Pesquisar neste blogue

sábado, maio 11, 2019

Na gaveta dos meus afectos fui encontrar este poema, que me traz à memória momentos bonitos da minha vida de Professora. Aqui o deixo. Leiam-no, apreciem-no, dêem a vossa opinião.


O INTERVALO


Terrim...terrim...terrim...
É a campainha que toca
O intervalo bate à porta;
Toda a criançada
Corre, bem animada,
Para o recreio brincar.
-Vamos correr e saltar
Prá cabeça descansar.

Terrim... terrim... terrim...
O intervalo findou
O recreio terminou.
-Vamos à sala regressar.
 A professora nos espera.
Vai ouvir, com atenção,
Dos jogos, a descrição,
E também a reclamação:

"Houve batota!
O árbitro foi incorrecto.
Não foi justo na aplicação
De tão rigorosa sanção.
Aquela canelada foi sem querer,
Não foi pensada,
Não mereceu tão pesada punição!"

-Cuidado! O árbitro é, no jogo,
Autoridade que deves respeitar.
É um homem. E, como tal,
Nem tudo pode ver…
Também pode falhar.
Não o deves condenar.

E agora, meus meninos,
Já são horas de acalmar
E o trabalho recomeçar.
A aula continua
Até o meio-dia chegar.
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal

 

quinta-feira, maio 09, 2019

O PREÇO DA LIBERDADE


Por este caminho cerrado,
Sem flores ou sol à vista,
Sigo rumo ao desconhecido.
É o preço pago à vida
Por vivê-la em liberdade.

A liberdade tem alto preço
Bem difícil de contabilizar
Que só as almas bem fortes
Terão condição de pagar;

Ser livre, não hipotecar
A liberdade de ação
Agir de olhos nos olhos
Seguindo mente e coração
Traz preço alto a pagar…

A liberdade tem alto preço
Bem difícil de contabilizar
Que só as almas bem fortes
Terão condição de pagar;

Minha alma, insubmissa
À infâmia e à traição
Alma fiel à verdade,
Abomina a falsidade,
Sente o peso da traição.

A liberdade tem alto preço
Bem difícil de contabilizar
Mas deixa em teu coração
Um lago de águas serenas
E em teu Ser, a união.
                                         Jeracina Gonçalves

sábado, abril 20, 2019



RECEBI POR E-MAIL

Leia esta história... faz pensar.
 
Um homem santo teve um dia para conversar com Deus e lhe perguntou:
 : "Senhor, eu gostaria de saber como são o Céu e o Inferno »
Deus levou o homem santo a duas portas.
Ele abriu uma e o deixou  olhar para dentro.
Havia uma grande mesa redonda.
No centro da mesa havia um enorme recipiente contendo comida deliciosamente perfumada.
O homem santo ficou com água na boca.
As pessoas sentadas ao redor da mesa, eram  magras, pálidas e doentes.
Todos pareciam com fome.
Eles tinham colheres com cabos longos, presas ao braço.
Todos alcançavam o prato de comida e podiam pegar um pouco, mas como o cabo da colher era mais comprido que o braço, não podiam levar a comida até a boca.
O homem santo tremeu ao ver a miséria e o sofrimento deles.
Deus disse:
"Você acabou de ver o inferno".
Deus e o homem se dirigiram em direção à segunda porta.
Deus a abriu.
A cena que o homem viu era idêntica à anterior.
Havia a grande mesa redonda e o recipiente que fez dar água na boca.
As pessoas ao redor da mesa também tinham colheres com cabos longos.
Desta vez, no entanto, eles estavam bem alimentados, felizes e conversando uns com os outros, sorrindo.
O homem santo disse a Deus:
 "Eu não entendo!"
É simples, respondeu Deus, eles aprenderam que o cabo da colher não permite que você se alimente ... mas permite que você alimente seu vizinho.
Então eles aprenderam a alimentar uns aos outros!
Aqueles na outra mesa, por outro lado, só  pensam em si mesmos ...
Inferno e Paraíso são os mesmos em estrutura ... Nós trazemos a diferença dentro de nós !!!
Eu me permito adicionar um pensamento, não meu:

 "Na terra há o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns.
Nossos pensamentos, por melhores que sejam, são falsas pérolas, se não são transformadas em ações.
Seja a mudança que você quer ver no mundo ".
                   Mahatma Gandhi

Estima-se que 93% das pessoas não encaminharão esta mensagem.
Se você faz parte dos 7% que o farão, envie, para tentar deixar claro que solidariedade sempre paga, ganância não.
                        
