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domingo, outubro 15, 2017

SOU HUMANA

Às vezes a vida magoa e faz-nos descer pelas faces correntes líquidas, que rasgam sulcos profundos na superfície da alma. 
Não gosto de me sentir encurralada numa prisão sem grades, onde permanentemente são vigiadas todas a minhas acções, todos os meus pensamentos e tudo o que solto do meu coração, quando preciso de libertar a dor e a solidão que, às vezes, me invadem - sou humana, e como como qualquer ser humano, tenho momentos de fragilidade - por pessoas que fazem da ética tábua rasa. 
Por norma, dói-me mais a dor dos outros, que a minha própria dor. 
A minha, depois do primeiro impacto, sinto que me fortalece. A dos outros dói-me. Faz com que as lágrimas se revelem no meu olhar.
Julgo que  é uma característica humana que não quero perder. Não vou deixar que a destruam em mim, nem tão pouco que me destruam a convicção de que todas as pessoas têm um lado bom, que um dia há-de sobressair, submergindo o menos bom.
Por mais ataques que me sejam feitos, não vou deixar que me roubem essa caraterística: faz-me generosa e atenta. E gosto disso.
Rio e choro com espontaneidade, sem máscaras, e não sinto  que isso me faça menos forte.
Sou espontânea, natural, sem máscaras. E sinto que tenho essa força, que me chega de dentro, quando verdadeiramente preciso dela.
E, na minha vida, tenho inúmeros exemplos dessa minha força interior. Mas, às vezes, apercebo-me da minha fragilidade humana (e hoje é um desses dias), do meu cansaço e tristeza, ao dar-me conta, de que, na vida, sempre procurei fazer o bem. E, alguém, a quem apenas fiz o bem, ma transformou no caos em que se tornou desde há quase três meses. 
Jeracina Gonçalves
MJRCG
15/10/2017

sábado, outubro 14, 2017

Hoje preciso de ter os meus olhos fechados.
Neles oiço a paz e a luz que minha alma iluminam
e, neste momento, solitária e frágil, precisa e anseia.
Hoje preciso de ter os meus olhos fechados.
Fazem crescer em volta de mim planícies de rosas e de cravos
que me abraçam e se alastram em correntes de alegria e Amor.

Jeracina Gonçalves
14/10/2017

sexta-feira, outubro 13, 2017

A VIDA

Quando um dia me disseste
que a vida é feita de espinhos
duvidei. A vida é bela
se vivida com carinho.
Mesmo que caiam estrelas
que o vento sopre mais forte
ou se no caminho da vida
paira a sombra da morte
um coração com AMOR
a tudo vai dando suporte.
A vida tem seus espinhos
mas tem as rosas também.
Viver com uns e com outras
é a constante da vida.
Fazem na VIDA o caminho.
                                           Jeracina Gonçalves
                                                    (MJRCG)
                                                             Barcelos/Portugal, 13/10/2017

quarta-feira, outubro 11, 2017

SEMPRE SOUBE QUE ERAS TU

Sempre soube que eras tu a lutar desde esse lado
Mesmo, não sabendo, quem és tu, afinal.
Eu sabia que eras tu, em cada gesto, mensagem…
Eu sabia que estavas lá, me puxavas para ti
“Penso em si desde que o sol se levanta até que o sol se põe”
A lutar por entre máscaras, como eu lutava também.
Nesta luta desigual, de gigante contra anão
Dei-me conta, afinal, ser uma pessoa importante.
Tanto interesse à minha volta e tempo gasto comigo,
Apenas uma mulher com um sonho feito de amor,
Sem nada que merecesse uma tão grande atenção!...
Só queria dar “algo de mim”… fazer gente feliz…
E acabei engaiolada entre as grades de uma prisão,
Num ninho de serpentes com interesses ancorados.
Seus interesses celebrados vacilaram desde a raiz:
“Este rio é perigosos, não pode fluir livremente!
Vamos engavetá-lo, regular sua corrente!”

