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quarta-feira, novembro 05, 2014


O dia acordou com rosas
a enfeitarem o meu olhar
sem o  saber que os  espinhos
se encontravam  a caminho
para o fazerem chorar.
28/10/2014
Jeracina Gonçalves

sábado, novembro 01, 2014

A TRAIÇÃO INSTALA A DÚVIDA



Como um cancro, que agarra a vida e vai-a minando e destruindo por todos os lados e em todos os sentidos, cercando-a e apertando o círculo até ao seu estrangulamento total e irreversível, assim a dúvida, depois de instalada, se agarra com garras potentes e poderosas e destrói a paz do coração, afogando-o no drama da incerteza daquilo que deveria ser certo e poderoso. E um mar turbulento de lamas e escombros submerge o rio límpido, fluído e puro do amor e da amizade.
O que está por detrás da traição?
O que leva as pessoas a traírem-se umas às outras, a mentirem descaradamente, iludindo, aldrabando, enganando?
O que leva as pessoas a traírem aqueles que dizem amar?
Será insegurança de si?
Desrespeito pelo outro?
Falta de amor-próprio?
Falta de carácter?
Não sei. Não consigo entender. Mas julgo que a traição terá, por trás si todas as razões expostas.
Alguém que se respeite não será capaz de trair quem quer que seja, em aspecto algum da vida, e muito menos aqueles que diz amar.
Parece-me que a traição é, acima de tudo, uma falta de respeito e de amor próprios.
Quem não se respeita não se ama. Se não se ama, não pode ter a força de carácter necessária e indispensável ao respeito pelo outro.
Não se respeitando como saberá respeitar o outro?
O pior é que a traição instala a dúvida, a desconfiança. E estas, uma vez instaladas, destroem a torrente límpida e fluída do amor, da amizade e, tantas vezes, a crença no ser humano.
Destrói os sentimentos puros, que são os elos fortes da vida, da alegria, da paz e do crescimento nos relacionamentos humanos. E essa torrente límpida e fluída do amor e da amizade passará a intermitente, cortada por paredões e açudes cada vez mais altos e espessos, com brechas sempre mais apertadas por onde se torna difícil o fluir da torrente dos sentimentos puros e límpidos, tão necessários a um mundo de Paz.

Jeracina Gonçalves

segunda-feira, outubro 27, 2014

COFRES DA LUZ DO TEU OLHAR


São da cor da Primavera a terra, o céu e o mar
Quando brilha nos teus olhos a luz que me faz vibrar.
E o meu coração, a pulsar, qual pluma solta ao vento,
Voeja pelo espaço, sem terra, sem céu e sem mar.

Nos meus olhos brilha a luz, que brilha no teu olhar.

Os meus olhos são os cofres da luz do teu olhar.
Guardam pérolas, guardam ágatas, turmalinas e rubis
Guardam o brilho do sol-poente a incidir sobre o mar
Guardam o alvor das auroras, dos poentes… o matiz.

Nos meus olhos brilha a luz, que brilha no teu olhar.

Os meus olhos são os cofres da luz do teu olhar
Sempre que teu olhar em meu olhar descansar.
E o meu coração a pulsar, qual pluma solta ao vento,
Voeja pelo espaço, sem terra, sem céu e sem mar.

Nos meus olhos, brilha a luz, que brilha no teu olhar.

Jeracina Gonçalves

sábado, outubro 11, 2014

ENTRE A SERRA E O MAR


Nos braços da falésia rochosa e dura
o oiro da serra abraça o azul do mar
determinado a contornar
pregas e contra pregas da falésia irregular;

Pela janela aberta, do automóvel, a circular
entra oiro da serra abraçado ao azul do mar
e traz à minha alma esta ânsia firme e pura
de tu seres a serra, a rocha dura, e eu ser o mar.

                                               Jeracina Gonçalves - Barcelos/Portugal

segunda-feira, outubro 06, 2014

ESCREVER…


É deixar a minha alma escorrer livremente,
Em gotículas cristalinas de cores, cheiros e sabores,
Sorrisos, lágrimas e dores, fechados no meu coração,
Sobre o corpo desnudado do ecrã do monitor;
É deixar o coração solto, deixar o coração voar...
Soltá-lo nas asas do vento até onde possa chegar;
É soltar a imaginação e em suas asas voar.
Nas asas da imaginação todo o mundo conquistar
Sem limites na distância, nos caminhos a percorrer;
É buscar outros mundos no mundo, sem temor ou contrição;
É no mesmo abraço abraçar e fazer a união
De todas as suas cores, cheiros, luzes e sabores,
Sorrisos, lágrimas e dores, e tudo o mais que encontrar;
É lançar o meu sentir, é lançar o meu pensar
Sobre a fria página virgem aberta sob o meu olhar;
É olhar quatro paredes com os olhos da Primavera;
É voar através delas sem grilhetas da razão;
É dar o passo à imaginação; é dar voz ao coração…
E é soltar as amarras que me prendem junto ao chão.

Jeracina Gonçalves
Setembro/2014

domingo, setembro 07, 2014

POETA DA PRIMAVERA


Sim, sou poeta: Poeta da Primavera
Da linguagem singela, que nasce no coração.

