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sábado, abril 25, 2015

O SOM DA POESIA...

 A poesia é som, é cheiro, é cor, é sabor
É sensibilidade, é amor, dor, raiva, rancor…
É a expressão do sentir que toca o coração.

A poesia tem o som da liberdade.
O som que embala a minha alma,
Põe asas em meu pensamento
Dá-lhe espaço para voar.
O seu canto e o seu encanto
Dão-me ânimo, alegria
Preenchem o meu dia-a-dia
E são a minha terapia.

A poesia tem o som da liberdade.
Tem o som do pensamento que cresce em volta de ti,
Em volta de cada momento que contigo não vivi;
Tem o som do teu olhar fitando os olhos meus
Sempre que meu olhar vai ao encontro do teu;
Tem o som da tua voz, rouca de emoção,
A ciciar ao meu ouvido o som do teu coração;
Tem o som da maresia, do beijo doce do mar;
O som verde e o azul, o som de ir e voltar
Na mansidão das águas, velas brancas a velejar
E gaivotas a navegar nas asas que aseiam o mar;
Tem o som de águas brancas a despegar-se do ar
Do riacho a soluçar
Dos montes que cerram o céu á força do meu olhar
Do sol espelhando o mar
Da lua, que aconchega o casal a namorar no cantinho do jardim
E se for a beira-mar…
Tem o som verde dos prados matizados de mil cores
Das plantas dos montados com seus deliciosos odores;
Tem o som da alvorada em dias de rouxinol
Dos horizontes raiados opostos ao pôr-do-sol;
Tem o som das avezinhas, em bando, a planar
Das crianças a gargalhar…
Tem o som da brisa leve quando abraça os pinhais
Tem o som das andorinhas que enfeitam os beirais
Tem o som das cachoeiras sobre límpidos cristais…

A Poesia tem o som do meu olhar sentado na berma do mar
Ou no alto de uma montanha com horizonte circular!

A Poesia tem o som da Liberdade.
Dá asas ao meu Pensamento. Dá-lhe espaço para voar!
Jeracina Gonçalves
17/04/2015

Escuto os sorrisos d’aurora
Que me saúdam rasgados,
Da tela, em cinzas pintada,
-Aconchego da Natureza-
Belos como a água mais pura
Que brota da rocha mais dura
Da encosta da  montanha.
Bebo-os com sofreguidão.
São o mais puro elixir.
Nutrem o meu coração.

Jeracina Gonçalves
Madrugada do dia 07/04/ 2015

terça-feira, abril 21, 2015

VENTO FORTE


A Natureza ensolarada, violentamente açoitada
Por Bóreas, enfurecido, vive em grande confusão:

Um Bóreas enraivecido, com ânsias de destruição,
Investe, violentamente, contra balcões e beirais
Telhados, tapumes e taipais…
Os peões, na calçada,
Sem força para susterem a força desse gigante
Rodopiam, rodopiam, quais frágeis piões de brincar,
Nas mãos hábeis da criança que os saiba dominar;
E as árvores, depenadas, são vergônteas amedrontadas
Nas mãos fortes do gigante nesta linda madrugada.
Bem azul e ensolarada. O que me leva a pensar
Que esta peleja tão dura, esta cobarde ofensiva
Seja inveja. Nua e crua. De Bóreas, enciumado,
Contra Apolo, o luminoso, o querido, o bem-amado.

A Natureza açoitada resiste com altivez
A investida traiçoeira deste Bóreas enraivado.

Janeiro/2015

Jeracina Gonçalves

sábado, abril 18, 2015

Hoje de madrugada, antes do sol acordar,
passei por tua casa e deixei no teu armário
os  beijinhos que as  estrelas deixaram ontem no mar,
que roubei para te  dar.
Quando abrires o teu armário não assustes os beijinhos.
Agarra-os bem de mansinho e pede-lhes com jeitinho
que te tragam as estrelas para iluminar teu caminho.

Jeracina Gonçalves
17/04/2015


O AMOR


O Amor é uma flor que nasce no coração.
Como qualquer outra flor
Requer cuidados e atenção.
Todos os  dias regado
Arado
Bem arejado
Liberto  das ervas daninhas
Vai  em força desabrochar
Avivar a sua cor
Libertar o seu odor
Espargir em seu  redor
O odor inebriante
De tão magnifica flor!
Jeracina Gonçalves
18/05/2015

quinta-feira, abril 09, 2015

As glicínias em flor
Vaidosas de sua beleza
Vestem vestido de gala
Prá festa da Natureza!
Jeracina Gonçalves

sábado, março 28, 2015

UMA ORQUESTRA SEM RIVAL



A Natureza 
com seu canto de sonâncias tão diversas
a vibrar em cada instante sob a batuta Divina
resulta em timbre perfeito, melodia sem igual!