                  Boa Páscoa

terça-feira, abril 09, 2019

MOMENTO


Solta-se límpida
Cresce
Cristalina
Admirável
Em direção ao azul
Como cristal transparente
Fulgurante ao sol do meio-dia.
Quedam-se as vozes
Quedam-se labores…
Cai o silêncio no espaço envolvente.
E a voz angelical
Pura
Transparente
Alaga todo o espaço
De luzes resplandecentes.
Emergem rosas vermelhas
Do lago de águas puras
Argênteas…
Momento de paz.
Espaço de oração.

                             Jeracina Gonçalves
                              Barcelos/Portugal

sábado, abril 06, 2019

O NASCER DO SOL

Estou aqui com três contos. Entre os quais " O NASCER DO SOL".


Jorge acordou hoje bem cedo. Vai começar a semana de praia da escola e, como todos os colegas, anda ansioso com a antecipação das brincadeiras e aventuras que viverá durante esses maravilhosos dias ao ar livre, na praia, com colegas e professores. Correm, jogam a bola, apanham conchinhas e godos que depois utilizam na sala de aula em trabalhos, fazem ginástica, dão passeios pelas dunas e observam as plantinhas que por ali crescem e os caracóis pequeninos que nelas vivem agarrados, fazem grandes “locas” e castelos de areia... Enfim! São manhãs bem alegres e divertidas. E também instrutivas. Aprendem muitas coisas. Por isso a ansiedade domina-o nestes dias que precedem a semana de praia. E, logo que o dia começou a luzir, levantou-se, foi até janela e abriu-a de par em par.
O espetáculo que vislumbrou no horizonte, em frente, naquela manhã de Junho, deixou-o perfeitamente deslumbrado: uma grande bola alaranjada subia pelo espaço e tingia com tons de fogo o azul límpido e transparente do céu, a anunciar um dia cálido e luminoso, transbordante de energia, que deixava antever a fantástica semana de praia que iriam ter.
“Como é bonito!” – Exclamou.
Um colega da escola, que um dia saíra muito cedo para ir à pesca com o pai, já lhe tinha falado da beleza do nascer do Sol; mas nunca se tinha levantado suficientemente cedo para vê-lo nascer. Hoje acordou cedo e ainda bem. Pôde deliciar-se com este espetáculo e antegozar a linda semana de praia que se aproxima. Gosta muito de ir à praia com os pais e com a irmã, mas gosta muito mais de ir com a professora e com os colegas. É muito mais divertido.
No ano passado andava a brincar com os colegas e viram a ponta de uma corda a sair da areia. Puxaram... puxaram... e… nada. Não saiu. Escavaram em volta, fizeram um grande buraco e continuaram a puxar, mas a corda manteve-se presa. Foram chamar a professora: ajudou-os a puxá-la, mas continuou a não sair, e desistiram.
“Se calhar estava presa a alguma coisa muito pesada...
O que seria?” – Disse baixinho.
-Jorge, Jorge, não te arranjas? São quase horas de ires para a escola!
-Já vou, mãe. Já vou.
Absorto como estava nos seus pensamentos e nas recordações de praia do ano anterior, esquecera-se completamente que tinha de se arranjar para ir para a escola; e não gostava de chegar atrasado.
Correu para a casa de banho, tomou um chuveiro rápido, e voltou ao quarto para se vestir. Num instante estava na cozinha, preparado para tomar o pequeno-almoço. A irmã, que já acabara e estava a levantar-se da mesa, disse-lhe:
- Vê se te despachas, preguiçoso. Já é tarde. Sabes bem que a professora não gosta que cheguemos atrasados!
Apressou-se o mais que pôde: tomou rapidamente uma chávena de leite, comeu um pão com manteiga, e correu a lavar os dentes. E “num abrir e fechar de olhos” estava junto da irmã e partiram os dois a caminho da escola.
Iam felizes. Gostavam da escola. Tinham muitos amigos e aprendiam coisas bonitas.
-Bom dia! Dá licença senhora professora?
-Bom dia! Sim, entrai. Hoje o sono pesou… Estais muito atrasados.
-Senhora professora, já viu o Sol nascer?
-Já, Jorge. Já vi o Sol nascer muitas vezes e é um espetáculo da Natureza muito bonito, especialmente num dia límpido como o de hoje.
Mas a que propósito vem isso?
- Eu nunca tinha visto o sol nascer. Mas hoje acordei muito cedo e pude vê-lo nascer.
É bonito. O céu à volta do Sol fica... cor de laranja… vermelho…brilhante...
É lindo! Fiquei a olhar para o Sol e a pensar, e esqueci-me das horas.
Amanhã é que vai ser bom, senhora professora!
- Pois claro que vai ser bom. Não são bons todos os dias em que trabalhámos e aprendemos juntos? Amanhã será também um dia bom, se Deus quiser - disse a professora, que, no momento, não se lembrava da praia.
- Todos os dias são bons, senhora professora. E eu gosto muito de vir para a escola, de aprender coisas novas e de fazer os trabalhos; mas manhã começa a praia.
- Ah! Agora entendo! Tu acordaste cedo e esqueceste-te das horas porque andas a pensar na praia. Viste um Sol tão bonito e ficaste a sonhar com o dia que teremos amanhã.
- Pois foi, senhora professora.
Lembra-se daquela corda que encontrámos enterrada na areia, no ano passado?
