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segunda-feira, agosto 14, 2017


A MINHA POESIA

A poesia que eu canto veste-se de cores variadas
Tanto pode ser azul, branca, rosa ou encarnada
Com pode ter cor negra, da cor do negro trovão,
Que assola a minha alma em tempos de trovoada.
Se o sol me aquece a alma, e há primavera no ar
É alegre e luminosa; tem a cor do verbo amar
E o quadro pintado mostra então as cores garridas
Que enfeitam meu coração e abrilhantam meu olhar.
Levada Espaço além, nas asas da imaginação
Abarca todas as cores que nesse meio encontrar.
Todas as cores deste cosmos constantemente a rodar.
Tanto pode ser azul, branca, rosa ou encarnada
Como pode ter cor negra, da cor do negro trovão
Que assola a minha alma em tempos de trovoada.
Às vezes é açucena: branca, pura, sobre toalha d’altar
Às vezes é rosa rubra, ardente, queima-me o coração
Às vezes é transparente, tal e qual a água límpida
Alimenta o verde-esperança que ilumina meu olhar…

A poesia que eu canto tem as cores do universo
em que me movo dia a dia, e dia a dia me cerca
m’atinge com seus dramas, injustiças, cobardias,
mas também com sua luz, suas cores e alegrias!

                Jeracina Gonçalves

   Agosto/2017

sábado, agosto 12, 2017

Subi ontem à minha serra, por onde a minha alma se solta, e voa, apaixonada, qual águia cortando o azul, num voo de liberdade.
Minha alma veio triste.
Falta por lá a  bênção do choro manso das nuvens, que amenize este estio tão ardente e prolongado. 
E as minhas plantas clamam pelo aconchego das gotas bailarinas, que as acariciem, e cantem para elas as belas canções de amor, que as alimentam e fazem felizes. 
Mas não ouvem essa voz maviosa e terna, que lhes apague o  tormento da sede.
Da sede  que  as atormenta. Definham pouco a pouco.
Jeracina Gonçalves
12/08/2017


quarta-feira, julho 26, 2017


Sinopse



Após uma conversa com a Isabel e o Jorge, depois destes terem feito uma viagem de férias à Noruega, a Ana e o Carlos ficaram determinados a fazer essa mesma viagem. Mas as suas vidas viviam tempos difíceis e esperaram três longos anos para poderem realizá-la. Preparam-na cuidadosamente. Teria de ser  perfeita. Contudo, a viagem de avião entre Lisboa e Oslo rebentou-lhes com os nervos e com a paciência. Porém em Oslo tudo se compôs. E dessa viagem restou-lhes emoções inesquecíveis e amigos gravados nos seus corações a tinta indelével.

domingo, julho 16, 2017


16/07/2017.



Hoje é um dia muito triste na minha vida. Faleceu um amigo, um CL, que me ajudou a passar os momentos mais tristes e solitários da minha vida, com os seus maravilhosos e-mails cheios de ensinamentos, de riso puro e espontâneo, de lições de vida, de músicas, de cultura, de viagens por esse mundo além…, que me fizeram sorrir, quando tinha vontade de chorar, que me fizeram esquecer a solidão quando me sentia só…
Sabia-o doente, muito doente, há muito tempo. E todos os dias pedia a Deus que lhe desse ânimo e força para vencer, para ultrapassar o sofrimento. Mas não esperava que se fosse já. Ainda no dia onze me mandou vários mails, e um especialmente lindo.
E há poucos dias pediu-me que lhe enviasse o meu livro, que queria lê-lo.
Estou tão triste por não tê-lo feito logo.
Que o Deus o receba em Seu Seio.
Que seja Luz na LUZ de Deus; que seja Amor no AMOR de Deus; que seja Paz na PAZ de Deus; e que descanse em Paz no sei de SUA LUZ PERPÉTUA.

domingo, março 26, 2017

“O Outono é uma segunda Primavera…”,

“O Outono é uma segunda Primavera…”, dizia Albert Camus. 
Eu digo: a Primavera transformou-se em Inverno, com todos os inconvenientes que daí advêm para a germinação e frutificação das plantas. 
As fruteiras floridas, com a neve fora de tempo, o granizo, a chuva e o vento forte ficam despidas de flores e, em mais um ano, a frutificação não acontece.
Estive no domingo passado na minha aldeia transmontana. 
Durante a semana havia tido temperaturas de 25 graus. As cerejeiras e as ameixoeiras estavam carregadas de flor. 
Na terça-feira seguinte um manto branco, lindo, cobria toda a região. 
Bonito, mas negativo para essas fruteiras carregadinhas de flor.
Jeracina Gonçalves
23/03/2016

domingo, dezembro 25, 2016

NOITE DE CONSOADA


NOITE DE CONSOADA

Sobre a toalha da mesa, nesta Noite de Consoada,
Espalho as pétalas secas das rosas que tive na mão.
Seu aroma amarfanhado traz-me dos tempos d’então
A azáfama da cozinha nesses tempos que já não são.
Os bolinhos de “calondro”, que fritava às colheradas
A aletria, o leite-creme, as farófias e  as rabanadas.
O bolo-rei era o rei nesses tempos abençoados
Quando  era  fácil o riso soltado às gargalhadas
A seguir pela noite dentro,  ao ritmo do coração.
Meus olhos alagam-se no mel que mana do meu coração!

