"EU E OS OUTROS, DAQUI E DALI", será um espaço de reflexão e de registo de imagens e pensamentos colhidos e construídos nas vivências do dia-a-dia, que poderão ser em prosa, em verso, ou imagem.
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sexta-feira, março 25, 2016
terça-feira, março 22, 2016
AS LÁGRIMAS DO CÉU
O céu derrama copiosas lágrimas sobre o rosto da terra.
Deslizam sobre o seu rosto enrugado
Infiltram-se sob as rugosidades da sua pele
Infiltram-se sob as rugosidades da sua pele
E acumulam-se nas arcas ocultas nas
entranhas da Terra/Mãe.
São tesouros sem preço, que sustentam
a Vida;
São fios de prata serpenteando
por entre colos fecundos;
Vestem o corpo da terra com
trajes coloridos de vaporosas sedas
Tecidas com fios de alegria, cor,
beleza e abundância.
Ou deslizam atabalhoadamente sobre o
seu rosto enrugado
Correm enfurecidas, selvagens, sem travão,
E rasgam sulcos profundos sobre o seu corpo mártir.
E rasgam sulcos profundos sobre o seu corpo mártir.
Arrasam, destroem, matam a vida e tudo que lhes faça frente
E seguem rumo a destinos incertos.
E seguem rumo a destinos incertos.
São fealdade, tristeza,
sofrimento;
São a destruição em movimento...
Marcam o rosto da Terra/Mãe com
marcas profundas
E destroem os seus filhos sem
compaixão.
O céu derrama copiosas lágrimas sobre o rosto da terra.
A dualidade as define. São moeda
de duas caras:
Quais pintoras exímias pintam
quadros de requintado encanto,
Sobre telas de linho, em paleta de
cores aprimoradas com génio.
Primaveras renascidas... Renovação… Alegria!
Brilho maternal no olhar da
Terra/Mãe sobre seus filhos queridos!
Ou, como perversos carrascos, desferem golpes profundos no rosto da Terra/Mãe.
Ou, como perversos carrascos, desferem golpes profundos no rosto da Terra/Mãe.
Marcam o seu rosto com sulcos de
tristeza, sofrimento, destruição…
E destroem os seus filhos sem pudor
nem compaixão.
Nesta sua dualidade, são bênçãos e são vida!
Da vida são o cerne e a medula.
Ou são o cancro, que ataca e destrói a beleza da vida e a própria vida.
Ou são o cancro, que ataca e destrói a beleza da vida e a própria vida.
05/01/2016 – 6h 12m
Jeracina Gonçalves
sábado, fevereiro 27, 2016
NAS FLORES DA BEIRA DO CAMINHO
Aquele olhar longínquo, líquido, intenso
De olhos vindos de dentro, dos
olhos do coração
Olhar profundo. Constante
Resplandecia nas flores da beira
do caminho
Intenso e belo como um rio
fluente que desce da montanha
Espraia-se sobre as várzeas
verdejantes da planície
Sereno e belo, como um rio fluente,
de água clara e pura
A brotar vida e cor na planície
ribeirinha
Profundo. Liquido. Constante.
Profundo. Liquido. Constante.
Brotou vida e cor na planície árida
do meu coração
Olhar intenso. Líquido. Constante.
Resplandecia nas flores da beira
do caminho
Em qualquer sítio, a qualquer
momento, a qualquer hora
Intenso. Líquido. Constante.
Resplandecia nas flores da beira
do caminho
Como pendentes de cristal sob o
olhar puro do sol
Num amanhecer lavado de Primavera
Intenso. Líquido. Profundo...
Escavou bem fundo, nas profundezas
do meu ser
Tomou o meu coração como coisa
sua.
Olhar emergente: dono e servo.
Resplandecente nas flores da
beira do caminho.
Jeracina Gonçalves
sexta-feira, janeiro 01, 2016
INTROSPECÇÃO
Hoje desci a montanha desde o cume até à base.
Errei p’las veredas, ziguezagueando entre penedos
pela vertente descendo. Percorri belos carreiros,
belas paisagens, serenas, rústicas, amenas,
de odores embriagantes. Toldaram o meu olhar
com a névoa
emergente do íntimo do meu coração.