Onde estaria presa? Se calhar estava agarrada a algum saco de droga.
- Oh!... Jorge! Que ideia! Como é que meteste isso na cabeça?
Estava muito enterrada e pronto. Não tivemos força para desenterrá-la.
- Eu já ouvi dizer que, muitas vezes, descarregam os barcos nas praias, enterram a droga na areia e deixam um sinal a marcar o sítio para mais tarde irem buscá-la. Aquela corda podia estar presa a algum saco de droga que os traficantes enterrassem ali. Pensei muito nisso, hoje, senhora Professora. E este ano vou estar bem atento a essas coisas. A droga é tão má, tão perigosa, e faz tanto mal às pessoas. O António...
O António é seu vizinho. Porta com porta. E a professora conhece-o muito bem. Andou lá na escola e era um bom rapaz, inteligente e muito bom aluno. Agora, com vinte anos, é toxicodependente e é um infeliz.
Levado por outros rapazes mais velhos, há uns anos meteu-se a experimentar coisas… coisas… Primeiro tabaco, depois outras coisas…
Até já esteve preso.
Era tão alegre, tão seu amigo: carregava-o às cavalitas, levava-o a passear de bicicleta, jogavam a bola, contava-lhe histórias...
Gostava muito dele. Agora nem chega perto. Os pais não deixam.
Tem muita pena que se tenha deixado apanhar pela droga. Detesta-a. Há-de ter bem cuidado para não se deixar apanhar por ela, quando for mais crescido. Tirou-lhe o seu grande amigo.
- Sim, o António é um infeliz que se deixou escravizar pela droga, e tenho muita pena, Jorge. Era um rapaz inteligente, que podia ser muito útil à sociedade, e anda por aí perdido.
Mas essa tua ideia...
-Não sei, senhora professora. Mas, às vezes, oiço dizer na televisão que aparece droga nas praias. E se este ano encontrarmos uma corda assim presa, que não saia, temos de contar à polícia, para que possa investigar.
-Está bem, Jorge. Se encontrarmos alguma coisa que nos pareça suspeita faremos como dizes. Tu tens razão. A droga destrói, escraviza, mata. E quando se apercebem do buraco sem fundo onde se deixaram cair, querem deixá-la, querem sair daquela escravidão e poucas vezes o conseguem. São seus escravos. A droga domina-os. Tira-lhes a vontade. Quando não a têm, não conseguem pensar em mais nada, senão na maneira de arranjarem-na. E fazem coisas que nunca fariam se fossem livres. Por isso acontecem tantos assaltos a casas, a carros, tantos roubos por esticão e outras coisas mais. A droga exige. Não lhes sai da cabeça. Precisam de muita força de vontade, de muita ajuda e de muita compreensão e firmeza da família para conseguirem libertar-se dela.
Tens razão, Jorge, todos temos de lutar contra droga. Todos.
Temos de denunciar tudo o que nos pareça suspeito.
Os traficantes usam de todos os subterfúgios, conhecem todas as manhas e agem com todas as cautelas para a introduzirem no País. E ela pode, realmente, estar enterrada na praia, sob os nossos pés.
Mas, o pior de tudo, é que a polícia investiga, procura, e só os pequenos traficantes - os desgraçados que, muitas vezes, a traficam porque também são escravos dela - são presos. Traficam-na para poderem sustentar o vício que exige ser satisfeito. E, infelizmente, só esses são apanhados e condenados.
Os grandes, os que enchem os seus cofres e engordam as suas contas bancárias no país e no estrangeiro, os que vão enriquecendo à custa da destruição de muitos dos jovens de hoje e de muitas das suas famílias, os que contribuem para que muitas crianças venham ao mundo desprotegidas - sem o amparo de um pai, ou de uma mãe, ou dos dois, nunca são apanhados. Mantêm-se na sombra. “Atiram a pedra, mas nunca mostram a mão.” Provavelmente cruzamo-nos com eles no dia-a-dia e julgamo-los pessoas muito honestas e respeitáveis. E, se calhar, quantas delas não ocuparão altos cargos na sociedade: empresários dinâmicos, pessoas “bondosas” e preocupadas com o bem-estar do seu semelhante, grandes beneméritos, capazes de contribuíram com avultadas somas param obras sociais..., e não passam de vampiros. Sugam o sangue de todos nós e vão enfraquecendo a sociedade de hoje, ao destruir-lhes as crianças e os jovens adultos que inadvertidamente se deixaram apanhar nas malhas da droga.
São eles os maiores causadores da insegurança em que vive a sociedade contemporânea. E não têm problemas de consciência. Só o dinheiro conta para eles. Dá-lhes poder. É o seu Deus e resolve-lhes todos os problemas de consciência. E, infelizmente, nesta nossa sociedade, o dinheiro compra tudo.
Tens razão, Jorge. Temos de denunciar tudo o que nos pareça suspeito. Temos de estar bem vigilantes para que todos os jovens, todos nós possamos sentir a emoção - que tu hoje sentiste - de um “Nascer do Sol” radioso, que brilhe cheio de energia e calor, em cada dia, no coração de cada um de nós.
Agora, meus meninos, cada um vai imaginar como será o dia de amanhã - o primeiro dia de praia - e construir um bonito texto.

