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sexta-feira, março 16, 2018


DO MOSTO À PALAVRA

Terra morena, de belos cantares,
vastos vinhedos, sobrais, searas e olivais
em teus horizontes se perdem meus medos
dilato meus olhos, descubro segredos
que rondam os céus.
Terra crestada, adega e celeiro,
o sol te abraça com ardente paixão.
És terra morena. E nesse teu chão
és terra de pastos, de azeite, de vinho e de pão.

Dos mostos ferventes, nas dornas e lagares,
odores feiticeiros, em prenhes outonos,
em mares ondulantes evoluem em teus ares…
Essências puras nos teus céus a evolar,
em cubas, pipas e tonéis vão descansar.

Néctares sublimes,
dignos dos deuses o Éden a desfrutarem
de taça em taça,
entre comparsas, a circular
aquecem o sangue,
libertam a palavra, o riso, a alegria…
Atiçam a tertúlia!

Do mosto à palavra, sem abusar
o sangue da uva é pura alegria
no sangue a circular.
Do mosto à palavra, sem abusar…
É riso, é alegria no sangue a circular!

Jeracina Gonçalves
Barcelos, 19/04/2017

*Integra um livro de Ciado Editora com o mesmo nome.

quarta-feira, março 14, 2018

O SOM DO SILÊNCIO

São quatro paredes brancas
Que envolvem este silêncio:
No centro, à mesa sentada,
Sinto meu coração denso.

A porta rasga a da frente;
A da esquerda, a janela;
Na de trás há dois postigos
A da direita é singela.

Este silêncio me enfada
Pesa-me no coração.
Olho as paredes, cansada!...
Sufoca-me a solidão.

Paro. Escuto o silêncio.
Escuto-o com muita atenção:
Voando nas asas do vento
Chega até mim a canção.

Puros sons da Natureza
Entrecruzam-se no ar.
Sinto-lhes singular beleza!
É melodia sem par! 

                      Muge a vaca, ladra o cão
Canta o galo e o garnisé;
Malha o ferro, o artesão,
E o choro da criança
Acontece aqui ao pé.

Diz a mãe em tom zangado:
- Vê se te calas! Já basta!
O rodar do automóvel
Conforme chega se afasta.

E também a passarada
Faz um concerto divino:
Toca flauta, guitarra,
Violão e violino.

A minha alma está leve.
Envolve-se na melodia.
A Natureza e seus cantares,
Devolveram-lhe a fantasia.

 Jeracina Gonçalves
"in" JANNELA ABERTA

segunda-feira, março 12, 2018


Amanhece. Corro a persiana da janela do quarto. Gotas enfeitam a vidraça exterior, tal qual brilhantes incrustados em vaporosa tela. Uma suave luz laranja ilumina o horizonte, entra pela minha janela e acalenta a minha alma, que agora pede tréguas a este tempo tempestuoso que tem “mimado” o sul deste país que amo. O sul e o norte. Mas no sul já causou avultados prejuízos.
A chuva faz falta e é uma bênção; porém o vento forte tem causado alguma destruição e sofrimento. Especialmente na região do Algarve.

Jeracina Gonçalves

domingo, março 11, 2018

Sentada na minha cama com o computador à frente, por entre uma frincha entreaberta entre os cortinados, assisto ao bailado frenético do pinheiro - do outro lado do muro do meu jardim - nos braços do vento, e  oiço o  seu uivo rouco a vergastar, furioso, as pobres árvores inocentes.
Bom Dia! Boa Tarde! Boa Noite! Conforme o lugar onde me esteja a ler.
Agora despeço-me com um abraço. Vou arranjar-me. Vou à missa.
Jeracina Gonçalves
11/03/2018

A COR DO VENTO

O vento tem muitas cores
As cores da imaginação:
Tanto é o verde-esperança
Como o cinza-furacão.

