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quarta-feira, dezembro 30, 2015



Muita Paz, muita Alegria
Saúde e União
Muito sucesso também
E Amor no coração.


São os meus votos para familiares, amigos e leitores, durante o ano de 2016, que está quase a bater a porta.
Que venha em Paz e encha de Paz o coração do Mundo.

terça-feira, dezembro 22, 2015

NATAL


Naquela Noite, lá longe, em terras da Palestina
num curral, entre animais, Deus se fez Menino
numa mensagem de Amor, Paz e Fraternidade.

Essa Mensagem Divina
trazida p’lo Deus/Menino
vive na palavra singela, saída do coração
aos que sofrem, em si, o peso da solidão
vive num beijo no rosto, vive num aperto de mão
vive na mão que afaga a criança mal-amada
vive na mão, que agarra aquela outra mão
já sem ânimo, sem alento, para continuar a jornada
vive no gesto que acarinha e põe um sorriso no olhar
daquela criança sozinha que da rua faz seu lar
vive no olhar doce, cordato, do manso coração
vive no abraço aberto ao outro, nosso irmão,
sem nome, sem cor, sem credo, sem raça
em cada dia que passa, com a Paz no coração.

Natal é Amor!
É Paz no coração!
Jeracina Gonçalves


sexta-feira, novembro 06, 2015

A SALA VAZIA

A sala está vazia
fria
entre as quatro paredes brancas
desmaiadas
rasgadas por duas janelas quadradas
e uma porta.

Pela porta chegam-me vozes…
Vozes indistintas.
Vozes trazidas do tempo da memória.
Multiplicam-se… Crescem…
Enchem de sons aquela sala vazia
De paredes desmaiadas.
Enchem-na da sã alegria
De risos e gargalhadas
De vozes que se atrapalham…
E todo o encanto d’outrora
Enche aquela sala vazia
De paredes desmaiadas
Tão cheia e aconchegada
Guardada no meu coração
Dos tempos que já não são
Trazidos à minha memória.
E aquela sala vazia
De paredes desmaiadas
Aquece o meu coração.
                                   Jeracina Gonçalves

segunda-feira, outubro 26, 2015

A INSÓNIA

O dia aproxima-se devagar.
Com seu manto nacarado
Engole  a escuridão
E sobe lentamente as escadas do dia.
Cansado da noite sombria
De há tanto esperar o dia
O meu coração
Para o dia estende a mão.
Saúda-o com alegria. 
Há longo tempo esperava
Que chegasse a madrugada.

Tenho saudades do tempo
Em que a madrugada
Subia as escadas
Com um sorriso maroto
E trazia ao meu coração
A alegria
De um dia
Carregado de emoção.

Tenho saudades do tempo
Em que a vida era curta.
Liberta das preocupações da vida.
Decorria, dia a dia,
Entre risos, brincadeiras…
E muita, muita Alegria.
Fiolhais
19/10/2015

domingo, outubro 11, 2015

EU QUERIA ESCREVER UM POEMA

O sol não ilumina o caminho dos prados floridos
A água já não banha as veigas da beira do rio
E a Lua nega-se a derramar o seu olhar prateado
Sobre as veigas moribundas do meu coração;
Mas a chuva a cantar de mansinho para lá da janela…
O canto da chuva para lá da janela
Traz-me à lembrança a voz da criança
E o sonho, e a esperança
Que em mim fervilham e quero alcançar.

Com letras, palavras e frases
começo a manchar
o corpo virgem imaculado
da folha branca, despojada sob o meu olhar.
Despejo em seu seio pedaços que doem.
Pedaços, que de mim, quero afastar.
A minha alma veste a folha branca
desnudada sob o meu olhar
com as lágrimas de cansaço que a prendem ao chão.
Enche-a de letras...
palavras conjugadas em frases que liberta do meu coração.

Eu queria escrever um poema.
Nele derramar todas as lágrimas
todo o cansaço que enche a minha alma.
Vestir com ele a folha branca.
Vestir com ele  todas folhas brancas...
Eu queria escrever um poema que a minha alma não solta.
Prende-o em si, numa dor que magoa.
Na vontade de ser forte quando a dor assola.

