E A MÃE, VIGILANTE, CUIDA DA SEGURANÇA DOS FILHOTES, ENQUANTO ESTES SE ALIMENTAM NOS CHARCOS DEIXADOS NA FOZ DO RIO PELA MARE BAIXA.
"EU E OS OUTROS, DAQUI E DALI", será um espaço de reflexão e de registo de imagens e pensamentos colhidos e construídos nas vivências do dia-a-dia, que poderão ser em prosa, em verso, ou imagem.
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sexta-feira, junho 20, 2014
terça-feira, junho 17, 2014
ALTO DOURO
Subindo
contra a corrente
Trepam meus
olhos rochedos
Vestem-se de
risos de medos
Galgam
colinas outeiros
Escondem-se nos desfiladeiros
Escondem-se nos desfiladeiros
Alcançam o
azul celeste
Domam a
escarpa agreste
Descem por outro lugar
Pousam de altar em altar
Pousam de altar em altar
Mergulham nas
águas do rio
Que correm da
serra para o mar.
Alto Douro
Vinhateiro
Teus encantos
e belezas
Apresam meu coração
Fascinam o meu olhar!
Apresam meu coração
Fascinam o meu olhar!
Jeracina Gonçalves
domingo, junho 15, 2014
DOURO, POEMA DE AMOR
Douro, Jardim Encantado,
és um poema de amor
da alvorar ao sol-pôrinscrito n’arriba escabrosa;
obra de artistas sem nome
mourejando sol a sol.
Douro, Jardim Encantado
és uma prece ao Senhor
gravada a sangue e a suor de homens em busca de pão
numa peleja, sem tréguas
numa peleja, sem tréguas
contra o exército de fragas.
a trepar para o etéreo
Tuas escarpas/jardim,
E de batalha em batalha
os homens vencem a guerra
contra o exército de fragas
contra o exército de fragas
contra o exército das pragas
fazem um jardim encantadoa trepar para o etéreo
Tuas escarpas/jardim,
visionadas à distância,
são cataratas d'esperança
são cataratas d'esperança
a tombarem sobre o rio
matizes resplandecentes
matizes resplandecentes
de
safiras e esmeraldas;
Prece, Poema, Canção
Das tuas escarpas/jardim
brota vida, brota cor
brotam néctares de deuses
brotam néctares de deuses
de
deleitosos sabores.
Douro, Poema de Amor,
Douro, Poema de Amor,
do alvorecer
ao sol-pôr!
Prece, Poema, Canção
cantada
pelas águas do rio
que levam da serra pró mar
que levam da serra pró mar
teu
sangue… teu coração…
Douro, Tesouro da Humanidade,
Douro, Tesouro da Humanidade,
és
Troféu de Guerreiros
regado de sangue e suor
regado de sangue e suor
do amanhecer ao sol-pôr!
Jeracina
Gonçalves
25/05/2017
quarta-feira, junho 11, 2014
DESABAFO
Ontem encontrei no hipermercado
uma colega, um pouco mais velha que eu, com quem trabalhei há muitos anos, quando do inicio da minha actividade docente nesta cidade, com quem já fiz algumas
viagens turísticas, que me perguntou como ia de saúde, como estava o meu marido,
com estavam os filhos…, enfim, aquelas perguntas habituais, que se fazem quando
encontramos pessoas que não vemos algum tempo.
De forma natural e espontânea, sem tabus nem preconceitos ou dramatismos de qualquer espécie, mas com verdade, fui informando do que vem acontecendo, desde algum tempo, com a minha família, pensando eu, que quando se questiona alguém sobre essas coisas - comigo é assim - está-se realmente interessado em saber do estado do outro.
De forma natural e espontânea, sem tabus nem preconceitos ou dramatismos de qualquer espécie, mas com verdade, fui informando do que vem acontecendo, desde algum tempo, com a minha família, pensando eu, que quando se questiona alguém sobre essas coisas - comigo é assim - está-se realmente interessado em saber do estado do outro.
Ingenuidade a minha! Nada disso. As
coisas não são assim.
Pergunta-se, mas não se quer
saber. É apenas um pró-forma social, nada mais.
Pelo menos ela não queria saber. Perguntou…
por perguntar.