Sejam da serra ou do mar 
seus acordes têm a força que faz meu coração vibrar 
e põem luz no meu olhar.

A Natureza,  com seu canto e seu encanto,
é meu canto, meu encanto, meu estímulo neuronal!

Jeracina Gonçalves - Barcelos/Portugal
28/03/2015

sábado, março 21, 2015

UM SOPRO DE PRIMAVERA

Chega a Primavera com seu ar e sua graça,
Sobre a encosta da terra entorpecida
Da terra vencida
Derrama  seu sopro terno e manso
E a terra se abre num sorriso de esperança
E em si reforça a chama da vida.

A chama da vida
Renovada e forte
Feita fluidez e mudança a cada instante
Manifesta-se em imagens risonhas e coloridas
Imagens que aconchegam o olhar
Saúdam a VIDA.
E a chama da vida permanece em si
Renovada e forte
No brilho  intenso
Espontâneo
Intimo nos olhares...
Inerente do fogo que aquece o coração.

A chama da vida
Renovada e forte,
Feita fluidez e mudança a cada instante
(Re)desenha-se na Natureza em imagens sublimes
Põe encantamento nos olhares
Põe leveza nos corações que se deixem libertar.

A chama da vida
Renovada e forte
Feita fluidez e mudança a cada instante
Manifesta-se na pequena semente
No colo da terra em broto
A espreitar
Em busca do beijo do sol 
Para com ele se acalentar
Ganhar ânimo
Crescer
Ser planta
Florescer
Ser fruto.
Ser de novo semente na terra 
Ser nova planta a crescer;

A chama da vida
Renovada e forte
Feita fluidez e mudança a cada instante
Manifesta-se no sorriso franco da generosa flor
À abelha diligente que nela procura o alimento;
Nas patitas o sedimento
Vai outra flor visitar 
Outra flor fecundar
Dar o fruto
Aamadurar
De novo semente na terra
E nova planta a crescer;

A chama da vida
Renovada e forte
Feita fluidez e mudança a cada instante
Manifesta-se nos alegres passarinhos
Em busca de ervas secas e pauzinhos
Para construírem seus ninhos

Casinha para seus filhinhos...
….
Chega a Primavera com seu ar e sua graça
Derrama sobre a encosta da terra entorpecida
Da terra vencida
Seu sopro terno e manso.
A terra abre-se
Em si reforça a chama da vida.

A chama da vida
Renovada e forte
Feita fluidez e mudança a cada instante
Manifesta-se em imagens risonhas e coloridas
Imagens que saúdam a VIDA
Nas cascatas em flor que descem pelas encostas
Nos tapetes coloridos que enfeitam bermas e prados   
Nos olhos sorridentes da criança bem-amada
No brilho intenso 
Espontâneo
Intimo no olhar
Inerente do fogo que aquece o coração…
E a terra (re) desenha-se em imagens belas em cada desabrochar
Põe encantamento no olhar e leveza no coração que se deixe libertar.

Barcelos, 21/03/2015
Jeracina Gonçalves

sábado, março 14, 2015

 “Ninguém diga que está bem!”

