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sábado, novembro 03, 2012

“Aprender até Morrer”



Olha o mundo à tua volta
Viaja, passeia, escreve e lê.
Na viagem implacável do tempo
Mantém viva a chama
Que enriquece a tua alma
Lubrifica a engrenagem
E preserva o apetite
De “Aprender até Morrer”.
in "O INOVADOR/2012
Jeracina Gonçalves

sexta-feira, agosto 24, 2012

AS MÃOS

As mãos, ferramentas versáteis reguladas pela Central
São munidas de mecanismos sujeitos à emoção:


Guiadas pelo Coração desenham gestos de Luz.
Dimanam amor, amizade, carinho,  gratidão
Dão forma, dão movimento, dão expressão... 
Partilham, com igualdade, Amor, Carinho e Pão.
São ferramentas de Amor. Operárias da Construção!

Se na central acontece alguma desregulamentação 

E tomam as trevas o lugar do Coração,
As mãos...então... são torpeza, amargura, crueldade
Espalham caos... sofrimento... terror...
São carrascos de execução. Ferramentas de devastação.


As mão, ferramentas versáteis reguladas pela Central
São munidas de mecanismos sujeitos à emoção: 
São ferramentas de amor, 
Mas também de destruição sofrimento, dor.
                                                  Jeracina Gonçalves

sábado, agosto 18, 2012

Quando menos se espera...

Quando menos se espera somos surpreendidos por espetáculos culturais maravilhosos: captam os nossos sentidos e deixam-nos a alma inundada por uma corrente positiva, que nos dispõe bem e nos enriquece. Foi o que me aconteceu ontem, 17 de Agosto, no Restaurante do Campo de Golf, em Ponte de Lima. Um espectáculo multi cultural  no qual a música, a pintura, a dança, a poesia e, até a representação, se entrelaçaram e nos proporcionaram momentos de bem-estar e deleite. 
O conhecimento do evento chegou-nos através do facebook e como contemplava várias artes e tinha a participação de alguns artistas conhecidos, ou fisicamente e pelo seu trabalho, ou de nome, pelo seu trabalho, eu e o meu marido resolvemos dar um saltinho até lá. E em boa hora o fizemos. Foram, para mim, duas horas e meia de completo – julgo que posso dizer assim – encantamento, observar as mãos do pintor barcelense AFMCH, a transformarem três telas virgens, de dimensões razoáveis, em três magníficos quadros. A destreza com que aquelas mãos e aqueles dedos, manchados de tinta, fizeram crescer formas e harmonizar cores nas telas brancas, deixaram-me completamente rendida e dificilmente conseguia desviar os olhos daquela magnífica aula de pintura. Um espectáculo  para mim, maravilhoso. 
Mas também os outros artistas merecem o meu apreço e o meu aplauso. E a alma posta na forma de dizer os seus poemas e os próprios poemas ditos pelo escritor José Ilídio Torres foram também, para mim, um momento alto do espectáculo.

Muito obrigada a todos os artistas presentes. 
Como já disse, foram duas horas e meia muito enriquecedoras para a minha alma.

Muito Obrigada.

Jeracina Gonçalves

quinta-feira, março 22, 2012

TEMPO DE PRIMAVERA



Flui seiva “quente “naquela planta singela
Seu corpo enamorado acorda e se revela
Em brotos grávidos de vida, inícios de renovação.
 
A vida, que por lá corre, é sangue rubro e quente
Que em mim flui e cresce, me desdobra e me faz nela
Pedaços gratos de mim, matizes de uma flor singela.

Jeracina Gonçalves
In SORTILÉGIOS DA NATUREZA

sexta-feira, março 16, 2012

...PELOS CAMINHOS DE OUTRORA



Flui seiva “quente “naquela planta singela
Seu corpo enamorado acorda e se revela
Em brotos grávidos de vida, inícios de renovação.
 
A vida, que por lá corre, é sangue rubro e quente
Que em mim flui e cresce, me desdobra e me faz nela
Pedaços gratos de mim, matizes de uma flor singela.

Jeracina Gonçalves
In SORTILÉGIOS DA NATUREZA

E A CHUVA NÃO VEM…


A nuvem não cresce, não enche, não chora…
É pétala de  rosa no azul transparente.

A chuva não chega. A chuva não vem.
A terra queimada, exangue, sedenta
Clama por ela a todo o momento.
A nuvem, no céu, não ouve o clamor da terra sedenta. 
É pétala de  rosa no azul transparente;
Da terra não sente o apelo urgente.

