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segunda-feira, julho 14, 2014

DÚVIDAS…


Sem nada o fazer prever, sem qualquer feito que o anuncie, alteram-se as relações entre as pessoas, alteram-se os comportamentos, altera-se o sentido das palavras trocadas, o tom e a forma como são pronunciadas, como se uma qualquer força, uma qualquer energia desconhecida, vinda não se sabe de onde, atue em nós e no ambiente em que nos movemos, independentemente da nossa vontade. Do mesmo jeito que hoje temos o coração terno, doce, carregado de amor, amanhã mostra-se sombrio, agressivo, amargo e amargurado, carregado de ansiedade, sem que para isso tenham contribuído qualquer ato ou quaisquer forças reais percetíveis aos nossos sentidos. 
Qual o porquê dessas forças demolidoras que, por vezes, sentimos à nossa volta e em nós, e dominam a nossa vida e as nossas ações contra a nossa vontade, sem termos a menor perceção da sua chegada? Que tipo de energia cósmica nos domina e controla? Serão, realmente, influências planetárias, como nos é transmitido pela astrologia, por muitos denominados de “fantochada”, “charlatanismo”, “crendice”? Estarão essas forças muito mais presentes no controle das nossas vidas do que queremos crer? Terão os astros uma influência real sobre as nossas vidas e os nossos destinos? Será que os planetas, os cometas, as estrelas… e todas as energias que nos cercam e constituem o cosmos em que nos inserimos e movemos, influenciarão muito mais a nossa existência do que o que queremos acreditar? 
Nós somos energia. Disso não tenho a menor dúvida. Somos energia pura enformada neste invólucro físico, que é o nosso corpo. Mas que, por vezes, se solta e se evolua no espaço alado. 
E, como nos foi dado estudar na Física, as energias atraem-se ou repelem-se. 
Ou seja: têm influência umas nas outras…                                                                               

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal

quarta-feira, julho 09, 2014

COISAS SIMPLES


Aquela roseira tão bela, que comigo plantaste
Vive triste e sem verdor, entre tojeiras e silvados, 
No canteiro abandonado tomado por ervas ruins
Que no tempo aconteceram e tomaram o jardim.

O  meu coração, pesado, anseia por coisas belas
Pra meus olhos deslumbrar. Coisas simples, singelas
Como um campo de flores, o sol a morrer no mar
A lua com seu luar sobre superfície do mar…
Anseio por coisas belas pró meu coração encantar.


Jeracina Gonçalves
2/07/2014

terça-feira, julho 08, 2014

A VIDA




Se sentes a vida brotar no fundo do teu coração
dá-lhe espaço
dá-lhe o norte por onde se possa alargar
expandir sua energia
dar-se expressão.
Criar!
JG