E o meu olhar orvalhado recua mais no passado:
Farófias, aletria, leite-creme, rabanadas…
E os bolinhos de “calondro, de que eu tanto gostava.
Com a salsa fresca da horta, os bolinhos de bacalhau
Eram também um petisco que meu pai não dispensava
Nessa noite fria e santa - a Noite de Consoada.
Temperada com hortelã, a açorda de bacalhau
Muito fina e rarefeita, ao cozido dava entrada,
Nessa noite santa e fria - a Noite de Consoada.

Rapa, tira, deixa, põe, entre risos gargalhados
e cantares ao Deus-Menino
Amêndoas e confeitos passavam de mão em mão
Até que o sono chegava, rapa/tira…, par/pernão
Nessa noite santa e fria era passado o serão
Sem presentes na chaminé, na bota ou no sapatinho…
Não havia Pai Natal nem presentes do Menino.
Havia muita alegria, muitos contos e cantares
Nessa noite santa e fria, a Noite do Deus/Menino,
Noite de grande alegria e muito amor no coração!

Jeracina Gonçalves
Noite de Consoada/2016

quinta-feira, dezembro 15, 2016



    F E L I Z   N A T A L 2016               FELIZ NATAL 
FELIZ   NATAL                               F E L I Z   
N A T A L 2016


Entre a vaca e o burrinho
Pobremente
num curral
Carne e osso coração…
Como qualquer menino
Nasceu o Menino Divino.

Não era um menino qualquer.
Era Deus feito Menino!
               
Filho de Deus, O Divino   
Na Terra se fez encarnar                   
Para ensinar-nos o Amor
Uns aos outros perdoar
Caminharmos de mãos dadas      
Até ao seu Reino Divino.

Não era um menino qualquer.
Era Deus feito Menino!

Nesta Festa de Natal
Vamos todos dar as mãos
Vamos com alegria cantar
 Os Parabéns ao Menino.
                                                                    Jeracina Gonçalves
                                                                                          (imagem da internet)

sexta-feira, novembro 18, 2016

CREPÚSCULO



Na música do entardecer
chegam-me mensagens ocultas
dos aromas, sons e cores
que enfeitaram o meu dia
deram tessitura à minha vida
neste refúgio tão meu.
Dádivas que não perdi
e alcançam os meus sentidos
servidas com o primeiro grito d’alvorada.


Jeracina Gonçalves
Novembro/2016


sábado, novembro 05, 2016

 O OUTONO CHEGOU

"O luzeiro do céu perfura a névoa orvalhada
Incendeia o horizonte matinal"
Da orquestra do amanhecer aplaude concerto divinal;
O sol adoça o olhar sobre o corpo moreno do prado.
Uma energia calma, terna, lentamente se instala
Envolve a Natureza… e, nesse tempo marcado,
Renova-lhe o ânimo, a formosura, e seus frutos arrecada:
Atulha arcas, atulha silos,…Os seus frutos arrecada!
É o Outono que chega. Com seu jeito calmo e terno
Veste a Natureza com um belo pijama dourado
Com turmalinas e rubis no seu tecido incrustados.
E na abóbada celeste, manchada de cores irisadas,
Ressaem, em formatura, bandos de silhuetas aladas
Em busca d’outros cais… d’outros ramos e beirais
Onde o sol beija forte…
E da árvore escarlate, de vigia na berma da estrada,
Na mão da mansa brisa solta-se a folha dourada:
Rodopia,… rodopia,…  na mão da brisa mansa
Rodopia em espiral e cai morta sobre o chão
Sobre outras, já cadáveres, em início de putrefacção.
(Húmus que alimenta a terra, energia de renovação)

 O outono caminhando… no tempo envelhecendo…
A sombra desce mais cedo, cresce sobre o corpo do tempo.
Com seus braços de liana rouba-lhe brilho… rouba-lhe luz…

O outono caminhando… no tempo envelhecendo…
No silêncio das lembranças navega a nostalgia…
Relembra histórias vividas de antigos amores ardentes.
Lembranças de um tempo, que no tempo caminhou,
Deixou marcas do seu olhar aceso, no corpo das coisas
Que, no tempo, o seu olhar beijou.

E o outono caminhando…no tempo envelhecendo…
Resta velho rabugento, sem romantismo nem graça.
De olhar frio e severo, pouco a pouco endurecendo,
Desnuda a Natureza sem remorso ou compaixão.
Folha… a folha… pelo chão…
O pijama que lhe dera quando tinha coração.
Nua e triste…
Exposta à dureza da gélida estação,
A Natureza adormece.
Busca ânimo e vigor para o seu rejuvenescer.

Jeracina Gonçalves
17/10/2016