Sempre soube que eras tu a lutar desde esse lado
Mesmo, não sabendo, quem és tu, afinal.
Eu sabia que eras tu, em cada gesto, mensagem…
Eu sabia que estavas lá, me puxavas para ti.
Sempre soube que eras tu, mesmo sem te conhecer.
Mas será que não conheço? Sequer a tua voz?

Sempre soube que eras tu a lutar desde esse lado
Mesmo, não sabendo, quem és tu, afinal,
Algo sempre me disse que eras tu quem estava lá.
Qual a cor dos teus cabelos? Que luz ilumina o teu olhar?
Não sei quem és… mas algo conheço de ti.
Não sei dizer-te o que seja…
Mas sei que foste tu quem sempre esteve lá.
Talvez sejam os teus olhos que do teu coração me chamam
Talvez seja a tua voz…
Não sei quem és, nem que nome te chamar.
Mas ao longo deste tempo, lágrimas me fizeste chorar.
                                                                             Jeracina Gonçalves
                                                                                  (MJRCG) -11/10/2017


                                                                                                    

domingo, outubro 08, 2017

GOSTO DE TUDO O QUE É BELO

Gosto de tudo o que é belo
Do sol, da lua, das estrelas
Da água que desce a cantar
Em cachoeiras de espuma
Gosto do sol quando nasce
Por entre as cristas dos montes
De manhã, ao acordar
Gosto de vê-lo estirado
Com seus cabelos dourados
Sobre a superfície do mar…
Gosto das cores, quente e belas,
Dos vinhedos no outono
Dos tapetes coloridos
Em tempos de primavera...
Gosta do rosto da lua na superfície do mar
Dum casal de mão dada
Numa noite bem estrelada
Em passeio à beira mar…
Gosto de um forte abraçar
De gente que abraça com o olhar…

Gosto de tudo o que é belo
Do sol, da lua, das estrelas
Das crianças a brincar
Do seu riso espontâneo
E seu alegre tagarelar
De pássaros voando em bando
De patinhos a nadar…

Gosto de tudo o que é belo
Neste planeta tão belo
Enquanto nele habitar.
Jeracina Gonçalves
9/10/2017

sábado, outubro 07, 2017

CÂNTICO À NATUREZA


Sol e sombra no espelho remansoso do rio bordejado de árvores frondosas a prosseguir, numa constância preguiçosa, pela planície soalheira, criam coreografias deslumbrantes de bailados, que despertam os meus sentidos, soltam-me a imaginação, e transportam-me a plateias de teatros mundialmente famosos, com palcos deslumbrantes, onde bailarinos e bailarinas exímios e afamados exprimem a sua arte na cor e movimento de bailados de extraordinária beleza, executados com profissionalismo e emoção, e são aplaudidos, entusiasticamente, por milhares de amantes dessa excecional arte do bailado. Deslocaram-se até ali para se deixarem deslumbrar pela arte do bailado, que lhes alimenta o espírito como o pão lhes alimenta o corpo.
E a minha alma, aqui, neste palco de luz e sombras, vive também essa profunda emoção.
A alegria ressoa em flashs coloridos, que se desprendem das margens floridas por onde a minha alma caminha submersa numa avalanche de cores e de odores. E transportada por este jogo de luz e sombra no espelho remansoso do rio bordejado de árvores frondosas, enleva-me, e transporta-me, no espaço e no tempo, a esses palcos visitados outrora, sem contudo fazer-me esquecer o local simples e puro da Natureza, onde os meus pés assentam. Mas a minha alma voa. 
Outubro/2017
Jeracina Gonçalves
Todos os direitos reservados