sábado, julho 05, 2014

A INSÓNIA


Fui botada ao abandono  por Hipnos, reparador e amigo, que tanta falta me faz.
O melhor é levantar-me e ir até ao computador. Quem sabe se aí me surgirá qualquer ideia que consiga desenvolver com algum sentido, me envolva e me torne menos pesada e dolorosa esta pena imposta por Hipnos & Companhia. Ou talvez fique comovido com este meu desassossego e me levante esta pena tão dura, e me abra caminho para o seu regaço acolhedor e reconfortante.
Vou para o escritório. Vou centralizar todos os meus sentidos num único objectivo: ouvir o silêncio inerente a um compartimento, sem ninguém, além mim. Gosto de ouvir o silêncio.
Se soubermos escutá-lo, verificaremos que são inúmeros os sons que o enchem. 
Sons que geralmente nos passam despercebidos, mas estão presentes em qualquer ambiente, por mais silencioso que pareça, se nos concentrarmos e nos predispusermos a ouvi-los e a entendê-los. E podem até comunicar-nos e dar-nos a conhecer saberes importantes. 
E, muitas vezes, permitem-nos a evasão, o sonho, e levam-nos a viver situações fantásticas, criadas pela nossa imaginação.
Neste momento preciso dessa evasão; preciso dessa fuga providencial que dê algum calor e conforto ao meu coração, fazendo-o viver momentos especiais, que o façam vibrar e o ajudem desprender-se desta corrente sufocante que o aprisiona e me atemoriza.
Centro a minha atenção neste espaço do escritório e um zunir impressionante, como se um grupo de abelhas - não digo enxame, porque o zunido seria muito mais intenso - andasse por aqui na colheita do pólen, voando de flor em flor, fere o meu ouvido atento. E quanto mais me concentro neste espaço, mais intenso se torna o zunido em meu redor. Julgo que vem do próprio computador obedientemente ao meu serviço; mas a consciência exacta de onde me chega, não a tenho. Está por aqui....à minha volta, e derruba os muros que me enclausuravam e leva-me até às margens verdejantes e floridas de um lago muito azul, onde esvoaçam passarinhos coloridos e abelhinhas atarefadas pousam de flor em flor na recolha do pólen, que carregam nas patitas até à colmeia. E essas imagens começam a colorir a minha alma e a dar energia ao meu corpo cansado pela insónia.
Mas o espaço do meu escritório já não é suficiente ao meu exercício de concentração. Preciso de alargar o espaço de concentração para lá da janela fechada, com vidros e vidraças duplas.
Fecho os olhos. Concentro-me no espaço que fica para lá de janela, e chega-me então a mistura de muitos outros sons. Mas o chilreio dos pássaros é sem duvida o mais dominante: um… outro… e outro…
Acabaram de acordar e ocupam-se em cuidar de si, da sua higiene matinal e do seu desjejum. 
Não são porém os únicos sons que me chegam do lado de lá da janela fechada; outros se destacam também. E o som da brisa matutina a ressoar nos ramos, que dançam ao ritmo do seu desejo, chega também aos meus ouvidos e à minha mente atenta; um galo canta…
São os sons do amanhecer. Os sons do despertar para mais uma jornada que chegam até mim: uns mais agudos, mais graves outros; uns mais audíveis, outros mais surdos, todos fazendo parte da maravilhosa sinfonia de um dia ao acordar.
O som forte do motor de um automóvel predomina agora. É o carro do vizinho com o motor a trabalhar. Começa a rodar e desaparece pouco a pouco na distância, como um fumo intenso, que sai da chaminé e logo se espalha e desaparece levado pelo vento, deixando de novo o ar limpo e o céu azul.
Um toque estridente da campainha da minha porta fere agora os meus ouvidos.
É, certamente, a empregada que chega. Vou abrir.
Jeracina Gonçalves


quarta-feira, julho 02, 2014

PÉS FERIDOS


Caminho descalça sobre brita angulosa derrubada no meu caminho
Meus pés ulcerados, sangram abundantemente
e,  doridos, temem a gangrena que os possa derrubar.
A dor atinge-me as entranhas e quer tomar o meu coração.
Meus pés ulcerados, sangram abundantemente,
clamam por repouso. Na caminhada, uma trégua.
Preciso de  limpar e aplainar o caminho da jornada:
Preciso de varrer a brita que faz o piso rugoso,
endurece a caminhada e ulcera os meus pés. 
Meus pés, ulcerados, anseiam por unguentos balsâmicos.
Meus pés ulcerados anseiam por unguentos que acalmem sua dor.
Jeracina Gonçalves
2/07/2014

domingo, junho 22, 2014

O dia adormeceu tristonho, com lágrimas doces e silenciosas a banharem-llhe o rosto nostálgico.