A nuvem não cresce, não incha, não chora…
A chuva não chega. A chuva não vem.
A planta, sequiosa,  
À terra gretada, exangue, sedenta
reclama sustento. 
A terra não dá. A terra não tem…
Ao céu suplica suas lágrimas cadentes;
Suas lágrimas de vida, em fio, transparentes
Sobre seu corpo gretado, exangue carente.

A nuvem não cresce, não enche, não chora…
A chuva não chega. A chuva não vem.
A planta atrofia. 
Na terra sedenta expira
Exaurida
Seu último alento.

A nuvem não cresce, não enche, não chora…
A chuva não chega... A chuva não vem...

                                                                                 Jeracina Gonçalves - Barcelos/Portugal
Março/2012

Est poema é de 2012. Mas, infelizmente, em 2017 está bem atual.

domingo, dezembro 04, 2011

EU ACREDITO

Esta afirmação postou-se perante o meu coração e a minha mente e levou-me a olhar intensa e atentamente para dentro de mim, numa introspeção refletida, e a colocá-la à ponderação deles (do meu coração e da minha razão). E senti que a resposta me foi dada, inequivocamente, quando, sentada em frente ao teclado do meu computador, foi crescendo em mim, em letras grandes e brilhantes, a afirmação: «EU ACREDITO!». 
Eu acredito, antes de tudo, em Deus. 
Acredito em Deus como Força Universal e Omnipotente - o Deus que a minha religião venera, com as Suas Três Pessoas Distintas - Pai, Filho e Espírito Santo - unificadas numa só “DEUS”. Que, em meu entender, é também Jeová, Alá… sei lá! DEUS! 
Apenas DEUS. Venerado pelos diferentes Povos que habitam a Terra com nomes diversos, conforme as religiões que professam, mas, em meu entender, a mesma Força Divina, a mesma Força de Amor, de Luz Criadora, que superintende esta obra sublime que é o Universo. 
Por isso me doem e considero tão hediondos, perversos e malignos os crimes que se praticam e se praticaram em nome de Deus, e as guerras que hoje se travam e foram travadas ao longo dos séculos em Seu nome. 
Acredito na Força da Natureza (uma manifestação desse mesmo Deus em que creio), que me emociona e me deslumbra com a multiplicidade de seres, sons, cores, sabores e odores que a habitam, com a sua beleza, a sua subtileza, a sua humildade, a sua harmonia, o seu mistério: 
A sementinha que, atirada à terra, germina, procura a luz, cresce, floresce, frutifica e, de novo semente, recomeça o ciclo de ser planta, flor, fruto, semente…; a ave e a diversidade e harmonia do seu canto, do seu colorido, do seu jeito e forma; a beleza fugaz da borboleta colorida pousando de flor em flor; a abelhinha e a harmonia da sua organização social, vivendo em comunidade no interior da colmeia, cada qual a desempenhar a sua função para que a colmeia funcione e produza a cera e o saboroso e medicinal mel que nos oferece; o riacho e o seu ziguezaguear pela montanha, contornando os obstáculos que se lhe oferecem e, sem se deixar intimidar, continua permanentemente a sua caminhada; o rio que se espraia na planície; a cascata a saltar do alto do rochedo; o esplendor do oceano – arca da Humanidade - sob os raios refulgente dessa luz criadora e vital, que nos aquece e ilumina e nos encanta com a sua beleza ao elevar-se no horizonte todas as manhãs e, aquando da sua despedida,  espraiando lentamente os seus cabelos dourados sobre a superfície do mar, ou jogando ao esconde-esconde por detrás da montanha ao fim do dia; mas essa sua força que me encanta, também me atemoriza, quando grita a sua raiva destruidora e aniquila quanto se encontra na área abrangida pela fúria que a domina, manifestando assim a sua «revolta» pelo tratamento que, nós, seus seres “inteligentes”, lhe dispensamos.
Acredito na Verdade, no Amor, na Justiça, na Lealdade, no Respeito pelo outro, seja qual for a religião, a raça, a cor, a organização política, ou o lugar que ocupa na Sociedade ou no Mundo, como valores essenciais a uma vivência de Paz, seja na família, no emprego, na sociedade, assim como entre os países e nações.
Acredito no respeito mútuo, como motor de valorização, crescimento, paz coletiva e enriquecimento social.
Acredito na força do trabalho, como caminho para o crescimento e bem-estar individuais, coletivos, económicos e sociais.
Acredito na força do Ser Humano e na sua capacidade de criar, de transformar, de edificar, de alterar, de ultrapassar e de vencer; acredito na sua capacidade de regeneração, de receber e dar Amor, apesar dos inúmeros exemplos de violência que todos os dias nos entram pelas portas e janelas, através da televisão, da rádio, da imprensa escrita, do «boca a boca»; acredito na sua capacidade para ir além dos seus limites e ultrapassar as situações mais adversas, transformando a adversidade em coragem e força interior; acredito na sua capacidade para gerir a adversidade, transformando-a em força vencedora e geradora de progresso. Acredito que não há situações inultrapassáveis, e que por mais desesperada que seja uma situação, sempre conseguiremos sair dela, se não deixarmos esmorecer a luz da esperança e, sem desespero, mas com vontade e determinação, procurarmos o caminho da vitória.
Eu acredito no meu País. Eu acredito (Eu quero acreditar!) na capacidade dos Governantes do meu País, para entenderem que numa sociedade civilizada, numa sociedade que se quer de paz, o pão para a boca é um elemento básico.
Acredito que tenham a CAPACIDADE, a HOMBRIDADE, a FORÇA INTERIOR - princípios indispensáveis a quaisquer Governantes - e pensem no Povo que governam (não só no povo que os elegeu, nem nos seus «governos» pessoais, como nos sobram exemplos), e usem de JUSTIÇA e EQUIDADE na distribuição dos sacrifícios que dizem ser necessários à solução dos problemas que nos afligem, e que entendam que, com fome, a dignidade é difícil de manter e será difícil estabelecer limites à turbulência e ao crime. 


