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terça-feira, março 22, 2016

AS LÁGRIMAS DO CÉU


O céu derrama copiosas lágrimas sobre o rosto da terra.
Deslizam sobre o seu rosto enrugado
Infiltram-se sob as rugosidades da sua pele
E acumulam-se nas arcas ocultas nas entranhas da Terra/Mãe.
São tesouros sem preço, que sustentam a Vida;
São fios de prata serpenteando por entre colos fecundos;
Vestem o corpo da terra com trajes coloridos de vaporosas sedas
Tecidas com fios de alegria, cor, beleza e abundância.
Ou deslizam atabalhoadamente sobre o seu rosto enrugado
Correm enfurecidas, selvagens, sem travão,
E rasgam sulcos profundos sobre o seu corpo mártir.
Arrasam, destroem, matam a vida e tudo que lhes faça frente
E seguem rumo a destinos incertos.
São fealdade, tristeza, sofrimento;
São a destruição em movimento...
Marcam o rosto da Terra/Mãe com marcas profundas
E destroem os seus filhos sem compaixão.

O céu derrama copiosas lágrimas sobre o rosto da terra.
A dualidade as define. São moeda de duas caras:
Quais pintoras exímias pintam quadros de requintado encanto,
Sobre telas de linho, em paleta de cores aprimoradas com génio.
Primaveras renascidas... Renovação… Alegria!  
Brilho maternal no olhar da Terra/Mãe sobre seus filhos queridos!
Ou, como perversos carrascos, desferem golpes profundos no rosto da Terra/Mãe.
Marcam o seu rosto com sulcos de tristeza, sofrimento, destruição…
E destroem os seus filhos sem pudor nem compaixão.
Nesta sua dualidade, são bênçãos e são vida!
Da vida são o cerne e a medula.
Ou são o cancro, que ataca e destrói a beleza  da vida e a própria vida.

05/01/2016 – 6h 12m
Jeracina Gonçalves

sábado, fevereiro 27, 2016

NAS FLORES DA BEIRA DO CAMINHO


Aquele olhar longínquo, líquido, intenso
De olhos vindos de dentro, dos olhos do coração
Olhar profundo. Constante
Resplandecia nas flores da beira do caminho
Intenso e belo como um rio fluente que desce da montanha
Espraia-se sobre as várzeas verdejantes da planície
Sereno e belo, como um rio fluente, de água clara e pura
A brotar vida e cor na planície ribeirinha
Profundo. Liquido. Constante.
Brotou vida e cor na planície árida do meu coração
Olhar intenso. Líquido. Constante.
Resplandecia nas flores da beira do caminho
Em qualquer sítio, a qualquer momento, a qualquer hora
Intenso. Líquido. Constante.
Resplandecia nas flores da beira do caminho
Como pendentes de cristal sob o olhar puro do sol
Num amanhecer lavado de Primavera
Intenso. Líquido. Profundo...
Escavou bem fundo, nas profundezas do meu ser
Tomou o meu coração como coisa sua.

Olhar emergente: dono e servo.
Resplandecente nas flores da beira do caminho.

Jeracina Gonçalves

PAZ


                               Jeracina Gonçalves

sexta-feira, janeiro 01, 2016

INTROSPECÇÃO

Hoje desci a montanha desde o cume até à base.
Errei p’las veredas, ziguezagueando entre penedos  
pela vertente descendo. Percorri belos carreiros,
belas paisagens, serenas, rústicas, amenas,
de odores embriagantes. Toldaram o meu olhar
com a névoa emergente do íntimo do meu coração.
Errei por outros carreiros…
Alguns, esburacados pelo tempo, pela ação da erosão.
Alguns, angustiantes
Pejados de pedregulhos a resvalar para o abismo.
Parei em patamares que me pareciam seguros.
Desfrutei de paisagens belas com profunda emoção.
Acalentaram meus sonhos, aqueceram o meu coração.
Desci por desfiladeiros estreitos,
Apertados entre as rochas da montanha:
Arranharam o meu corpo e mais me feriram a alma!
Feridas grandes, profundas… difíceis de cicatrizar.
Vi-me exposta sobre abismos. Temi não ultrapassá-los.
Visionei vales fecundos, que tive como certos
e julguei nunca perdê-los.
Fui errando, em ziguezague descendo...
Quer subindo, quer descendo,
Conforme a posição dos rochedos que tive pra circundar.
E cheguei ao vale estreito, acanhado, no fundo do desfiladeiro.
Vale estreito, apertado, na base da montanha.
Corre lá, porém, um rio, de águas calmas, serenas
sob a luz do etéreo azul, no qual creio, e muito amo.
E o vale, dentro de mim, é verde, cor da esperança,
irrigado por águas límpidas, serenas, tranquilas…
Crescem lá flores silvestres, muito simples, muito belas,
que eu quero preservar dos ventos frios e agrestes
E até de alguns tufões que poderão dimanar.
01/01/2016
Jeracina Gonçalves, Barcelos/Portugal

quarta-feira, dezembro 30, 2015



Muita Paz, muita Alegria
Saúde e União
Muito sucesso também
E Amor no coração.


