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sábado, abril 18, 2009

ALCANTILADA MONTANHA

Abraçam meus olhos o espaço
da íngreme e imponente montanha.
Subindo pela encosta, pousam na
cumeada:
Seus grandes cumes desnudos
a tocar o etéreo azul, deleitam os meus
sentidos.
Sou eterna apaixonada!

Meu olhar, liquefeito de emoção,
vagueia inseguro, perdido,
por entre as agrestes ravinas
enlaça a vistosa cascata
de águas brancas, de prata,
que salta o despenhadeiro
se esgueira, escorregadia,
por entre brechas e calhaus
da agreste penedia.

Imerge, depois, meu olhar
errante pela encosta,
na névoa de branca espuma
dispersa pela ravina
a escorrer pelos carreiros
dos íngremes desfiladeiros.

O astro que espalha a luz
incide intenso, brilhante,
nas encostas e cumeadas
trepa as alcantiladas
fixa a cascata cantante
a nuvem de branca espuma...

E toda a montanha se arruma
num cenário de luz e sombra
abraçada pela brisa
que docemente me enlaça.

De narinas palpitantes
sorvo os aromas distantes
trazidos pela brisa que passa,
a brisa que me enlaça,
nesta montanha que eu amo.

Jeracina Gonçalves

quarta-feira, março 11, 2009

A CAPACIDADE DE PERDOAR

A capacidade de perdoar, a meu ver, é característica, não dos “pobres de espírito” – dando à expressão a conotação que vulgarmente se lhe atribui –, mas sim dos espíritos superiores, que têm a força de alma para dominarem as paixões negativas, fazendo-o de forma consciente e voluntária. Perdoam do coração e com o coração.
Só os que olham o outro, e a si próprios, como seres em evolução, que erram para poderem acertar, sabem perdoar. Têm uma capacidade superior de entender o outro, apenas porque se conhecem e se entendem a si mesmos. Não calam ofensas, mas reagem a elas com dignidade, clareiam as situações, e porta encerrada. 
Olhar no horizonte, espírito aberto avançam serenamente em direcção ao futuro, com o propósito de darem a sua colaboração na construção de um mundo onde a força do amor faça frente à força do ódio e da vingança. 
Não é de orgulhos loucos, de paixões desenfreadas, que o mundo precisa; mas de honestidade, de verdade, de trabalho e compreensão aliadas num objectivo de bem comum, sem alardes nem manifestações de superioridades. 
A obrigação de cada um é dar o seu melhor, seja qual for o lugar onde se encontre, com a certeza de que nada sabe em comparação ao muito que tem para aprender, se mantiver o seu espírito permeável e aberto ao outro, do mais pequeno ao maior. 
Com todos temos sempre coisas a aprender.

Jeracina Gonçalves

quinta-feira, dezembro 25, 2008

ÁRVORE SOLITÁRIA

A árvore, magoada em seu âmago, em seu coração,
Busca o amante, carinhoso, que para ela estende mão.
Dá-lhe o ânimo, o calor, a energia que a faz vibrar
Vestir sua alma de novo vigor e recomeça a cantar.

Jeracina Gonçalves
Centro Histórico de Guimarães - Iluminações de Natal/2008
Jeracina Gonçalves

quarta-feira, dezembro 17, 2008


Dezembro corre célere, traz o Natal pela mão
Entre luzes e estrelas, música, laços e bolas
Gentes apressadas, carregadas de sacolas,
Acotovelam-se nas ruas em ritos de obrigação.

A benquerença solidária, a alegria e a união são engolidos pelo consumo de Dezembro. E a essência de Belém perde-se, submergida por este ritmo absorvente que se impõe, num mar de papéis coloridos e de objetos efémeros, quantas vezes sem préstimo e para ficarem esquecidos em qualquer canto, enquanto milhões de seres humanos ao desamparo por esse mundo além  e aqui, no nosso país, na nossa própria cidade (alguns, se calhar, bem próximos de nós), vivem o pesar de não terem sobre a mesa um pedacinho pão. E desses, muitos haverá que, há relativamente pouco tempo, por esta época, faziam engrossar as fileiras dos que de sacolas carregadas se acotovelavam nas ruas. E este ano, no desemprego, ou com as suas empresas falidas, os seus comércios fechados, a sua vida voltada de pernas para o ar, estarão entre aqueles a quem falta o pão para pôr sobre a mesa.
Que a essência de Belém inunde os nossos corações e, juntos, consigamos levar o tal pedacinho de pão aos que pão não têm, e lhes cresce a dor no coração.

UM FELIZ NATAL PARA TODOS
CHEIO DE PAZ E ESPERANÇA
Jeracina Gonçalves