É verde, vermelho ou castanho
É branco, negro ou lilás
Azul, cinzento, amarelo...
São tantas as cores que ele faz!...

A brisa do anoitecer
É anil, cor azulada;
A que sopra ao amanhecer
Tem uma cor orvalhada:
É branca; é perfumada.

Na canícula sufocante
A brisa soprando fresca
É da cor do verde - esperança;
Mas se sopra vento grosso
Sua cor é bem diferente...
É rubra! Incandescente!
E como diz nosso povo:
Traz o diabo no ventre.”

Há vento de cor cinzenta,
Negra – cor bem pesada;
Esse é o vento assassino
É o vento de furacão.
Tudo arrasa. Não deixa nada.
Há, também, vento cortante
Como navalha afiada.
Não é branco, não é negro...
Esse... é da cor da geada.
Sua cor é prateada.

O vento tem muitas cores:
Verde, vermelho, castanho
Branco, negro, lilás
Azul, cinzento, amarelo...
São muitas as cores que ele faz.

Jeracina Gonçalves
"in" JANELA ABERTA

quinta-feira, março 08, 2018

MULHER


Mulher,
Por que choras?
Por que sofres e te lastimas?
Não deixes que te maltratem.
Tu és o seio da Vida!
És a terra que se abre
E a semente recolhe.
Em ti germina a semente
E cresce, em ti, docemente
A vida que em ti se acolhe.
Tem orgulho em seres Mulher!

Mulher,
Por que choras?
Ser seio, ninho, guarida
Ser mãe, amante e amiga
À Vida dar outras vidas
Na vida por mulher ser...
Sentir a Vida Mulher!
Mulher!... Por que choras!?
Mulher me orgulho de ser!
Jeracina Gonçalves
"in" JANELA ABERTA

quarta-feira, março 07, 2018

QUEM ÉS TU?


Acordei da meditação
Abri meus olhos
Olhei em volta
E vi
Estava a pensar em ti
Ausente, noutro lugar
Nas praias de outro mar.
Ainda não entendi:
Que razão te traz aqui?
Neste silêncio de mim
Há um som que m’atordoa
E perfura o meu olhar
Errante, noutro lugar.
Estava a pensar em ti:
Que razão te traz aqui?
Ainda não entendi.
E meu olhar na distância
E em meu peito esta ânsia:
Quem és tu?
Que procuras tu aqui?
Ainda não entendi.

Jeracina Gonçalves
07/03/2018

quinta-feira, março 01, 2018

POR QUE ESCREVO

Escrevo...
Se a beleza impera
e enche minha alma de encanto;

Escrevo...
Se a tristeza domina
e enche meus olhos de pranto;

Escrevo...
Se a realidade me choca
e minha sensibilidade provoca;

Escrevo quando a beleza
domina o meu pensamento;
escrevo quando a tristeza
me causa grande tormento;
escrevo se do real
preciso de alheamento.

Porque escrevo? Não sei.
Escrevo com o Coração.
Abro a porta ao meu Ser
Liberto a minha emoção.
Jeracina Gonçalves
"in" JANELA ABERTA

terça-feira, fevereiro 27, 2018

O POETA



O poeta é um louco, que se perde, às vezes, no labirinto das próprias palavras, a que todos querem dar um significado especial. E, muitas vezes, mais não são que tijolos enfileirados de forma mais ou menos estética na arquitetura do poema. A não ser que esse salte do coração. E, nesse caso, é a emoção a falar. E as palavras são sentimentos reais, puros, verdadeiros, emergentes do próprio coração.
Jeracina Gonçalves
                    Barcelos/Portugal

segunda-feira, fevereiro 26, 2018









Às seis horas e quarenta do dia de hoje, abri a janela do meu  quarto e fui saudada por um céu magnífico, a que não resisti fotografar. Aqui fica um pequeno trecho da imagem que despertou a minha sensibilidade para o dia que começa.


BOM DIA!

Jeracina Gonçalves
26/02/2018