iraque – Novembro/2003

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal

sábado, junho 07, 2008

sábado, maio 03, 2008

A água desce a cantar
Por entre calhaus e rochedos
Dança com as ervinhas das margens
Conta-lhes seus segredos.
Jeracina Gonçalves

JANELA ABERTA


A visão é uma janela
Do mundo para o coração
E do coração para o mundo.

A beleza entra por ela
Mas, a torpeza... também.
E por essa janela aberta
Sai alegria ou tristeza
Sai amor, sai emoção
Sai ódio, sai frieza...
Conforme aquilo que entrou
E foi enchendo o coração.

Olho o mundo à minha volta:

Vejo a majestade das serras,
A calma verdejante dos prados,
A imensidade azul do mar,
A cor luxuriante das flores,
O azul límpido do céu,
A água cristalina
Que num ribeiro da serra
Saltita de pedra em pedra...

Vejo além, naquele silvado,
A mãe passarinho, atenta,
O seu ninho a construir;
E aqui, junto de mim,
A borboleta multicolor,
Mas de uma beleza efémera,
Pousa de flor em flor...

Ali, mais adiante,
A abelhinha incansável,
Pousa aqui... pousa acolá...
E o pólen vai colhendo
Das lindas flores silvestres;
Nas patas o vai levando
Com suavidade e fervor
Para os favos construir
E, de mel, a colmeia encher.

Além, do outro lado,
Por entre as árvores frondosas
Do parque, bem verdejante,
Brincam crianças felizes:
Saltam, correm, riem, jogam...

E nos bancos do jardim,
Situados junto ao lago,
Os casais de namorados
Dizem palavras de amor
E trocam abraços sem fim.

E os meus olhos que são
Janela aberta para o mundo
Reflectem a emoção
Que esta beleza infinda
Produz em meu coração.

Olho noutra direcção:

As matas estão queimadas,
As casas arrasadas,
Há crianças esfarrapadas, chorosas, esfaimadas...
Vejo droga!... Prostituição!...
Há lutas!
Há guerras!
Vejo pais que maltratam filhos,
Filhos que maltratam pais...

E os meus olhos que são
Janela aberta para o mundo
Reflectem a dor, a tristeza, a raiva...
O medo e a solidão
Que enchem meu coração.

Se sou agredida, injuriada, ferida...
Tratada com injustiça?

Então...

Os meus olhos que são
Janela aberta para o mundo
Reflectem a raiva, o ódio profundo
Que invade o meu coração.

A visão é uma janela
Da vida para o coração
E do coração...para o mundo.

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal