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sábado, fevereiro 07, 2015

ÁRVORE FERIDA

A árvore dolente, magoada, ferida
Amarfanhada em seu cerne, em seu âmago
Sente a infâmia da ingratidão em seu redor
Rói-lhe o cerne
Rói-lhe a força que a faz dar-se
E multiplicar-se numa entrega total de si
Num ato enraizado de incondicional amor.

Cerceada de seus ramos
Magoada em seu cerne
A árvore chora, sangra, definha
Sob a névoa carregada a crescer em seu redor
A árvore estiola de tristeza, de solidão e de dor.

Injustiçada, fragilizada na sua força vital
Submete-se às intempéries de gélido inverno:
Congela-lhe a seiva,  furta-lhe o ato de respirar.
E a árvore deixa-se exaurir da força do Amor
Que dela foi suporte, esteio, escora forte
Que a todos escorou e de todos foi suporte.
Jeracina Gonçalves
06/02/2015

sábado, janeiro 31, 2015

MÃOS VAZIAS


Já caíram as flores da amendoeira sobre a relva do prado
O rio corre mais lento entre os contrafortes  da loucura
Espraia-se, solitário, na planura árida por onde corre a névoa
Que  desce por entre os meus olhos e se me afoga na garganta.
Lá longe fica o mar: o mar enorme, o mar azul, o mar profundo.
O mar iluminado por um sol esplendoroso, a resplandecer
De entre as muralhas de um tempo, que se foi como areia seca
A esgueirar-se por entre os dedos. Restam as mãos vazias.

Jeracina Gonçalves

quinta-feira, janeiro 08, 2015

AQUELA RUA



Aquela rua contava-me coisas de passarinhos
A cantar aos ouvidos da Lua. Coisas de encantar.
Coisas, que fazem o meu coração estremecer
De volúpia e de prazer, em cada recordar
E libertam em mim a capacidade de sonhar!

Jeracina Gonçalves

domingo, janeiro 04, 2015

CORES DO AMANHECER

EXORTAÇÃO…


Não olhes o passado com dor
busca nele a força para olhares o futuro
sem temor, com determinação e muito amor.

Rega a tua alma com a água cristalina
da cascata a despenhar-se do alto da  montanha;
banha o teu corpo na água límpida,
saltitante de pedra em pedra,
do riacho que corre pela encosta do sonho;
inebria os teus sentidos caminhando entre as flores coloridas
dos campos da beira do rio;
delicia os teus ouvidos no gorjear dos pássaros
tecendo sonatas de amor;
no tagarelar da criança que vive em ti
correndo do baloiço pró escorrega
daí, pró cavalinho, lá no parque do jardim…

Luta pela verdade que enche teu coração.
Ainda que seja quimera
nela está a força, que será a tua força
para prosseguires, sem desânimo, o teu caminho.

Não poderás mudar o mundo.
Se fizeres a tua parte, sem desmaio, sem cansaço,
sempre haverá alguém a seguir tuas passadas.
Jeracina Gonçalves
Do livro para publicação"À DERIVA"

quinta-feira, janeiro 01, 2015

ANO VELHO/ANO NOVO

O Velho fechou a porta.
Roto
esfarrapado
parte triste
envergonhado do que viu em seu tempo acontecer:
tanta fome
tantas guerras
malquerenças
tanta incúria e maldades praticadas.

Tanta incúria e maldades praticadas
sobre gentes desditosas
sofredoras...
Tantas alegrias e esperanças traídas
vítimas da ganância dos poderosos do mundo;
tantas mães de olhar atormentado
desesperado
sem migalha para aos filhos acudir;
tantos pais de olhar arrebatado
em seus braços corpos ensanguentados 
de seus filhos de olhos para sempre fechados…
Perversidades...
Ignomínias de gentes mal formadas
egocêntricas
egoístas
desprezíveis!
Torpezas dos donos das nações
pútridos
infetos!
Atiram seus congéneres aos leões
alheios a quaisquer razões
que não sejam os infetos tostões.

Parte o Velho todo roto,
esfarrapado.
Parte triste, desgostoso…
Envergonhado da maldade,
da peçonha que devasta o Universo.
Secas
na pele do rosto
e para sempre marcadas
remanescentes das lágrimas em seu tempo choradas.
Marcas das desditas
da fome
das guerras
das atrocidades em seu seio praticadas.
Na sacola
em seu ombro pendurada
carrega as alegrias e as esperanças derrubadas.

Chega o Novo
todo de verde vestido
no coração traz os sonhos
os anseios
as esperanças renovadas.

FELIZ ANO NOVO!

Jeracina Gonçalves

segunda-feira, dezembro 22, 2014

O NATAL DA MINHA INFÂNCIA



É Natal no calendário
Nas ruas iluminadas
Nas gentes correndo apressadas
Carregadas de sacolas.
Mas este Natal tão volúvel
Tão fora do sentimento
Tanto aquém do que é Divino
Não é o Natal do Menino…

O Natal da minha infância
Sempre foi Natal Divino
O meu sonho de criança
Era beijar o Menino
Todos em volta do lar
A fogueira a crepitar
Toda a família cantava
Louvores ao Deus-Menino
Na Noite de Consoada
Não se punha o sapatinho

Nessa noite tão Sagrada
Par, pernão, também entrava
Rapa, tira, deixa, põe
Até que o sono chegava
E era então que eu sonhava
DEUS-MENINO na Manjedoura
Entre a vaca e o burrinho
Na igreja de Louredo
Esperando o meu beijinho.

Jeracina Gonçalves

quarta-feira, dezembro 17, 2014

À DERIVA

Sou como um barco à deriva
Neste mar encapelado.
Vogo ao sabor da corrente
Imposta pelo meu coração.
Para onde vou, não sei.
Ravinas e agrestes vertentes
A esmo, em meu redor,
Conduzem-me a lugar incerto...
Não tem caminho ou carreiro
Sentido... orientação...
Para onde vou, não sei.
Neste mar encapelado
Procuro porto, guarida
Mar quieto, calmaria,
Cais, onde meu costado atracar.
Jeracina Gonçalves


domingo, novembro 30, 2014



As árvores do meu quintal, agora quase despidas,
Fazem na relva macia, com a brisa do fim do dia, 
Bailados de encantar, sob o celeste azul raiado
Sulcado por bandos alados, rumo a outros lugares.


Jeracina Gonçalves