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domingo, março 26, 2017

“O Outono é uma segunda Primavera…”,

“O Outono é uma segunda Primavera…”, dizia Albert Camus. 
Eu digo: a Primavera transformou-se em Inverno, com todos os inconvenientes que daí advêm para a germinação e frutificação das plantas. 
As fruteiras floridas, com a neve fora de tempo, o granizo, a chuva e o vento forte ficam despidas de flores e, em mais um ano, a frutificação não acontece.
Estive no domingo passado na minha aldeia transmontana. 
Durante a semana havia tido temperaturas de 25 graus. As cerejeiras e as ameixoeiras estavam carregadas de flor. 
Na terça-feira seguinte um manto branco, lindo, cobria toda a região. 
Bonito, mas negativo para essas fruteiras carregadinhas de flor.
Jeracina Gonçalves
23/03/2016

domingo, dezembro 25, 2016

NOITE DE CONSOADA


NOITE DE CONSOADA

Sobre a toalha da mesa, nesta Noite de Consoada,
Espalho as pétalas secas das rosas que tive na mão.
Seu aroma amarfanhado traz-me dos tempos d’então
A azáfama da cozinha nesses tempos que já não são.
Os bolinhos de “calondro”, que fritava às colheradas
A aletria, o leite-creme, as farófias e  as rabanadas.
O bolo-rei era o rei nesses tempos abençoados
Quando  era  fácil o riso soltado às gargalhadas
A seguir pela noite dentro,  ao ritmo do coração.
Meus olhos alagam-se no mel que mana do meu coração!

E o meu olhar orvalhado recua mais no passado:
Farófias, aletria, leite-creme, rabanadas…
E os bolinhos de “calondro, de que eu tanto gostava.
Com a salsa fresca da horta, os bolinhos de bacalhau
Eram também um petisco que meu pai não dispensava
Nessa noite fria e santa - a Noite de Consoada.
Temperada com hortelã, a açorda de bacalhau
Muito fina e rarefeita, ao cozido dava entrada,
Nessa noite santa e fria - a Noite de Consoada.

Rapa, tira, deixa, põe, entre risos gargalhados
e cantares ao Deus-Menino
Amêndoas e confeitos passavam de mão em mão
Até que o sono chegava, rapa/tira…, par/pernão
Nessa noite santa e fria era passado o serão
Sem presentes na chaminé, na bota ou no sapatinho…
Não havia Pai Natal nem presentes do Menino.
Havia muita alegria, muitos contos e cantares
Nessa noite santa e fria, a Noite do Deus/Menino,
Noite de grande alegria e muito amor no coração!

Jeracina Gonçalves
Noite de Consoada/2016

quinta-feira, dezembro 15, 2016



    F E L I Z   N A T A L 2016               FELIZ NATAL 
FELIZ   NATAL                               F E L I Z   
N A T A L 2016


Entre a vaca e o burrinho
Pobremente
num curral
Carne e osso coração…
Como qualquer menino
Nasceu o Menino Divino.

Não era um menino qualquer.
Era Deus feito Menino!
               
Filho de Deus, O Divino   
Na Terra se fez encarnar                   
Para ensinar-nos o Amor
Uns aos outros perdoar
Caminharmos de mãos dadas      
Até ao seu Reino Divino.

Não era um menino qualquer.
Era Deus feito Menino!

Nesta Festa de Natal
Vamos todos dar as mãos
Vamos com alegria cantar
 Os Parabéns ao Menino.
                                                                    Jeracina Gonçalves
                                                                                          (imagem da internet)

sexta-feira, novembro 18, 2016

CREPÚSCULO



Na música do entardecer
chegam-me mensagens ocultas
dos aromas, sons e cores
que enfeitaram o meu dia
deram tessitura à minha vida
neste refúgio tão meu.
Dádivas que não perdi
e alcançam os meus sentidos
servidas com o primeiro grito d’alvorada.


Jeracina Gonçalves
Novembro/2016


sábado, novembro 05, 2016

 O OUTONO CHEGOU

"O luzeiro do céu perfura a névoa orvalhada
Incendeia o horizonte matinal"
Da orquestra do amanhecer aplaude concerto divinal;
O sol adoça o olhar sobre o corpo moreno do prado.
Uma energia calma, terna, lentamente se instala
Envolve a Natureza… e, nesse tempo marcado,
Renova-lhe o ânimo, a formosura, e seus frutos arrecada:
Atulha arcas, atulha silos,…Os seus frutos arrecada!
É o Outono que chega. Com seu jeito calmo e terno
Veste a Natureza com um belo pijama dourado
Com turmalinas e rubis no seu tecido incrustados.
E na abóbada celeste, manchada de cores irisadas,
Ressaem, em formatura, bandos de silhuetas aladas
Em busca d’outros cais… d’outros ramos e beirais
Onde o sol beija forte…
E da árvore escarlate, de vigia na berma da estrada,
Na mão da mansa brisa solta-se a folha dourada:
Rodopia,… rodopia,…  na mão da brisa mansa
Rodopia em espiral e cai morta sobre o chão
Sobre outras, já cadáveres, em início de putrefacção.
(Húmus que alimenta a terra, energia de renovação)