Queria lá saber do que se passa comigo e com a minha família!
Queria lá saber do que se passa comigo e com a minha família!
Soube-o quando, na despedida, me
disse que não gostava de falar com pessoas como eu.
E eu, ingénua, tinha acreditado
que o seu questionamento fosse genuíno, fosse interesse, fosse solidariedade
entre Seres Humanos! Claro que não teria falado com a espontaneidade que usei,
e me carateriza, se imaginasse que não o era.
Mas… julguei-a por mim. Enganei-me profundamente.
Mas… julguei-a por mim. Enganei-me profundamente.
Não respondi à sua “agressão”, especialmente
porque estava com muita pressa, mas juro que doeu. Doeu muito. Abomino todo o tipo de hipocrisia,
incluindo a estabelecida pelas regras da “boa educação social”. E, quando questiono alguém sobre a sua saúde e
a dos seus, ou sobre qualquer outro assunto, faço-o por interesse genuíno e
oiço as respostas que têm para me dar com toda a atenção, não por coscuvilhice,
mas por solidariedade.
Jeracina Gonçalves
11/06/2014
terça-feira, junho 10, 2014
A ROSA AMARELA
domingo, junho 08, 2014
MEDITAÇÃO
domingo, junho 01, 2014
Começo a sentir-me rendida
Pela encosta alcantilada
da montanha despida
o caminho segue íngreme
agreste
sem troço suave
recanto
recanto
árvore de sombra,
pedra de assento
oásis...
Neste deserto ressequido
não há recanto onde possa repousar
lavar meus pés doridos
as forças recuperar
pedra de assento
oásis...
Neste deserto ressequido
não há recanto onde possa repousar
lavar meus pés doridos
as forças recuperar
para prosseguir a jornada.
Meu corpo pede repouso.
Minha alma pede sustento.
Neste corpo a corpo com o tempo
o tempo não me dá guarida
por onde levá-lo de vencida.
Estou prestes a depor armas.
Começo a sentir-me rendida.
Meu corpo pede repouso.
Minha alma pede sustento.
E meu tempo pede ao tempo
tempo para descansar
tempo, que me dê tempo,
pra minha alma alimentar.
.pra minha alma alimentar.
Jeracina Gonçalves
27/05/2014
quarta-feira, maio 14, 2014
O BARQUINHO SOLITÁRIO
O barquinho solitário
entre as ondas alterosas
deste mar encapelado
debate-se, desesperadamente,
entre o caos em sua volta;
O barquinho, já cansado,
entre o caos em sua volta
perde o rumo, perde o norte
perde-se na neblina
perde o rumo, perde o norte
perde-se na neblina
que desce sobre o horizonte;
O barquinho, já cansado
Entregue à sua sorte
perde o rumo... perde o norte...Entregue à sua sorte
busca rumo… busca norte…
busca no Céu sua estrela
seu caminho, orientação.
Jeracina Gonçalves
27/04/2014
sexta-feira, maio 09, 2014
O CANTO DO MAR
A minha
alma está triste. Está magoada...
Fechada à permanência do rio da esperança
Chora entre a névoa, que em volta cresce,
Fechada à permanência do rio da esperança
Chora entre a névoa, que em volta cresce,
E envolve
a chama qu'a minha alma aquece
Pesadelos ameaçam vencer a minha alma
Deixam a minha alma triste, apertada...
Pesadelos ameaçam vencer a minha alma
Deixam a minha alma triste, apertada...
A minha
alma está cansada. E, assustada,
Espalha sombras negras na fita da estrada.
Espalha sombras negras na fita da estrada.
Minha
alma dorida, minha alma cansada,
Busca força no mar - na sua cor e em seu canto.
O nó qu'a minha alma atava desfaz-se em pranto
Nas ondas do mar, em sua cor e em seu canto.
O nó qu'a minha alma atava desfaz-se em pranto
Nas ondas do mar, em sua cor e em seu canto.
Minha alma, lavada, veste o verde dos campos
Que cresce
e se renova na luz que os veste.
Agora
lavada, vestida de esperança,
A minha
alma confia no azul do amanhã.
Jeracina Gonçalves
09/05/2014
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