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal


sexta-feira, março 08, 2019

“Dia Internacional da Mulher”


O “Dia Internacional da Mulher”, que hoje se comemora e com o qual há quem não concorde por entender ser o dia da mulher, assim como o do homem, todos os dias do ano. E eu concordo com esse conceito. Acho que assim deveria ser: o Dia da Mulher deviam ser todos os dias do ano, assim como o da Criança, o do Pai, o da Mãe, etc. Mas também me parece que tem toda a legitimidade de existir. E deve existir e ser comemorado. Quanto mais não seja, para honrar e lembrar aquele grupo de 130 mulheres, que foram queimadas vivas, trancadas na fábrica onde exerciam o seu mister de tecelãs, no dia 8 de Março de 1875, nos Estados Unidos. Uma história tétrica, que retrata a prepotência exercida sobre as mulheres quando, com dignidade e coragem, exigiam ser tratadas com respeito e igualdade de direitos e de salários, em relação aos homens, se executoras de trabalho idêntico. Considero-o um marco para que fique bem assinalado na história da libertação da mulher no mundo ocidental. Um marco a sinalizar esse facto horrendo, que marca o despertar da consciência sobre as mulheres e das mulheres, a evolução aturada e as conquistas alcançadas desde essa época na sua equiparação ao homem em direitos e deveres; pois direitos sempre acarretam deveres, como todos sabemos: quantos mais direitos, mais deveres. É lógico e natural.
Essas mulheres-coragem, que tinham um horário diário de dezasseis horas e pediam a redução de horário para dez, chegavam a ganhar um terço do salário masculino.
Muito se caminhou desde então. Mas muito há ainda a caminhar. Não propriamente nas leis. Julgo que essas já estarão equilibradas; mas na sua aplicação e nas mentalidades. Tanto na dos homens como na das mulheres. E a mulher continua a ser sobrecarregada com o acréscimo do trabalho doméstico ao seu trabalho profissional. Especialmente nas classes de menor poder económico e nos grupos etários mais avançados. Os homens insistem que o trabalho da casa é da responsabilidade da mulher, exigindo a comida na mesa, a roupa lavada e passada, os filhos cuidados… E grande parte das mulheres aceita, ainda, esse trabalho como responsabilidade apenas sua. E se o homem contribui com a sua ação nesse trabalho, ainda o sente como uma ajuda a si própria e não como uma obrigação da parte dele.
Mas também no salário a mulher continua ainda descriminada em relação ao homem. Em muitos sítios. Apesar de elas mostrarem que são tão capazes quanto os homens no exercício do trabalho para que são preparadas. E, se calhar, terão de passar ainda algumas gerações para que este estado de coisas se altere e haja verdadeira equiparação de Direitos e Deveres.
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 08/03/2016