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quarta-feira, outubro 17, 2007
















... E de socalco em socalco,
trepam pelo outro lado
cruzam vários caminhos
diversos povoados
sobem ao etéreo azul
cruzam com o rei da vida
quase em fim de jornada
no horizonte ondulado.
Despede-se de S. Leonardo.
Jeracina Gonçalves












Meus olhos descem, lentamente, por esses socalcos
- esculturas dinâmicas e sinuosas, traçadas em circular -,
feitos de passos e de braços com enxadas a cavar,
e mergulham na prata luzente, lá em baixo, no cavado.
Jeracina Gonçalves

terça-feira, outubro 16, 2007

No barco de S. Leonardo
sou agora o timoneiro:
sulco este “mar de mosto”,
mergulho meus olhos no rio
que comigo, ao desafio,
joga um jogo de crianças:
ora de ar prazenteiro
mostra seu rosto risonho
ora foge ao meu olhar
entre ravinas trancado
e sob o mar encrespado
de ásperas ondas rochosas
abre caminho pró mar.

Jeracina Gonçalves

domingo, outubro 14, 2007

S. LEONARDO DE GALAFURA

















Da proa do grande  navio
que o poeta lhe deu
contempla o rio, lá no fundo,
que ora se ri francamente
ora se esconde e se fecha
entre as ravinas rochosas.
                                                                            Jeracina Gonçalves

sexta-feira, julho 27, 2007

O tempo não volta

O tempo, pássaro voando sem poiso,
nem tempo a desperdiçar,

soma distâncias em dias, meses e anos
para jamais regressar.
O tempo não roda;
O tempo não volta a passar;
O tempo hoje perdido
jamais se consegue apanhar.
O tempo, do nosso tempo,
vestido de Paz e de Amor,
saibamos aproveitar.
JG

segunda-feira, julho 23, 2007

VELHOS SÃO OS TRAPOS

Os anos passam por nós com a rapidez do relâmpago e vão deixando o desgaste da sua passagem no nosso processo anímico, intelectual e físico.
O tempo desgasta qualquer máquina e, a nossa, por mais perfeita que seja, sente também as marcas da passagem do tempo: a pele perde o viço e é marcada por vincos mais ou menos profundos, os ossos doem e, pouco a pouco, vão-se tornando menos densos e mais quebradiços, a vista perde acuidade, a memória não responde às solicitações com a mesma prontidão, os movimentos perdem agilidade e graça, as pernas não nos obedecem com a mesma rapidez… enfim: uma série de pequenos ou grandes males vão surgindo e submergindo o que antes eram dados certos, precisos e disponíveis, sempre prontos a intervir com acuidade e rapidez.
São os acessórios naturais trazidos pelo tempo volvido; aspetos físicos da velhice temporal; marcas de um tempo que nem todos temos o privilégio percorrer, para nos recordar que não somos imperecíveis, nem impermeáveis à sua passagem; mas, pelo contrário, somos perecíveis e sujeitos a maior ou menor prazo de validade.
Alguns têm um prazo de validade muito curto e a sua caminhada termina bem cedo. Partem sem rugas na pele, nem dores nos ossos. Outros (onde muitos de nós nos incluímos já), que têm uma caminhada mais longa e chegam a esse estádio, acima descrito, são privilegiados e têm o dever acrescido, para consigo e para com a sociedade, de lutarem contra a verdadeira velhice, a velhice que se instala através da alma (porque a verdadeira velhice é, sobretudo, um estado de alma), com veemência e com todos os meios ao seu alcance.
Há jovens de pele enrugada e corpos curvados sob o peso dos anos passados, mas entusiasmados pela vida, de espírito aberto, sempre prontos a deixarem-se surpreender e a aprenderem mais e mais, e velhos de corpos eretos e pele lisa, que deixam a vida passar por eles mantendo-se indiferentes à sua passagem.
A verdadeira velhice acontece quando deixámos morrer a capacidade de sonhar e perdemos a curiosidade pelas coisas. Quando perdemos a esperança e nos remetemos à inatividade física e intelectual;
A verdadeira velhice instala-se quando deixamos de acreditar na nossa força interior, nas nossas capacidades de sentir, de querer, de realizar, e passamos o tempo a rezingar e a dizer mal de tudo e de todos, perdidos num passado que não tem volta, sem querermos vislumbrar ou dar um passo em direção ao futuro;
A verdadeira velhice instala-se quando lhe franqueamos a porta e nos acomodamos no nosso canto, sem reagirmos aos processos de desgaste intelectual, físico e psíquico, que o passar dos anos traz, irremediavelmente, consigo, e leva à deterioração cognitiva e sensitiva, abrindo caminho à solidão e à depressão – estrada larga para a verdadeira velhice.
Se não lemos, não escrevemos, não fazemos jogos ou outras actividades, que obriguem a mente e o corpo a trabalhar, estamos a convidá-los (corpo e mente) à preguiça e daí, à morte.
É sabido que, qualquer máquina parada se deteriora mais rapidamente, o mesmo acontecendo com a nossa.
Alguém dizia, outro dia - alguém com muita idade, de pele enrugada e corpo alquebrado, mas com grande atividade intelectual -, que não tinha tempo para envelhecer.
Pois é. Se calhar envelhecer é só uma questão de ter ou não ter tempo.

                                                                                                                                                                                                                                             Jeracina Gonçalves

segunda-feira, julho 16, 2007

A SEMENTE GERMINADA

Seara ondulada
solta à brisa
afagada com amor
exibe o húmus e o âmago
da semente germinada
na terra rasgada
transmutada em nutrido grão.
                                                 JG

sábado, julho 14, 2007

GAIVOTA FERIDA

Suspensa na noite sem luz
Asa ferida no muro
Alto e duro
Que barra o seu mar,
A gaivota enreda-se
No emaranhado de cordas a esmo
Pelo chão.
Debate-se na escuridão.
Tropeça aqui... 
Cai acolá…
Esvoaça voo curto
Voo rasante ao chão.
O voo solto, livre
Que lhe pede o  coração
Não consegue libertá-lo

Tropeça aqui, cai acolá…
Bebe no horizonte a luz de um sol a emergir.
O voo para a liberdade não tardará a surgir!
Jeracina Gonçalves

sexta-feira, junho 01, 2007

SOU CRIANÇA


Sou criança.
Preciso de ti, adulto!
Preciso do teu cuidado
Preciso do teu amor
Preciso do teu exemplo

Preciso do teu tempo
Preciso do teu sim
E preciso do teu não;
Para edificar o meu Ser

Não preciso apenas do teu pão.
Preciso da tua atenção!

Sou criança, adulto,
Imagem da tua imagem!

Como esponja, absorvo
O líquido bom e o mau:
Seguirei pelo caminho
Que tu abrires para mim

Ensina-me a amar as flores,
A sentir por elas amor;


Ensina-me a amar os pássaros
Os peixes dos rios e do mar
As árvores que fabricam o ar...

Sou criança, adulto,
Imagem da tua imagem!

Mostra-me o caminho do sol
E põe sementes de amor
Na campina do meu coração
Nela germinarão flores


Sou o Homem do futuro

Para edificar o meu Ser
Não preciso, apenas, do teu pão
Preciso da tua atenção.


Sou criança, adulto,
Imagem da tua imagem.

Sou o Homem do amanhã
Mostra-me caminhos de luz
E põe sementes de amor
Na campina do meu coração

Sou criança, adulto!
Tens o mundo nas tuas mãos!

Jeracina Gonçalves