Errei por outros carreiros…
Alguns, esburacados pelo tempo, pela ação da erosão.
Alguns, angustiantes
Pejados de pedregulhos a resvalar para o abismo.
Pejados de pedregulhos a resvalar para o abismo.
Parei em patamares que me pareciam seguros.
Desfrutei de paisagens belas com profunda emoção.
Acalentaram meus sonhos, aqueceram o meu coração.
Desci por desfiladeiros estreitos,
Apertados entre as rochas da montanha:
Apertados entre as rochas da montanha:
Arranharam o meu corpo e mais me feriram a alma!
Feridas grandes, profundas… difíceis de cicatrizar.
Vi-me exposta sobre abismos. Temi não ultrapassá-los.
Visionei vales fecundos, que tive como certos
e julguei nunca perdê-los.
e julguei nunca perdê-los.
Fui errando, em ziguezague descendo...
Quer subindo, quer descendo,
Conforme a posição dos rochedos que tive pra circundar.
E cheguei ao vale estreito, acanhado, no fundo do desfiladeiro.
Vale estreito, apertado, na base da montanha.
Corre lá, porém, um rio, de águas calmas, serenas
sob a luz do etéreo azul, no qual creio, e muito amo.
E o vale, dentro de mim, é verde, cor da esperança,
irrigado por águas límpidas, serenas, tranquilas…
Crescem lá flores silvestres, muito simples, muito belas,
que eu quero preservar dos ventos frios e agrestes
E até de alguns tufões que poderão dimanar.
01/01/2016
Jeracina Gonçalves, Barcelos/Portugal
terça-feira, dezembro 22, 2015
NATAL
Naquela Noite, lá
longe, em terras da Palestina
num curral, entre
animais, Deus se fez Menino
numa mensagem de Amor, Paz e Fraternidade.
Essa Mensagem Divina
trazida p’lo Deus/Menino
vive na palavra
singela, saída do coração
aos que sofrem, em si, o
peso da solidão
vive num beijo no
rosto, vive num aperto de mão
vive na mão que afaga
a criança mal-amada
vive na mão, que agarra
aquela outra mão
já sem ânimo, sem
alento, para continuar a jornada
vive no gesto que
acarinha e põe um sorriso no olhar
daquela criança
sozinha que da rua faz seu lar
vive no olhar doce,
cordato, do manso coração
vive no abraço aberto ao outro, nosso irmão,
sem nome, sem cor, sem
credo, sem raça
em cada dia que passa, com
a Paz no coração.
Natal é Amor!
É Paz no coração!
Jeracina Gonçalves
sábado, dezembro 19, 2015
sexta-feira, novembro 06, 2015
A SALA VAZIA
A sala está vazia
fria
entre as quatro paredes brancas
desmaiadas
rasgadas por duas janelas quadradas
e uma porta.
Pela porta chegam-me vozes…
Vozes indistintas.
Vozes trazidas do tempo da memória.
Multiplicam-se… Crescem…
Enchem de sons aquela sala vazia
De paredes desmaiadas.
Enchem-na da sã alegria
De risos e gargalhadas
De vozes que se atrapalham…
E todo o encanto d’outrora
Enche aquela sala vazia
De paredes desmaiadas
Tão cheia e aconchegada
Guardada no meu coração
Dos tempos que já não são
Trazidos à minha memória.
E aquela sala vazia
De paredes desmaiadas
Aquece o meu coração.
Jeracina
Gonçalves
segunda-feira, outubro 26, 2015
A INSÓNIA
O dia aproxima-se devagar.
Com seu manto nacarado
Engole a escuridão
E sobe lentamente as escadas do dia.
Cansado da noite sombria
De há tanto esperar o dia
O meu coração
Para o dia estende a mão.
Saúda-o com alegria.
Há longo tempo esperava
Que chegasse a madrugada.
Tenho saudades do tempo
Em que a madrugada
Subia as escadas
Com um sorriso maroto
E trazia ao meu coração
A alegria
De um dia
Carregado de emoção.
Tenho saudades do tempo
Em que a vida era curta.
Liberta das preocupações da vida.
Decorria, dia a dia,
Entre risos, brincadeiras…
E muita, muita Alegria.
E muita, muita Alegria.
Fiolhais
19/10/2015
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