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sexta-feira, dezembro 08, 2017

ROSA ENCARNADA


Quis a luz do alvorecer a entrar
pela minha janela aberta
quando as sombras do crepúsculo
descem pela encosta da montanha;
quis a água fresca e pura a brotar da fresta da rocha
quando o rio já tem quilómetros percorridos
por um vale lamacento e triste;
quis o sol, quando a lua já sobe a mirar-se
na superfície do mar…
Mas a vida é uma rosa encarnada
com seus espinhos e seu aroma
para sentir, inspirar.
Às vezes com seus espinhos
rasga e faz sangrar a carne;
às vezes com seu perfume
inebria de encantamento
e cria momentos únicos
de alegria sem par.

A vida é uma rosa encarnada
com seus espinhos e seu aroma
para sentir, inspirar
vale a pena  ser vivida
por ela sempre lutar com sabedoria e AMOR!
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 08/12/2017

terça-feira, dezembro 05, 2017

NATAL

Natal – Nascimento - Esperança.
Natal é a Esperança renascida,
esperança nova, na vida,
para um mundo melhor;

Natal. Nascimento. Esperança
num mundo em que o Ser
contrarie, para sempre,
o furor desmedido do Ter;

Natal. Nascimento. Esperança
de que não seja possível ver
homens, mulheres e crianças
mordendo a poeira do chão
sem terem  nada para comer;

Natal. Nascimento. Esperança
de que cada um possa ver,
em cada ser, um irmão.
Dar a mão, de mão em mão,
para todos podermos crescer.

Natal. Nascimento. Esperança.
É esse o Natal de Jesus
na manjedoura, pobrezinho,
sem prendas no sapatinho,
mas muito AMOR no coração.

Natal é  a Esperança
num mundo transformador
para o mundo fazer melhor!
Jeracina Gonçalves
Barcelos/ Portugal, 05/12/2017

domingo, dezembro 03, 2017

ABRAÇO


A força dos braços, que nos envolvem,
Faz-nos sentir no outro, o afeto
Que nos completa e aquece
Com esse AMOR, belo e humano,
Que a todos nos faz irmãos.
Às vezes é a alavanca para na vida seguir;
É a força que dá força p'ra vencer a solidão.
Jeracina Gonçalves
03/12/2017

sábado, dezembro 02, 2017

Uma música apaziguadora e doce entra pelos meus ouvidos direta ao meu coração. No centro deste silêncio e desta insónia arreliadora é como a brisa suave a acariciar-me o rosto. Transporta-me às margens de um rio de águas límpidas a cantar por entre os pedregulhos do leito,  fluindo entre  margens verdejantes. Imagens da minha infância, que busco e sempre enchem o meu coração de Paz e de gratidão a Deus, que me deu a sensibilidade para tirar prazer e alegria das coisas simples e belas, que a Natureza proporciona. Porém, cada vez mais difíceis de encontrar, graças à falta de sensibilidade do Homem em relação ao ambiente, na sua ambição desmedida pelo ter, em vez de se preocupar mais com o Ser, e com a conservação e limpeza da casa de todos nós - a Terra.

Jeracina Gonçalves
02/12/2017

sexta-feira, dezembro 01, 2017

Escurece. Vou à janela para fechar a persiana e o meu olhar é atraído pelo círculo, quase perfeito, da Lua desenhada na tela azul adornada pela filigrana dos ramos das árvores semidespidas, em frente da minha janela. A noite está fria. Fria e seca. Como, aliás, esteve o dia. E anuncia-nos mais um dia seco. Seco e frio, neste Outono impiedoso, que não se deixa comover com a secagem que nos atormenta. 

Jeracina Gonçalves
01/12/2017

quarta-feira, novembro 29, 2017

Mais um dia azul nos iluminou e nos entrou pela janela, neste outono impiedoso e frio, incapaz de se comover e sentir a falta que as suas lágrimas fazem à Vida.
29/11/2017

segunda-feira, novembro 27, 2017


Abro a janela do meu quarto. Pequenos pedaços de azul saúdam-me por  entre os rasgões no matiz cinza da cortina que hoje encobre o azul.
Um pássaro - pardal, talvez - atravessa-me o campo de visão da esquerda para a direita, qual bala impulsionada por forte pressão. Vai com pressa. Não me dá sequer tempo de lhe dizer: Bom Dia!
Deve estar na hora do seu exercício matinal
Hoje vejo outono da minha janela!
Um outono calmo, plácido, morno: nem uma folha mexe nas árvores e arbustos do meu jardim.

Jeracina Gonçalves
27/11/2017

domingo, novembro 26, 2017

26/11/2017 - Ofir

Um mar sereno, lindo, recebe o  meu olhar fascinado.
Não consigo afastar os meus olhos do seu brilho prateado a delinear a linha do horizonte.
É lindo! Está lindo! Apascenta-me o coração.
Um casal passeia-se sobre o enrocamento colocado há anos para abrandar o impacto das ondas na costa arenosa. Abraçam-se. Vejo-os em contraluz. Esta imagem encanta-me. Gostaria de ser eu  ali, naquele lugar, nos braços do Amor.
Gosto do mar. Gosto deste mar tranquilo, calmo, espelhado. Este mar que me atrai, me seduz, e transporta a minha alma nas asas do sonho para lugares que só o meu coração conhece. Mas não posso esquecer que estamos em finais de Novembro. Este tempo não é deste tempo. E, se assim continua, vai causar-nos muitos dissabores.
É preciso que este azul belo e transparente da abóbada celeste carregue nuvens cinzentas, que se desfaçam em lágrimas contínuas, persistentes e amigas da natureza. Lágrimas clementes para com a terra queimada, sofrida: a terra despida pelos fogos, que a assolaram. Despojaram-na impiedosamente de todas as suas vestes. Precisa das lágrimas piedosas de um céu clemente e pai; nuvens que carreguem Amor e Vida.

Jeracina Gonçalves - Barcelos/Portugal
Há sentimentos que não se traduzem em palavras
Sobem do coração para o olhar
Espalham em volta o seu perfume
E põem os corações a falar.
Sentimentos cavados no Ser
Com raízes profundas
Alimentam e alimentam-se do Ser.
Jeracina Gonçalves
                                                                 Barcelos/Portugal, 25/11/2017

sábado, novembro 25, 2017

PALAVRAS


As palavras podem ser doces, amargas, agrestes...
São o espelho do que nos enche a alma:
São flores e aromatizam o ar
Ou calhaus arremessados ao vento
Soltos no ar
Tal qual o boomerang
Invertem a direção
E veem atingir-nos no coração.

Há pedras arremessadas pela boca
No tom das palavras ditas.
Rasgam feridas sangrentas  nas relações.
Criam e fazem crescer entre pessoas que se querem
Vãos vazios, onde morrem os sentimentos.

O tom usado no que expressamos tem grande importância no efeito causado pelo que dizemos.
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 25/10/2017