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sexta-feira, março 16, 2012

E A CHUVA NÃO VEM…


A nuvem não cresce, não enche, não chora…
É pétala de  rosa no azul transparente.

A chuva não chega. A chuva não vem.
A terra queimada, exangue, sedenta
Clama por ela a todo o momento.
A nuvem, no céu, não ouve o clamor da terra sedenta. 
É pétala de  rosa no azul transparente;
Da terra não sente o apelo urgente.

A nuvem não cresce, não incha, não chora…
A chuva não chega. A chuva não vem.
A planta, sequiosa,  
À terra gretada, exangue, sedenta
reclama sustento. 
A terra não dá. A terra não tem…
Ao céu suplica suas lágrimas cadentes;
Suas lágrimas de vida, em fio, transparentes
Sobre seu corpo gretado, exangue carente.

A nuvem não cresce, não enche, não chora…
A chuva não chega. A chuva não vem.
A planta atrofia. 
Na terra sedenta expira
Exaurida
Seu último alento.

A nuvem não cresce, não enche, não chora…
A chuva não chega... A chuva não vem...

                                                                                 Jeracina Gonçalves - Barcelos/Portugal
Março/2012

Est poema é de 2012. Mas, infelizmente, em 2017 está bem atual.

quarta-feira, agosto 17, 2011

NOITE SEM ESTRELAS

Há dias, que a noite invade.
Sem portas e sem janelas
Que ousem travar seu passo
Aprisiona a luz do dia
Leva o sonho, a melodia
Que aquecia o coração
Enquanto que no  jardim
A essência do jasmim
Some-se na escuridão.



Metida num canto da sala
Fecho portas e janelas
E pesquiso no meu coração
O caminho prá redenção
Que  anime o meu coração
Com o sol do amanhecer!

Jeracina Gonçalves

sexta-feira, junho 17, 2011

DAS PEDRAS NASCEM FLORES

A encosta está ali
íngreme, escabrosa
bem na minha frente
num desafio persistente 
que preciso d’enfrentar.
Por ela resvalam calhaus
não os posso ignorar
fazem-me tropeçar.

De olhos postos no azul
o meu coração no olhar
sem me desviar do caminho
sem desviar o olhar
começo, com firmeza,
pela encosta a trepar.

Em cada pedra suporte
para melhor avançar.

Nos bolsos levo flores
que começo a dispersar:

aqui deixo uma semente
deixo além uma flor…

De olhos postos no azul
o meu coração no olhar
continuo, com firmeza
pela encosta a trepar:

Em cada pedra suporte
para melhor avançar

De olhos postos no azul
o meu coração no olhar
aqui deixo uma semente,
deixo além uma flor…

Flores de todas as cores
a brotar pela encosta 
fazem da encosta jardim
de belas e perfumadas flores. 

Jeracina Gonçalves

sábado, maio 21, 2011

DE PÉS DESCALÇOS NO CHÃO

 De pés descalços, no chão,
Sob o aconchego das árvores
Em conversas com o vento,
Divaga o meu pensamento
Ao som da melodia 
Que se desenha no ar.

Nos meus olhos brilha a chama
Que meus olhos alumia e vive no meu coração
Na minha alma a saudade
No meu coração a alegria
Das memórias que me chegam
Nas asas da melodia.


De pés descalços, no chão,
Caminho sobre a ravina:
Busco aqui uma flor,
Além, uma joaninha
Leva cartas ao meu amor…
Resquícios de memórias minhas!

Jeracina Gonçalves

sábado, janeiro 15, 2011

ESTRADA DE TERRA BATIDA



A estrada, que me proponho pisar,
Íngreme, pela encosta,
É feita de terra batida;
Em cada curva um abismo
Perigo de derrocada…

A estrada, que me proponho pisar,
Não sei onde me vai levar.

Sou feita de luz e de sonho
Na minha alma cresce a esperança
Arde a chama em meu olhar…
Espero no fim da estrada
Encontrar o meu lugar.

A estrada, que me proponho pisar,
Íngreme, pela encosta,
É feita de terra batida
Em cada curva um abismo
Perigo de derrocada…

Espero no fim da estrada
Entre espaços floridos
Encontrar o meu lugar.
Jeracina Gonçalves
(MJRCG)