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domingo, junho 13, 2021

U.Porto propõe uma semana para explorar diferenças entre gémeos iguais

A Semana dos Gémeos - 14 a 18 de junho - vai refletir sobre as diferenças entre gémeos idênticos através da fotografia, cinema e três mesas-redondas. Entrada livre.
Todos iguais e todos diferentes. Fotografia, cinema e três mesas-redondas vão ajudar-nos a refletir sobre as diferenças entre gémeos idênticos. Baralhado? As respostas servem-se de 14 a 18 de junho, no Pátio do Polo Central do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP), palco escolhido para receber a Semana dos Gémeos: One Event, Two Experiences.
Os gêmeos idênticos são, na realidade, idênticos? A resposta é não. O tema é provocatório, assume Alexandra Matias, facto que a levou a escrever um livro “abrangente e descontraído” sobre o tema. Pode até ser um “livro de cabeceira”, que enumera as “diferenças entre gémeos monozigóticos (MZ) e como lidar com eles”, diz-nos a obstetra e professora da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP).
De pais e filhos a médicos, de psicólogos a educadores, Developmental and Fetal Origins of Differences in Monozygotic Twins (escrito em coautoria com Isaac Blickstein, 2020) dirige-se a “um público mais amplo” e aborda as diferenças entre gémeos monozigóticos, assim como as “principais causas de discordância entre gémeos monozigóticos”.
Estaremos perante “uma combinação de influências genéticas, epigenéticas e ambientais” que ocorreram “durante os períodos pré-natal, perinatal e pós-natal”. É esta combinação “complexa e dinâmica de múltiplos fatores” que se conjuga “para moldar o genótipo (constituição genética) e redefinir o fenótipo (de aparência exterior) dos dois indivíduos”, acrescenta Alexandra Matias.
Por motivos profissionais ou outros, é cada vez mais tardia a decisão pela maternidade, o que promove um recurso cada vez mais frequente à procriação medicamente assistida e o consequente aumento do número de gémeos. A “problemática dos gémeos está na ordem do dia”, nota a docente, “nomeadamente os gémeos monozigóticos cuja prevalência está seis vezes aumentada mesmo se só existir transferência de um zigoto (célula-ovo, formada após a união do espermatozoide, ou gameta masculino, com o ovócito, ou gameta feminino)”.
Da: Newseletter Casa Comum-Cultura U.Porto
                                                                               Publicado por: Jeracina Gonçalves, Barcelos/Portugal


sexta-feira, junho 11, 2021

SOLIDÃO

O vento sopra no mar
o mar encrespa-se,
as sombras sobem pelo dia 
na terra esventrada.
Aqui, calada,
sentada no vazio da noite
olhar parado na distância do nada
espero uma voz, um toque, 
uma chamada,
alguém que acorde a madrugada.


Jeracina Gonçalves
Barcelos, Portugal, 27/05/2021

segunda-feira, junho 07, 2021

Sete de Junho, Dia Mundial da Segurança Alimentar

  Embora este texto, que me chegou através da Newsletter da Universidade do Porto, não tenha por título  "Segurança Alimentar", parece-me implícito na reflexão da Exma. Senhora  Vice-Reitora para a Cultura, Museus e Editora da mesma, que aqui vos deixo.                                                                                                                                                                                                 Jeracina Gonçalves, Barcelos/Portugal

ALIMENTAÇÃO E CULTURA

No início da década de 60 do século passado, Roland Barthes foi dos primeiros teóricos a chamar a atenção para o assunto: a alimentação é um signo, um sistema de comunicação de situações e comportamentos. O café que combinamos tomar com os nossos amigos vale mais pela função que cumpre do que enquanto substância. A alimentação é um ato cultural.
 Massimo Montanari explica bem a situação: a comida é cultura quando é produzida, pois não nos limitamos a ingerir os elementos que encontramos na natureza; a comida é cultura quando a preparamos, pois transformamo-la através das artes culinárias; e é cultura quando é consumida, pois comemos sempre em função de critérios económicos, nutricionais ou até mesmo religiosos.
 Vivemos numa sociedade que se caracteriza, como sublinha Michael Pollan, por uma “ansiedade por comida”. Não é que este problema seja novo: o que é novo é que já não estamos nas mãos das mulheres, que tradicionalmente cozinhavam as refeições para as famílias e produziam muitos dos produtos ou os escolhiam criteriosamente nos mercados locais; estamos, antes, nas mãos dos cientistas da alimentação que manipulam geneticamente animais e plantas para que possam ser preparados e processados ao longo do ano – e estamos nas mãos das grandes empresas que distribuem os produtos e que são, na verdade, quem decide o que comemos.
A alimentação que, no tempo em que as mulheres tinham autoridade na cozinha, era um ato de confiança, tornou-se hoje, para muita gente, um ato de desconfiança. Ir às compras é um ato político. Mas a escolha é apenas possível em função do poder económico do comprador.
 Enquanto ato cultural, a alimentação conta histórias de migração, de assimilação e de resistência; enquanto ato económico, a alimentação conta muitas vezes histórias de resignação; enquanto ato político traduz princípios éticos e de justiça – e comporta a ideia de que, individualmente, podemos contribuir para fazer a diferença.
 Estas reflexões vêm a propósito da sessão “Pela boca morre o planeta: a salvação à distância de uma dentada”, promovida pelo Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto no âmbito de “Diversidades: Ciclo de Conversas sobre Biodiversidade e Sustentabilidade Ambiental”. Sim, esta é também a missão dos museus universitários: identificar problemas, apontar caminhos – e mostrar que, muitas vezes, as soluções passam por nós.
 
Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura, Museus e Editora
Da Newsletter da Universidade do Porto

sexta-feira, junho 04, 2021

“DEPOIS DE QUILÓMETROS E QUILÓMETROS PERCORRIDOS, ESPERA SEIS HORAS PARA…

Sentados comodamente na nossa cadeira ocidental, onde se reclama por tudo e por nada, ficamos cegos para o resto do mundo, no qual, em muitos lugares, faltam as coisas mais básicas à sobrevivência da vida. Coisas, como a água, que é a própria vida. 

É possível viver alguns dias sem comer, mas muito poucos sem beber.

Acabo de ouvir, na TSF, a crónica de Fernando Alves, que  trouxe ao meu espírito e me fez doer o coração (mais uma vez), o problema que é a falta de água no mundo. 

Temo-la a correr das nossas torneiras, quando precisamos dela para tomar banho, cozinhar, limpar as nossas casas, lavar as nossas roupas, regar as nossas plantas, dar de beber aos nossos animais, …, e passa-nos ao largo o quanto esse mineral, que usamos e abusamos, representa para alguns seres, humanos como nós, a viver em certos lugares deste planeta. 

Os quilómetros e quilómetros que percorrem e as horas e horas que esperam para obterem alguns litros desse precioso mineral, indispensável á sua vida e à vida da sua família. E, pergunto-me, tantas vezes, por que é que a tecnologia transporta, há tanto tempo, o petróleo, o gás, …, por esse mundo, e não investiga o modo de fazer chegar a água dos locais aonde abunda aos locais onde faz falta? Gasta-se tanto dinheiro a destruir o mundo, quando o que faz falta é melhorá-lo; gasta-se tanto dinheiro a explorar o Espaço, quando na Terra há tanta coisa para fazer…

Nada entendo de economia, de tecnologia, de astronomia, de engenharia, de inteligência artificial, assim com nada entendo das prioridades de investigação do nosso mundo moderno, parece-me, no entanto, que a prioridade das prioridades, seria criar condições mínimas de vida a todos os povos da Terra. E que todos, sem exceção, em todas as longitudes e latitudes, tivessem um pedaço de pão e umas gotas de água potável no seu dia-a-dia.

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 04/06/2021

quinta-feira, junho 03, 2021

O VERSO DECISIVO

O verso, que hoje encontrei, feito de luz e esperança,
tem a leveza e o brilho do olhar d’ uma criança,
entre os salpicos do mar, com as outras a brincar,
asas de luz e bonança pelo etéreo a voar.

É um verso decisivo, o verso hoje encontrado,
entre os risos e chilreios d’ animada criançada,
carregando a sacola, a caminho da escola:
No olhar levava a fé num tempo de bonança,
para livremente viver o seu tempo de criança.

Há tanto que procurava o verso que hoje encontrei!
Com que alegria apanhei o raiar de um novo dia!
Vou construir um poema feito de luz e harmonia
Asas vestindo o azul de saúde e alegria.

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, Abril/2021

sábado, maio 29, 2021

SANGUE NOVO EM VEIAS ANTIGAS

29 de maio 2021 | 18h30

O Mosteiro de Santa Maria de Salzedas recebe o primeiro espetáculo do projeto Sangue Novo em Veias Antigas, com dois momentos de música conduzidos pela Escola Profissional de Artes da Covilhã (EPABI) e pela Academia de Música do Município de Tarouca (AMMT).

Sangue Novo Veias Antigas é um conceito singular na promoção do património e na divulgação artística de jovens criadores e intérpretes.

Uma iniciativa organizada pelos Monumentos do Vale do Varosa e Teatro Solo, conta com a parceria dos municípios de Tarouca e de Lamego e com o apoio da Antena 2.

Fonte: DRCN
Para mais informações (+)
De: pporto.pt
Publicado por: Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal

terça-feira, maio 25, 2021


 

A MORTE DESCE DO CÉU

Ouvi ontem uma entrevista, de uma jornalista estrangeira, a uma israelita e a um palestiniano (intercaladamente), a quem esta peleja entre os dois povos já feriu profundamente: ele com a perda de uma filha de dez anos, ela um filho, homem, com uma vida promissora.
Essa entrevista suscitou-me este poema:


A morte desce do céu.
Agarra os seres mais inocentes, mais desprovidos
transforma-lhes a carne e os abrigos
numa amálgama de escombros terra e sangue.
E assim seguiu e segue pelo tempo,
de surto em surto, de tempos a tempos,
neste feroz entendimento de sangue e fogo.

É tempo de por cobro neste flagelo.
Não importam as razões que cada um invoca.
O sofrimento, a dor, a destruição,
e o ódio, que estimula nas futuras gerações,
é o que importa.
É tempo das partes se sentarem à mesa das negociações.
Facilitarem a harmonia, entre os dois povos, sem condições.
Dois países, duas nações, com fronteiras a respeitar,
sem subordinados nem subordinadores.
Independentes. Livres.
Dois países duas nações, que mutuamente se respeitem.
Cada um, o seu caminho, livremente caminhar
com respeito pelos espaços inerentes ao vizinho.
Àquele que mais precisar, o outro estenda a mão
sem intenções reservadas. Apenas para o ajudar.
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 25/05/2021