11/10/2015
Jeracina Gonçalves, Barcelos/Portugal

domingo, setembro 27, 2015

A VIDA


“A vida é um fluir contínuo como a água de um rio” com rochedos, levadas, planuras, cachoeiras e os mais variados escolhos ao longo do percurso, que permitem uma fluência mais célere e permanente ou mais morosa, por vezes parcialmente descontinuada, conforme a robustez das forças que se lhe opõem. Conforme a resistência que a torrente tenha de vencer ao longo do trajeto, para que possa continuar a fluir e a fazer florescer as várzeas das margens. Às vezes, como num rio, o seu leito torna-se perigoso e apertado, pejado de pedras de lâminas cortantes entre arribas rochosas, que retalham a pele dos pés, e deixam úlceras profundas à mercê de infeções oportunistas, sempre à espreita e à espera da primeira ocasião para se instalarem e dominarem a situação. E a corrente não flui. Oculta-se e some-se por entre o cascalho do leito. Regurgita, mas não dimana. Deixa-nos atados de pés e mãos, sem nada que possamos fazer para reverter o estado de coisas que domina e impõe. Mas é uma dádiva maravilhosa. Uma dádiva única. Cabe-nos amá-la, protegê-la, lutar por ela até ao último sopro e empregar todo o nosso esforço em vencer os escolhos que aparecem no seu leito, e vivê-la de forma positiva e produtiva enquanto o seu fluxo nos permita fazê-lo. Aproveitá-la em nosso favor e em favor dos que nos cercam e dos que a nós estão ligados por qualquer elo: profissional, familiar, de amizade ou outro, dando o nosso contributo para o desenvolvimento da sociedade em que estamos inseridos.
Jeracina Gonçalves
3/03/2015
Aspira o cheiro deste instante florido a cruzar o teu caminho.
Bebe a fragrância do Ser que irradia luz dos cantos da tua casa
a iluminar sorrisos que amas e dão força à tua vida - essa linha
cruzada com outras linhas, que a enriquecem e lhe dão sentido.

Jeracina Gonçalves
26/09/2015

domingo, setembro 20, 2015

SAUDADE DOS SONHOS PERDIDOS


No peito guardo saudades dos sonhos que contigo reparti
Dos sonhos perdidos, escangalhados, que contigo não vivi.
Sonhos, tantas vezes sonhados!...
Escangalhados nas encruzilhadas da vida
Nos passos da vida, cruzados noutros sonhos...
Sonhos, tantas vezes sonhados, levados pela barca da vida.
Sonhos, que para sempre perdi.

Jeracina Gonçalves
20/09/2015

terça-feira, setembro 01, 2015

SOMOS INSTANTES

Somos instantes…

Somos instantes de um poema
a  cada instante construído, (des) construído
em instantes, de versos repetidos
que se fazem, se  (des)fazem, em instantes
escangalhados  por  entre o emaranhado do  tempo;
somos instantes de sorrisos gargalhados
perdidos em caudais de sonhos infinitos
em instantes destroçados;
somos instantes de luz fulgurante no olhar,
nesse instante que nos arrebata o  Ser,
esse  olhar que toca o nosso  olhar…

Somos instantes…

Somos instantes de sois fulgurantes
arrebatadores  dos sentidos
em instantes de loucura, vividos na plenitude do Ser;
somos instantes de  sombras  bolorentas, invasoras, dominantes
que, em instantes,
 cavam poços profundos onde se enterram nossos sonhos…

Somos instantes…

Somos instantes de água tranquila, remansosa
espelho  repousante de paisagens deslumbrantes;
somos instantes  de  risos gargalhados
a evolver em cascatas de flores  pelo ar;
somos em instantes semente  que germina, sorve  a luz, cresce
abre-se em flor de  versos de mil facetas…

Somos instantes…

Somos instantes de verões escaldantes, irreverentes
senhores da vida e  do  mundo;
somos instantes de primaveras vicejantes
forças renovadoras, floridas, prenhes de luz e de amor;
somos instantes de generosos outonos
paletas  de  cores refinadas  que  acarinham o olhar;
somos  instantes de invernos sombrios, tormentosos
sombras paralisantes de dor  e solidão…

Somos instantes…

Somos instantes de um Poema
construído, (des) construído
em instantes de versos sentidos
que, por  instantes,
emergem e imergem por  entre o emaranhado do tempo.

Somos instantes…

Somos instantes que veem e que vão a cada instante.
Somos um Poema, de instantes
construído, (des) construído a cada instante.
Nunca terminado.

E a vida, a cada instante,
mostra-nos instantes da Vida.
Da Vida, que é a nossa vida
que é a vida em volta de nós
que é a Vida para lá da Vida.
Instantes da nossa vida:
doces, amargos, luminosos, sombrios…
Instantes da nossa vida.
Às vezes bem troviscosos
envenenadores da Vida.
Instantes da nossa vida.

E a noite vai caindo. Em instantes.
Silenciosamente chegando…
Caminhando…
Para o outro lado da Vida. 

Somos instantes…

Somos instantes que veem e que vão a cada instante.
Somos um Poema de instantes construído.
Desconstruído a cada instante.
Somos um Poema em versos de instantes sentidos.
Nunca terminado.
Jeracina Gonçalves
Agosto/2015