São os meus votos para familiares, amigos e leitores, durante o ano de 2016, que está quase a bater a porta.
Que venha em Paz e encha de Paz o coração do Mundo.

terça-feira, dezembro 22, 2015

NATAL


Naquela Noite, lá longe, em terras da Palestina
num curral, entre animais, Deus se fez Menino
numa mensagem de Amor, Paz e Fraternidade.

Essa Mensagem Divina
trazida p’lo Deus/Menino
vive na palavra singela, saída do coração
aos que sofrem, em si, o peso da solidão
vive num beijo no rosto, vive num aperto de mão
vive na mão que afaga a criança mal-amada
vive na mão, que agarra aquela outra mão
já sem ânimo, sem alento, para continuar a jornada
vive no gesto que acarinha e põe um sorriso no olhar
daquela criança sozinha que da rua faz seu lar
vive no olhar doce, cordato, do manso coração
vive no abraço aberto ao outro, nosso irmão,
sem nome, sem cor, sem credo, sem raça
em cada dia que passa, com a Paz no coração.

Natal é Amor!
É Paz no coração!
Jeracina Gonçalves


sexta-feira, novembro 06, 2015

A SALA VAZIA

A sala está vazia
fria
entre as quatro paredes brancas
desmaiadas
rasgadas por duas janelas quadradas
e uma porta.

Pela porta chegam-me vozes…
Vozes indistintas.
Vozes trazidas do tempo da memória.
Multiplicam-se… Crescem…
Enchem de sons aquela sala vazia
De paredes desmaiadas.
Enchem-na da sã alegria
De risos e gargalhadas
De vozes que se atrapalham…
E todo o encanto d’outrora
Enche aquela sala vazia
De paredes desmaiadas
Tão cheia e aconchegada
Guardada no meu coração
Dos tempos que já não são
Trazidos à minha memória.
E aquela sala vazia
De paredes desmaiadas
Aquece o meu coração.
                                   Jeracina Gonçalves

segunda-feira, outubro 26, 2015

A INSÓNIA

O dia aproxima-se devagar.
Com seu manto nacarado
Engole  a escuridão
E sobe lentamente as escadas do dia.
Cansado da noite sombria
De há tanto esperar o dia
O meu coração
Para o dia estende a mão.
Saúda-o com alegria. 
Há longo tempo esperava
Que chegasse a madrugada.

Tenho saudades do tempo
Em que a madrugada
Subia as escadas
Com um sorriso maroto
E trazia ao meu coração
A alegria
De um dia
Carregado de emoção.

Tenho saudades do tempo
Em que a vida era curta.
Liberta das preocupações da vida.
Decorria, dia a dia,
Entre risos, brincadeiras…
E muita, muita Alegria.
Fiolhais
19/10/2015

domingo, outubro 11, 2015

EU QUERIA ESCREVER UM POEMA

O sol não ilumina o caminho dos prados floridos
A água já não banha as veigas da beira do rio
E a Lua nega-se a derramar o seu olhar prateado
Sobre as veigas moribundas do meu coração;
Mas a chuva a cantar de mansinho para lá da janela…
O canto da chuva para lá da janela
Traz-me à lembrança a voz da criança
E o sonho, e a esperança
Que em mim fervilham e quero alcançar.

Com letras, palavras e frases
começo a manchar
o corpo virgem imaculado
da folha branca, despojada sob o meu olhar.
Despejo em seu seio pedaços que doem.
Pedaços, que de mim, quero afastar.
A minha alma veste a folha branca
desnudada sob o meu olhar
com as lágrimas de cansaço que a prendem ao chão.
Enche-a de letras...
palavras conjugadas em frases que liberta do meu coração.

Eu queria escrever um poema.
Nele derramar todas as lágrimas
todo o cansaço que enche a minha alma.
Vestir com ele a folha branca.
Vestir com ele  todas folhas brancas...
Eu queria escrever um poema que a minha alma não solta.
Prende-o em si, numa dor que magoa.
Na vontade de ser forte quando a dor assola.

11/10/2015
Jeracina Gonçalves, Barcelos/Portugal