Jeracina Gonçalves
22/06/2014



A VIDA ACTUAL


A vida actual é uma correria tão louca na ânsia de angariar bens materiais, que nos esquecemos de dedicar alguns minutos do nosso tempo aos que estão por perto e precisam da nossa atenção. E, se calhar, nem seria necessário muito tempo para dar um beijo, um abraço, ou dizer uma palavra amável àqueles que sofrem a nossa falta de atenção; mas, de tão obcecados que andamos com as coisas materiais, neste lufa-lufa constante, tantas vezes condicionado pelo consumismo, pela “necessidade” de angariarmos mais e mais e mais para não ficarmos atrás dos outros, nem nos apercebemos da solidão a que botamos os que nos são próximos.
Para os de fora temos de manter a imagem. Há sempre tempo, esquecendo que a afectividade, a amizade, a solidariedade entre as pessoas nas relações familiares e, também de amizade, são o que há de mais importante na vida do Ser Humano. São o que lhe dá o Ser.
E esquecem-se os filhos, que cobrimos  muitas vezes de coisas supérfluas e alienatórias da formação de uma personalidade forte, livre, justa, coerente, na tentativa de os compensarmos pela falta de tempo que lhes disponibilizamos. Quando, o que mais desejariam e do que mais precisavam para a sua formação como pessoas, seria de alguns minutos do nosso precioso tempo para brincarmos e conversarmos com eles, ouvi-los, orientá-los e guiá-los pelas encruzilhadas da vida com o nosso exemplo, o nosso conselho amigo, o nosso afeto; esquecem-se os pais, de quem nos lembramos, apenas, se deles precisamos para alguma coisa. Nem nos passa pela cabeça que possam sentir-se sozinhos e que, a nossa voz, mesmo que distante, apenas pelo telefone, poderá ser a chama que lhes acenda no olhar a luz da alegria e no coração o ânimo e a vontade de viver; esquecem-se os irmãos, os amigos…
Claro que com a actual falta de empregos são muitos os que vivem, hoje, nessa correria louca para angariarem o sustento básico para si e para os seus. Tendo de batalhar em várias frentes e fazer biscates aqui, ali e além, para conseguirem o mínimo necessário à sua sobrevivência e à da sua família: gente batalhadora, de alma forte, a quem as dificuldades não vencem. E sobra-lhes pouco tempo para conviver ou para dedicar ao lazer com os filhos, pais, familiares e amigos. E isso dói-lhes na alma e fá-los sofrer. Mas, infelizmente, não podem alterar o ritmo das suas vidas sem que o colapso económico aconteça. Terão de continuar assim para poderem continuar a alimentar-se, a vestir-se, e a alimentar e vestir os filhos, e dar-lhes um teto sob o qual possam crescer.
E há, infelizmente,  nos tempos atuais, os  que têm até tempo demais, mas é um tempo já doente, de tão massacrado pelo tempo de espera por um emprego, que lhes dê sustento e dignidade.
É um tempo que não traz nem gera benefícios para ninguém: fruto do desemprego prolongado, alimentado com deceção sobre deceção, foi tomado pela depressão e, em muitas situações, pelo vício e até pelo crime.
Uns têm demais e muitos outros não têm nada.
Em linhas gerais e simplificadas, julgo ser este um retrato muito aproximado da vida atual.  
Jeracina Gonçalves
22/06/2014


PS - Dei agora com este texto iniciado numa das pastas do meu computador. Não sei desde quando está começado. Resolvi acabá-lo e publicá-lo; não me parece fora do tempo, infelizmente. JG

sexta-feira, junho 20, 2014

E A MÃE,  VIGILANTE, CUIDA DA SEGURANÇA DOS FILHOTES, ENQUANTO ESTES SE ALIMENTAM NOS CHARCOS DEIXADOS NA FOZ DO RIO PELA MARE BAIXA.

terça-feira, junho 17, 2014

ALTO DOURO




Subindo contra a corrente
Trepam meus olhos rochedos
Vestem-se de risos  de medos
Galgam colinas outeiros
                            Escondem-se nos desfiladeiros
Alcançam o azul celeste
Domam a escarpa agreste
Descem por outro lugar
                            Pousam de altar em altar
Mergulham nas águas do rio
Que correm da serra para o mar.

Alto Douro Vinhateiro
Teus encantos e belezas
                            Apresam meu coração 
                            Fascinam o meu olhar!

Jeracina Gonçalves

domingo, junho 15, 2014

DOURO, POEMA DE AMOR


Douro, Jardim Encantado, 
és um poema de amor
da alvorar ao sol-pôr
inscrito n’arriba escabrosa;
obra de artistas sem nome 
mourejando sol a sol.

Douro, Jardim Encantado
és uma prece ao Senhor
gravada a sangue e a suor 
de homens em busca de pão 
numa peleja, sem tréguas 
contra o exército de fragas.

E de batalha em batalha 
os homens vencem a guerra
contra o exército de fragas 
contra o exército das pragas
fazem um jardim encantado
a trepar para o etéreo  

Tuas escarpas/jardim, 
visionadas à distância,
são cataratas d'esperança 
a tombarem sobre o rio
matizes resplandecentes 
de safiras e esmeraldas;

Das tuas escarpas/jardim 
brota vida, brota cor
brotam néctares de deuses 
de deleitosos sabores.
Douro, Poema de Amor, 
do alvorecer ao sol-pôr!

Prece, Poema, Canção 
cantada pelas águas do rio
que levam da serra pró mar 
teu sangue… teu coração…
Douro, Tesouro da Humanidade, 
és Troféu de Guerreiros
regado de sangue e suor 
do amanhecer ao sol-pôr!
 Jeracina Gonçalves
25/05/2017