 O outono caminhando… no tempo envelhecendo…
A sombra desce mais cedo, cresce sobre o corpo do tempo.
Com seus braços de liana rouba-lhe brilho… rouba-lhe luz…

O outono caminhando… no tempo envelhecendo…
No silêncio das lembranças navega a nostalgia…
Relembra histórias vividas de antigos amores ardentes.
Lembranças de um tempo, que no tempo caminhou,
Deixou marcas do seu olhar aceso, no corpo das coisas
Que, no tempo, o seu olhar beijou.

E o outono caminhando…no tempo envelhecendo…
Resta velho rabugento, sem romantismo nem graça.
De olhar frio e severo, pouco a pouco endurecendo,
Desnuda a Natureza sem remorso ou compaixão.
Folha… a folha… pelo chão…
O pijama que lhe dera quando tinha coração.
Nua e triste…
Exposta à dureza da gélida estação,
A Natureza adormece.
Busca ânimo e vigor para o seu rejuvenescer.

Jeracina Gonçalves
17/10/2016

segunda-feira, outubro 17, 2016

...ENTRE VIZINHAS


Em certo dia de Outono
Encontraram-se lá na quinta
A vindima e a desfolhada:

- Como vai, ó Desfolhada?

- Ando triste, amiga minha
Sinto-me muito sozinha
Sinto-me abandonada!...
Já fui alegria nas eiras
Com cantares ao desafio
Em despiques bem picantes
E rapazes e moçoilas
Desnudando espigas loiras
Trocavam olhares provocantes.
Se o milho-rei aparecia
Havia grande alegria
Muitos beijos e abraços...
E hoje..., amiga minha,
Sinto a tristeza na alma,
Sinto o cansaço nos braços!..

-Ó vizinha, tenha calma!

Já fui danças, já fui risos,
E fui palco de emoções:
Rapazes e raparigas
Despindo as loiras espigas
Soltavam os corações.
Havia grande alegria,
Muitos beijos e abraços...
E hoje..., amiga minha,
Sinto a tristeza na alma,
Sinto o cansaço nos braços!...

- Olhe para mim, Desfolhada:
Acha que sou o que fui?
Da faina alegre dos campos
Eu fui, no Outono, a rainha!
Gente, em alegres ranchos,
Percorria campos e vinhas
E ia cortando os cachos
De uvas boas… docinhas…
E enquanto enchiam os cestos
De uvas negras e douradas
Repercutiam-se nos ares
Suas vozes cristalinas
E sadias gargalhadas.

Às estradas e caminhos,
Dei magia, dei encanto.
Num passo forte e marcado,
Entoando mágico canto,
Os homens, em carreirinha,
Transportavam cestos vindimos
De uvas bem madurinhas...

E os carros de bois a chiar,
Com as dornas a abarrotar,
De uvas brancas e pretas,
Espalhavam pelo ar
Novo som a acrescentar
À fantástica sinfonia
Desse tempo de magia.

E à noite, nos lagares,
Fui alegria, fui música,
Fui desgarradas, cantares...
Espalhei contentamento
E gargalhadas no ar!...

Ó Desfolhada..., por Deus!
Não desespere, assim!
Fomos importantes p’rás gentes.
Fomos prazer, alegria...
E deixámos lindas lembranças
Nos velhos, jovens, crianças
Que nos viveram um dia!

As nossas vidas foram belas!
(Tanto a sua, quanto a minha.)
E os que nos viveram, recordam
Com Amor e nostalgia
A Vindima e a Desfolhada
Alegres! Bem animadas!
Como já foram, um dia.

Este poema foi escrito há muitos anos. 
Hoje apeteceu-me fazer uma busca pelo baú das antiguidades...
Jeracina Gonçalves

domingo, outubro 16, 2016

QUADRAS SOLTAS


O Outono bate à porta
Vem em boa companhia
Traz consigo uvas e nozes
Castanhas e muita alegria!

Riem nos soutos ouriços
Sobe um fuminho no ar
Fura-se o pipo na adega
Saltam castanhas no lar!

