Pesquisar neste blogue

domingo, abril 20, 2014

A ESTRADA DA MINHA VIDA

Poucas vezes foi plana a estrada que vos refiro.
Poucas vezes foi plana, entre várzeas floridas.
Mas estrada de montanha a serpejar as encostas
Com valados e abismos entalhados no caminho.
Subindo e descendo ravinas, a beirar os precipícios,
Descendo desfiladeiros, gargantas bem apertadas.
Ora bela e panorâmica, de piso limpo e seguro
Entre vales verdejantes e veigas bem floridas,
Ora agreste, sinuosa, entre paisagens despidas,
Curvas bem apertadas - por vezes esburacadas -
Pedaços de terra batida no piso que a marcava…

Poucas vezes foi plana a estrada que vos refiro.
Poucas vezes foi plana, entre várzeas floridas.
Foi estrada de montanha, com alguma panorâmica,
Buracos, aqui e além, a ornamentarem o piso.
Hoje segue sinuosa – sulco agreste, desprovido -
Sulcada de pedregulhos a romper por entre o mato.
Rascunho marcado na areia deste deserto sem vida.

Jeracina Gonçalves
20/04/2014

Sem comentários: