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domingo, junho 19, 2016

À DERIVA ENTRE A SERRA, O MAR, E O AR

    
                                                                          
À deriva entre a serra, o mar, e o ar                  
encontra o meu coração espaço para cantar
viver a alegria da semente a desabrochar
do cântico do amanhecer sentir o seu entoar.

Com a força do Amor, em cada despertar
encontra o meu coração espaço para sorrir
viver a alegria da roseira, em botão, a florir
e todo o jardim cantar louvores ao amanhecer.

Em cada novo advir a fulgir no horizonte       
encontra o meu coração espaço para amar
a terra, o céu, o ar e o mar,
e todo e qualquer ser, em seu seio, a habitar.

Ao astro que aquece e com sua luz abraça
a terra, o céu, o ar e o mar,
encontra meu coração espaço para agraciar
e em seu âmago, agradecer; e orar
à Luz Magnificente, Suprema, Omnipotente
a Obra Maravilhosa em que me deu um lugar.

Jeracina Gonçalves
19/06/2016




quarta-feira, junho 08, 2016

AS FLORES


As flores cantam canções de paz
São beleza, encantamento...
Harmonizam a minha alma
Se esgotada e ferida
Dos elementos desavindos
Estabelecem a união.

As flores cantam canções de paz.
São bálsamo que inebria
A minha alma sacia
E, ao meu coração, dá ânimo e alegria!

Jeracina Gonçalves
08/06/2016

sexta-feira, maio 27, 2016

OS OLHOS DO LUAR

Lágrimas correm dos olhos da noite
Em torrentes de luar
Inundam a superfície luzente do mar
E captam o meu olhar
São lágrimas benfazejas
Bênçãos saídas do coração de gratas criaturas
Que velam das alturas
E, enviam para nós,
Momentos de Paz, Amor e Luz
Nos olhos do luar.
Jeracina Gonçalves
27/05/2016

segunda-feira, maio 02, 2016

O tempo passa, mas fica na memória o registo do que, no tempo, marcou a alma, iluminou o olhar de alegria e deixou o cunho da amizade, da camaradagem e da beleza de momentos únicos, inscritos no coração. Há momentos, que por muitos e muitos anos que passem sobre o tempo em que aconteceram, jamais se esvaziarão do coração da gente.
Jeracina Gonçalves

terça-feira, março 22, 2016

AS LÁGRIMAS DO CÉU


O céu derrama copiosas lágrimas sobre o rosto da terra.
Deslizam sobre o seu rosto enrugado
Infiltram-se sob as rugosidades da sua pele
E acumulam-se nas arcas ocultas nas entranhas da Terra/Mãe.
São tesouros sem preço, que sustentam a Vida;
São fios de prata serpenteando por entre colos fecundos;
Vestem o corpo da terra com trajes coloridos de vaporosas sedas
Tecidas com fios de alegria, cor, beleza e abundância.
Ou deslizam atabalhoadamente sobre o seu rosto enrugado
Correm enfurecidas, selvagens, sem travão,
E rasgam sulcos profundos sobre o seu corpo mártir.
Arrasam, destroem, matam a vida e tudo que lhes faça frente
E seguem rumo a destinos incertos.
São fealdade, tristeza, sofrimento;
São a destruição em movimento...
Marcam o rosto da Terra/Mãe com marcas profundas
E destroem os seus filhos sem compaixão.

O céu derrama copiosas lágrimas sobre o rosto da terra.
A dualidade as define. São moeda de duas caras:
Quais pintoras exímias pintam quadros de requintado encanto,
Sobre telas de linho, em paleta de cores aprimoradas com génio.
Primaveras renascidas... Renovação… Alegria!  
Brilho maternal no olhar da Terra/Mãe sobre seus filhos queridos!
Ou, como perversos carrascos, desferem golpes profundos no rosto da Terra/Mãe.
Marcam o seu rosto com sulcos de tristeza, sofrimento, destruição…
E destroem os seus filhos sem pudor nem compaixão.
Nesta sua dualidade, são bênçãos e são vida!
Da vida são o cerne e a medula.
Ou são o cancro, que ataca e destrói a beleza  da vida e a própria vida.

05/01/2016 – 6h 12m
Jeracina Gonçalves

sábado, fevereiro 27, 2016

NAS FLORES DA BEIRA DO CAMINHO


Aquele olhar longínquo, líquido, intenso
De olhos vindos de dentro, dos olhos do coração
Olhar profundo. Constante
Resplandecia nas flores da beira do caminho
Intenso e belo como um rio fluente que desce da montanha
Espraia-se sobre as várzeas verdejantes da planície
Sereno e belo, como um rio fluente, de água clara e pura
A brotar vida e cor na planície ribeirinha
Profundo. Liquido. Constante.
Brotou vida e cor na planície árida do meu coração
Olhar intenso. Líquido. Constante.
Resplandecia nas flores da beira do caminho
Em qualquer sítio, a qualquer momento, a qualquer hora
Intenso. Líquido. Constante.
Resplandecia nas flores da beira do caminho
Como pendentes de cristal sob o olhar puro do sol
Num amanhecer lavado de Primavera
Intenso. Líquido. Profundo...
Escavou bem fundo, nas profundezas do meu ser
Tomou o meu coração como coisa sua.

Olhar emergente: dono e servo.
Resplandecente nas flores da beira do caminho.

Jeracina Gonçalves

PAZ


                               Jeracina Gonçalves

sexta-feira, janeiro 01, 2016

INTROSPECÇÃO

Hoje desci a montanha desde o cume até à base.
Errei p’las veredas, ziguezagueando entre penedos  
pela vertente descendo. Percorri belos carreiros,
belas paisagens, serenas, rústicas, amenas,
de odores embriagantes. Toldaram o meu olhar
com a névoa emergente do íntimo do meu coração.
Errei por outros carreiros…
Alguns, esburacados pelo tempo, pela ação da erosão.
Alguns, angustiantes
Pejados de pedregulhos a resvalar para o abismo.
Parei em patamares que me pareciam seguros.
Desfrutei de paisagens belas com profunda emoção.
Acalentaram meus sonhos, aqueceram o meu coração.
Desci por desfiladeiros estreitos,
Apertados entre as rochas da montanha:
Arranharam o meu corpo e mais me feriram a alma!
Feridas grandes, profundas… difíceis de cicatrizar.
Vi-me exposta sobre abismos. Temi não ultrapassá-los.
Visionei vales fecundos, que tive como certos
e julguei nunca perdê-los.
Fui errando, em ziguezague descendo...
Quer subindo, quer descendo,
Conforme a posição dos rochedos que tive pra circundar.
E cheguei ao vale estreito, acanhado, no fundo do desfiladeiro.
Vale estreito, apertado, na base da montanha.
Corre lá, porém, um rio, de águas calmas, serenas
sob a luz do etéreo azul, no qual creio, e muito amo.
E o vale, dentro de mim, é verde, cor da esperança,
irrigado por águas límpidas, serenas, tranquilas…
Crescem lá flores silvestres, muito simples, muito belas,
que eu quero preservar dos ventos frios e agrestes
E até de alguns tufões que poderão dimanar.
01/01/2016
Jeracina Gonçalves, Barcelos/Portugal