"O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons. "
Sathya Sai Baba


"Em meu entender os bons também gritam. São gritos surdos, mas intensos, os seus. E se estivermos atentos, se os quisermos ouvir, ouvi-los-emos por entre o clamor do caos moral que cresce e sufoca as sociedades contemporâneas. 
O que acontece é que tantas vezes nos deixamos ludibriar e desorientar pelo clamor dos outros, dos violentos e dos oportunistas, que não atentamos nos gritos dos bons.  Não deixamos que a sua força atinja os nossos tímpanos. Porque não queremos; porque não os entendemos e até os apelidamos de loucos e de seres despersonalizados. Mas eles gritam e manifestam a sua indignação e a sua revolta ao descalabro que reina na sociedade de hoje, através da força das suas ações: quando ao ódio opõem o amor; à traição a lealdade; à mentira a verdade; à vingança o perdão. O seu grito é mudo, mas enérgico, veemente. Não faz barulho vibrante, mas está lá, na força da sua caminhada honesta e generosa por entre o caos moral que cresce e domina. 
Os que não gritam são outros. Às vezes até se manifestam contra a desordem moral, que corre; mas, na verdade das suas ações, acomodam-se: "Maria vai com as outras." É a maneira mais fácil e mais cómoda de levar a vida. Tem pouco desgaste e é a mais proveitosa; a que dá mais reconhecimento e status. 
Mas esses, a meu ver, não são os bons. São os "bonzinhos". que se vão deixando levar e vão sendo arrastados pela maré. Por comodidade e comodismo, vão-se moldando por ela, porque é o mais fácil e é o que dá menos trabalho. 
Aproveitam-se, na prática, da imoralidade vigente, e são, a meu ver, a fatia maior. 


Jeracina Gonçalves
(MJRCG)
Barcelos/Portugal

quinta-feira, outubro 05, 2017

SONHEI-TE VIDA

Um dia sonhei-te Vida!
Vida a crescer espontânea,
bela,
por entre as ervas daninhas,
como água cristalina
a alastrar-se pela várzea;

Um dia sonhei-te Vida!
Vida renascida das cinzas de outra vida,
fenecida,
deixada para lá do fosso
que separa a VIDA.

Um dia sonhei-te Vida!
entre ervas sem préstimo
que empestam a vida.
Um dia... sonhei - te Vida!

                       Jeracina Gonçalves
                               (MJRCG)

PARA LÁ DO MARÃO


Nascida nos montes,
para lá do Marão,
traçada na rudeza da fraga
na limpidez da água
na leveza do ar...
temperada na dureza da criação
é nobre, é viril
sensível, gentil...
a alma formada
em tal condição!

Não sabe usar máscaras
nem vãos artifícios;
não compra
não vende
nem se deixa comprar.
Franca e frontal
abomina a mentira
a ignóbil traição...
É digna. É leal.

Firme e constante no jeito de amar
o rico ou o pobre
para si é igual.
Não faz distinção.

É apenas irmão.
Jeracina Gonçalves
MJRCG



quarta-feira, outubro 04, 2017

A DESPEDIDA


A praia esvazia-se lentamente sob a caricia prolongada e maravilhosamente terna do sol, que se vai sumindo, devagar, em luzeiros instáveis de coloridos matizes do púrpura ao laranja, a multiplicarem-se na superfície serena das águas remansosas do mar a espreguiçar-se, longamente, sobre a areia macia e húmida, em toda a extensão da praia plana, quase deserta: 
Vem… vai… vem… vai…, num escorrer lento, por entre os dedos do tempo e dos braços da areia.
Gostaria de não deixá-lo escapar (ao tempo); mas foge-me descontroladamente sem que nada possa fazer para o reter e continuar a usufruir deste espetáculo maravilhoso com que a Natureza premeia a minha alma, deliciando-a com toda esta beleza serena, que me acalma e me faz sentir privilegiada. Julgo ser um privilégio poder e ter a capacidade para sentir e usufruir de tal encantamento.
E o tempo segue o seu rumo, implacável: transmuta o multicolorido firmamento num maravilhoso manto azul-escuro cravejado de estrelinhas douradas a adornarem o rosto redondo da Lua, acordada pouco antes para dar um leve aceno de despedida ao seu bem-amado, o Sol, num viver  desencontrado por toda a vida.
MJRCG
Jeracina Gonçalves