Dos ouriços sorridentes
Soltam-se, rodopiam no ar,
Belos e brilhantes pingentes:
A boa castanha p´rá assar!

As castanhas na fogueira
Já começam a estrondear
Entremos na brincadeira
Vamos cantar e dançar!

Castanhas e sal no centro do fogo:
Castanha a saltar, o sal a estalar...
Abraça a fogueira e entra no jogo
É tempo de rir, cantar e brincar.
Jeracina Gonçalves
"1N" JANELA ABERTA

sexta-feira, outubro 07, 2016

NAS MARGENS DO DOURO


A Natureza em mudança
borda agora um novo manto
vistoso, cheio de encanto,
em musselina esmeralda
bordada com fios de ouro
e pedras de turmalina.

Nesse manto-tesouro
nesse manto verde e ouro
matizado de rubi,
manto de rara beleza,
envolve-se a Natureza
tal e qual mulher garrida
da sua beleza orgulhosa.

A Natureza, assim vestida,
encantadora e vistosa,
mira, então, a sua imagem
no cristal das suas águas:
Esplêndida miragem!
Que fiel reprodução!

É assim a Natureza:
Sempre mágica, atraente,
com um encanto diferente
                   ao longo de cada estação.
Jeracina Gonçalves
"in" Janela Aberta

domingo, agosto 21, 2016

"Muda-se a Lei"

Não sou de Esquerda, nem de Direita. Sou pelo meu País. Sou por tudo o que me pareça melhor para os cidadãos do meu País.
Sou por leis que promovam o emprego e valorizem o esforço e o trabalho de cada um; 
sou por leis que promovam uma Educação de qualidade, com respeito por professores e alunos;
sou por leis que promovam uma Justiça justa, igual para ricos e pobres: 
sou por leis que promovam uma boa qualidade de saúde, em que todos possam ser tratados em tempo útil;
sou por leis que promovam a economia, apoiem a criatividade, o dinamismo e o empreendedorismo do cidadão...
Enfim: sou por leis que promovam uma melhor qualidade de vida do meu País, venham de quadrantes políticos da direita ou da esquerda, não importa. Não me importa de onde venham. Apenas o seu efeito sobre o meu País, sobre os cidadãos do meu País merece o meu apoio ou a minha rejeição.
Ora hoje ouvi algo que me chocou  profundamente: "Muda-se a Lei".
Muda-se a lei para que cidadãs e cidadãos propostos para integrarem os Corpos Directivos da Caixa Geral de Depósito, rejeitados por Bruxelas por não poderem acumular  funções, possam ser aceites?
Então as leis mudam-se conforme os interesses de determinadas pessoas ou grupos?

Ah! Aqui sou de Esquerda. Sem dúvida. E apoio sem reticências as palavras que ouvi a Catarina Martins e a Jerónimo de Sousa.
Jeracina Gonçalves
21/08/2016

domingo, agosto 07, 2016

DEUS É AMOR

DEUS É AMOR
O medo apodera-se do mundo atual. Destrói a convivência sadia entre vizinhos que se respeitavam e estabeleciam entre si relações de amizade, de camaradagem  e, agora, porque pertencem a religiões diferentes, olham-se por cima do ombro, desconfiados e medrosos: nunca se sabe de onde chega a catana, a faca, o tiro, o camião desenfreado para abalroar quem esteja por perto. E o medo estabelece o caos, a incerteza, a desconfiança, e pode levar à radicalização entre as religiões. 
Se não tivermos cuidado e nos deixarmos arrastar por emoções menos positivas de retaliação, podem criar-se situações muito perigosas para a Humanidade. E não tenhamos dúvidas que é essa a intenção dos terroristas, com estes ataques solitários, perpetrados aqui e além por um só indivíduo - como ultimamente tem acontecido -, nomeadamente o de ontem com uma faca de mato a duas polícias belgas.  
Com estes atos solitários pretendem e esperam conseguir fazer-nos sentir vulnerabilidade e inquietude onde quer que estejamos. Consciencializar-nos de que o perigo pode chegar de qualquer lado e que poderão sempre chegar até nós, estejamos onde estivermos. 
Por mais cuidados que tenhamos nunca poderemos saber se esse fulano ou aquela fulana, que calmamente cruza connosco, não carrega a arma e a intenção de matar. E esse sentimento de medo e de desconfiança é dolorosamente negativo e perigoso. Pode arrastar consigo um sentimento de vingança, de retaliação, que seria desastroso para a vivência da Humanidade.
Há que ter muito cuidado para  não nos deixarmos entrar nesse barco perigoso, no qual todos naufragaríamos.
Jeracina Gonçalves

7/08/2016