EU ACREDITO EM PORTUGAL!
EU ACREDITO NOS PORTUGUESES!                           
«in» Barcellano /Dezembro 2012
Jeracina Gonçalves

segunda-feira, novembro 14, 2011

A INFIDELIDADE

Um jovem advogado senta-se à minha frente do outro lado da mesa, com a sua companheira, e a conversa começa a desenvolver-se sobre banalidades, até que surge o tema “infidelidade”
“A infidelidade feminina é muito mais grave que a masculina” – diz.
Fito-o, incrédula! E assusto-me com o que oiço. Um homem civilizado, jovem, a falar-me nestes termos sobre infidelidade?!
Em que século estamos?
Em que país vivemos?
Nos tempos de hoje, princípios do século XXI, em Portugal, país da Europa, como é possível um jovem advogado ter o mesmo pensamento machista de seu pai ou de seu avô?
Não posso acreditar.
“O homem tem relações com uma mulher, sai dali e, pouco depois, já nem se lembra do nome dela.
A mulher não. Antes de ter relações já o homem lhe anda na cabeça há muito tempo” – continua.
Não, não é possível! Os homens têm de evoluir. Essa forma de agir e de estar pertence a um passado que agora não tem lugar.
Não deve, nem pode ter lugar na relação homem/mulher. É uma questão de respeito.
O respeito que deve existir entre duas pessoas que se amam e se confiam.
E tal forma de pensar, na cabeça de um advogado, é ainda muito mais negativa e assustadora.
Pois, a meu ver, tem responsabilidades acrescidas, na medida em que vai ter influência nas sentenças - defesa ou acusação - e na forma como se criminalizem as ações relativas ao relacionamento homem/mulher.
Se um homem insulta, bate ou mata por ciúme é menos criminoso que uma mulher que faça o mesmo, pelo mesmo motivo?!
Os homens têm de entender (e as mulheres também) que a infidelidade é uma falta grave para com o outro, a não ser que nem um, nem o outro se importem com as atitudes e comportamentos relacionais do parceiro nesse campo. E tenham a tal,  agora, chamada relação aberta, não querendo saber quem dorme com quem. De contrário é um crime. Seja a masculina, seja a feminina.
É um crime praticado contra o outro, pela dor, pelo sofrimento que lhe inflige.
Em alguns casos é quase um homicídio: assassina um pedaço da alma do que é traído.
É uma falta de dignidade própria e uma falta de respeito por si e pelo outro, que em si confia.
O homem e a mulher não são animais irracionais. Não podem dar satisfação a todos os seus impulsos do instinto. São dotados de vontade e de inteligência para poderem resistir aos impulsos impostos pelo instinto.
Como não pode matar, também não pode trair a pessoa à qual jurou fidelidade.
Se o sentimento acabou, se há outra pessoa que cala mais fundo e começa a ocupar o lugar que antes pertencia ao parceiro, com dignidade, com lealdade, com verdade, fala-se, expõe-se a situação e toma-se a decisão digna entre pessoas que se respeitam.
A infidelidade é igualmente ignóbil, quer seja a masculina, quer seja a feminina.
Jeracina Gonçalves