Estou aborrecidíssima: uma trinca numa ameixa linda, vermelha, luzidia, a rebentar de madura, fez saltar o chumbo de um dente já “recauchutado” e deixou-me com este aspeto degradante e desconfortável em que me encontro.
Custa a crer que uma ameixa bem madura conseguisse causar tal estrago, mas não há dúvida. Aconteceu. Ainda se fosse um dente molar, escondido lá para trás, mas um canino!... 
Vê-se ao menor descuido. Nem me posso rir. 
E logo comigo que gosto tanto de rir abertamente, espontaneamente e sem qualquer constrangimento. 
Dá-me força, faz-me sentir leve, saudável... Sei lá... Acende-me qualquer luz interior que me traz entusiasmo e alegria. Dá-me ânimo, é bom, faz bem e adoro fazê-lo. Liberta-me. É espantoso como rir me liberta! Sinto que uma boa gargalhada me afasta dos médicos e das farmácias. Tenho verdadeira convicção de que assim é. Mas ,assim desdentada, como poderei fazê-lo? É um espectáculo deplorável. E logo hoje, que tenho um jantar social a que não poderei faltar!
Como farei? Juro que não sei como fazer. O que sei, sem qualquer dúvida, é que detesto ver pessoas desdentadas. Dá-lhes um ar de descuido, de abandono, de desleixo… É degradante, e pronto! E é assim que me sinto agora: degradada e com um aspecto degradante. Preciso de resolver esta situação rapidamente. Mas assim... de repente... não sei.
Não sei mesmo como a resolvê-la. O que me deixa ainda mais deprimida. E há o tal jantar…
Tenho de decidir como vou fazer, dê por onde der.
O primeiro passo será, sem dúvida, telefonar para o meu dentista. É o mais inteligente. Só ele me poderá ajudar -me a sair deste impasse e a solucionar-me este problema. E eu que não gosto nada, mas mesmo nada, de sentar-me na cadeira do dentista. Detesto-a. Dei-lhe até um nome muito especial que, quanto a mim, assenta-lhe que nem uma luva: “A Cadeira da Santa Inquisição”.
Não acham que foi um momento de sublime inspiração?
É horrível estar ali de boca aberta, com a broca a escarafunchar nos meus dentes e aquele barulho a roer… a roer… nos meus ouvidos. É terrível! Insuportável! O barulho da broca mexe-me com os nervos e deixa-me ansiosa. Temo que chegue a um sítio qualquer, que não esteja anestesiado e me cause dor profunda, dilacerante, insuportável; e essa dor atormenta-me o pensamento logo que a broca começa a roer, a roer… E quando tal pensamento me domina, parece que sinto a dor, implacável, a perfurar o meu maxilar.
É medonho!
E também detesto o aspirador na minha boca: deixa-ma seca, áspera…
E a ansiedade da espera, enquanto o dentista prepara a broca e a assistente, entretanto, já mandou abrir a boca e colocou o aspirador?
Não, definitivamente detesto ter de ir ao dentista. Abomino-o profundamente. É terrivelmente desconfortante. Mas, que fazer? A necessidade obriga. E lá vem o “tem de ser”.
E o “tem de ser” tem muita força. Assim como “O que não tem remédio...” E agora não tenho remédio. Preciso de procurar um dentista urgentemente e, de preferência, que me possa atender já; pois, como disse, tenho um jantar a que não posso faltar. 
Quando é preciso, não há broca, não há aspirador, não há ferro que o impeça. É preciso, e pronto. Está tudo dito. E agora tem mesmo de ser. Não o posso evitar, nem protelar por mais tempo. Quanto mais depressa resolver esta situação, melhor. Recuso-me a dar o espetáculo degradante de aparecer perante, seja quem for (além do dentista, claro), assim desdentada.
Vou ligar-lhe imediatamente. Oxalá tenha disponibilidade para me atender.
Mas… e se ele não está, ou se não pode atender-me? Como farei? Como resolverei o problema?
Olha que é bem verdade: “Ninguém diga que está bem!”.
Esta expressão ouço-a frequentemente em situações menos agradáveis, tal como esta em que me encontro, e é perfeita para ilustrá-la.
Como é que há dois míseros minutos poderia imaginar que estaria agora nesta situação deplorável?
Estava tão animada, tão deliciada a antegozar o prazer de saborear aquela ameixa carnuda, corada, luzidia, apetecível, e à primeira dentadinha de nada, fico nesta situação desconfortável, aviltante, sem saber se tenho possibilidade de resolvê-la nas próximas horas!
Bom, tenho de deixar de pensar e agir rapidamente, só assim poderei sair deste impasse. Esta é daquelas situações que só se podem solucionar, agindo. E agindo depressa. Vou ligar ao meu dentista.
Deixa ver, tenho por aqui o número no meu telemóvel:
Doutor… doutor…doutor… Ah! Que arrelia! Não tenho aqui o número dele. E eu que tinha quase a certeza de que o tinha gravado no telemóvel. Mas não. Deve estar ali, na agenda. Vou ver. Aos anos que lá vou já tinha obrigação de saber marcá-lo de cor, mas não sei mesmo. Não tenho memória nenhuma para guardar números. Vou ver na agenda.
Deve estar… Deixa-me ver…, deixa-me ver… Passei-a toda de novo há pouco tempo. Deve estar por aqui.
Doutor… doutor… doutor…
Não, não está. Aqui também não está. Como é que me escapou! Não o copiei da agenda antiga, está visto! Escapou-me. E agora, que faço?
Ah! Pois! Há sempre o recurso à Lista Telefónica. Aí não deve falhar.
Cá está! É este mesmo: Dr. Rui…Já não era sem tempo! Vou ligar-lhe imediatamente. Espero que esteja e possa atender-me já.
…Oh! Não! Ninguém atende! Será que está de férias?
Não! Não deve estar de férias. Não é tempo de férias. Ou será que está?...
Não, não pode estar! Tentarei de novo mais tarde. A empregada saiu para fazer qualquer recado e por isso não atende o telefone. É isso. Voltarei a ligar mais tarde. Entretanto pedirei aos céus para que não esteja de férias.
“Ninguém diga que está bem!”
Jeracina Gonçalves


PS: Dando uma volta pelas pastas do meu computador, encontrei este texto, escrito há  uns anos, que acabei por achar engraçado  e resolvi publicá-lo.