Meu verso, simples e sincero,
Chega nas asas da brisa, que logo pela manhã,
Com doce e terna carícia, acorda a Natureza;
Chega na sinfonia dos pássaros - seus alegres gorjeios
Acordam-me ao amanhecer;
Chega no germinar da semente, na plantinha a crescer
No aroma da flor, na rosa e em seu rubor
Na frágil nuvem, que chora, por entre os dedos do sol
E com as lágrimas põe pérolas, nas pétalas das flores…

Sim, Sou poeta: Poeta da Primavera
Da linguagem singela, que nasce no coração.

Meu verso, simples e sincero,
Canta a natureza silvestre a jorrar vida e cor
Canta o colorido dos montes
Canta a voz límpida das fontes
Canta os malmequeres das campinas
Canta as inocentes boninas tingindo o verde tenro dos prados
Canta o cheiro da terra que recebe em seu ventre a benfazeja semente…

Sim, sou poeta. Poeta da Primavera,
Da linguagem singela, que nasce no coração.
Canto as coisas singelas, expostas ao meu olhar…
Canto o bailado dos pássaros…
Canto o sol a morrer no mar.
Jeracina Gonçalves



sexta-feira, agosto 15, 2014

COMO NASCE O POEMA


Do nada surge um verso. Entra sem bater a porta
Sem dizer de onde vem ou para onde quer seguir
Ciranda daqui para ali, volteia por todo o espaço
Nesse espaço, busca espaço para se poder instalar
Instala-se sem pedir licença, lavra a terra, cria ninho
O verso traz outro verso… e outro… e outro… e outro
E em versos se multiplica
E desse verso vadio, sem poiso nem direção, nasce e cresce o Poema
Às vezes poema de amor e tem por mote a saudade
Às vezes é a Natureza que desperta a emoção
E cresce o poema bucólico que tocou o coração
Às vezes é a revolta, o asco, a indignação
Contra as injustiças que reinam e crescem mundo afora
Neste mundo, em sobressalto, neste mundo em putrefacção
Onde há monstros que comem gente: roem-na até ao tutano
Gente simples, gente obreira,  gente que produz o seu pão
E cresce em meu Ser a revolta, a náusea, a contestação
Contra o ódio e a maldade que destrói a Humanidade
Contra o sangue inocente pelas ruas, derramado
Contra o sangue criminoso sempre, sempre, preservado
Contra o mundo de corrupção, contra a sua podridão
Nestes tempos em que a Vida, vale menos que o tostão.
E o Poema revela, então, a náusea, a raiva, a contestação
Que enche o meu coração contra os vermes da podridão.

E aquele verso vadio, que chegou sem se anunciar,
Pôs o meu Ser a pensar neste tempo (des)arrumado
Nestes tempos em confusão
Nestes tempos em que a Vida vale menos que o tostão.

Jeracina Gonçalves
MJRCG
12/08/2014

domingo, agosto 10, 2014

ROSMANINHO

Rosmaninho, flor silvestre,
encanto do monte agreste
tens a graça tens a beleza
do que é puro na Natureza;

Tens a beleza singela
que atrai o meu olhar
se bordejas os caminhos
por onde vou a passar;

Aos montes onde cresces
dás real esplendor
às suas cores misturas
o púrpura da tua cor.

O perfume que emanas
e difundes pelo ar
é suave, doce carícia
de alguém que sabe amar!

És uma planta do campo
no jardim da Natureza
toda a beleza e encanto
estão na tua singeleza.
Jeracina Gonçalves

sábado, agosto 09, 2014

A VIDA


A vida corre em três tempos: Passado, Presente e Futuro
O Passado são os caboucos do edifício  VIDA
Edifício em construção até ao minuto final.    
Nele estão as raízes, a herança recebida e a história vivida.
O Passado é a escora que fundamente o Presente
É também os fundamentos e a alavanca pró Futuro.
O Passado são os alicerces que dão a alma a minha vida.
A tua vida. A sua vida.
O Presente é o agora, este momento, o já…
No momento seguinte, o que agora foi Presente,
Passou a Passado recente.
Curto na linha da vida, na vida momento importante:
É momento a momento que se constrói o Passado;
É momento a momento que se fundamenta o Futuro.
Cada momento presente deve ser bem agarrado
Acolhido e acarinhado com muita dedicação.
Cada momento vivido, com cabeça e coração, 
Na história de cada vida, será motivo de orgulho.
Será também a alavanca para mais ridente Futuro.
O Futuro é o mistério, o secreto, a emoção do desconhecido
Segredo por desvendar.
Não é certo, nem seguro
Que o Passado e o Presente possam vislumbrar o Futuro
09/08/2014
Jeracina Gonçalves





sábado, agosto 02, 2014

PERGUNTEI à VIDA


Um dia perguntei à vida o que tinha para me dar
A vida me respondeu sem qualquer hesitação:
“Tenho  tudo o que sejas capaz de conquistar.
Tudo está no teu caminho, tudo está à tua mão
Depende da tua atitude, da força do teu coração.
Tenho beleza e alegria, tenho tristeza e podridão
Tenho vitórias e derrotas, consórcio e solidão
Tenho amigos, inimigos, tenho prémios e castigos
Tenho venturas, desditas, tenho prazeres, tenho dores
Tenho palácios vistosos, tenho casebres sem cores
Tudo está ao teu alcance, tudo está à tua mão
Faz a escolha acertada, toma a tua decisão
Venturas e desventuras, beleza e podridão
Pelos caminhos da vida, tudo está à tua mão.”

28/06/2014