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quinta-feira, julho 15, 2021

AS PALAVRAS

As palavras são armas.
São armas poderosas de vida ou de morte
de aproximação ou de repúdio
de aconchego ou de solidão.
As mesmas palavras podem ter efeitos totalmente opostos.
Consoante o tom a forma e o contexto em que são ditas
podem ser luz ou sombra, vida ou de morte;
Podem ser a ponte que liga e aproxima
ou o fosso que separa as duas margens;
Podem ser facas de gumes afiados 
a despedaçarem a carne em pedaços 
em papéis grosseiros embrulhados 
cinzentos de dor
ou pétalas macias 
que acariciam o amor
e inundam o olhar com um brilho profundo de emoção.
Às vezes 
o seu efeito depende apenas do âmbito em que são usadas
do tom e da forma como são pronunciadas.

As palavras são armas.
São armas poderosas.
São armas que conquistam, seduzem, atraiçoam, corrompem, matam
Matam sentimentos, matam emoções, matam relações…
Matam a comunicação geradora da ação para o mundo melhor.

Que as nossas palavras sejam comedidas 
Sejam veículos de Paz de compreensão e entendimento.

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 23/04/2021

terça-feira, julho 13, 2021

A PRIMEIRA LEI DA LIBERDADE DE IMPRENSA FEZ ONTEM 200 ANOS.

 Lançados dois selos 

para assinalar os 200 anos da liberdade de Imprensa


"O Museu Nacional da Imprensa, em parceria com os CTT, lançou dois selos e um bloco filatélico para assinalar os 200 anos da primeira lei da liberdade de Imprensa, promulgada por D. João VI a 12 de julho de 1821. Foi ainda criado um carimbo especial para o dia, sendo que os selos e o bloco podem ser adquiridos nas lojas CTT espalhadas por todo o país."

                                                                                                   Colhido de:  PPporto.pt

Publicado por Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal

quinta-feira, julho 08, 2021

A QUARTA VAGA

Hoje procuro palavras para construir o poema.
Procuro palavras-flor. 
Palavras que exalem perfume de paz 
Sejam a expressão do amor. 
Sobre a terra em sofrimento
Sejam entusiasmo alegria alento.

Hoje procuro palavras para construir o poema. 
Procuro palavras-amor.
Palavras que sejam motor de mudança, elos de união
Arrasem a indiferença, o egoísmo, o individualismo; 
Palavras que celebrem a ligação de todos. Sem distinção 
De idade, sexo, cor, estrato social ou religião
Contra esta guerra global
Que derruba  a humanidade. 

Hoje procuro palavras para construir o poema. 
Procuro palavras em vão!
As palavras já estão gastas, velhas, cansadas, vazias de conteúdo.
Já não têm expressão.
Há que dar corpo às palavras.
Dar-lhes a densidade que as transmutem em ação.
Encorpá-las, recriá-las, dar-lhes vida, expressão.
Sejam água, sejam pão, paz, saúde, solidariedade;
Neste mundo em sofrimento sejam lenitivo para a dor.
Apaguem deste mundo o egoísmo, o individualismo…
Nos corações das gentes, das gentes de todas as idades, 
Sem distinção de cor, sexo, religião, estrato social,
Derramem amor, solidariedade, sentido de unidade.
Que todos se sintam ligados pelo mesmo elo de responsabilidade. 
Somos a expressão do mesmo todo, uno, que é o universo. 
Só como um todo poderemos vencer esta guerra.
Só de mãos dadas poderemos esta guerra vencer.

Hoje procuro palavras para construir o poema. 
Palavras que sejam ação no caminho da mudança 
Onde o objetivo de todos seja um mundo melhor.
Hoje procuro palavras para construir o poema.
Palavras que exalem perfume de paz e sejam a expressão do amor. 

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 08/07/2021


domingo, julho 04, 2021

 Achei muito interessante e pertinente este texto que me chegou pela Newsletter Casa Comum - Cultura U.Porto, da autoria da sua Editora e Vice-Reitora da Universidade, pelo que não resisti a publicá-lo no meu blogue.


CLEÓPATRA E A GERAÇÃO IGUALDADE

Afinal, parece que Cleópatra não era bonita, ou melhor – e dizendo-o com as letras todas –, era feia, mesmo: não era apenas o nariz que era grande e curvado para baixo; tinha a cara angulosa, os lábios demasiado finos – suspeita-se que com algum defeito – e o queixo proeminente. É assim que está representada em moedas da época; e textos coevos denunciam um buço bastante espesso. Como é então possível que Shakespeare a tenha retratado como uma Vénus, por quem Júlio César e Marco António se apaixonaram perdidamente, e que Joseph L. Mankiewicz tenha convidado Elizabeth Taylor, no auge da sua beleza, a desempenhar o papel da rainha do Egito no icónico filme de 1963?
É que o poder de Cleópatra advinha não da sua beleza, mas da sua poderosa inteligência. A sociedade egípcia de então concedia às mulheres oportunidades de educação muito superiores às que tinham as mulheres romanas, que eram vistas como inferiores aos homens. Cleópatra falava dez línguas e estudara ciência, geografia, geometria, aritmética e as artes da oratória, entre outras disciplinas. Não admira, pois, que César e António se tenham sentido surpreendidos, intrigados e deslumbrados com a sua cultura e inteligência. Para a historiografia romana, contudo, a situação era inaceitável – e a história que ficou para a posteridade foi a de uma rainha-meretriz, castradora e calculista, que enfeitiçou, com a sua beleza e suspeitas artes de sedução, os dois grandes nomes de Roma.
Hoje, volvidos dois milénios, esta matriz de leitura do poder das mulheres infelizmente não se alterou em muitas sociedades, e por isso são mais relevantes do que nunca eventos globais como o Fórum Geração Igualdade, o maior encontro feminista do milénio, realizado esta semana em França, depois de a primeira parte ter ocorrido em março no México. O Fórum partiu de uma pergunta pertinente: que progresso foi registado, no que respeita à igualdade de género, nos últimos vinte e cinco anos, desde a Quarta Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres e a adoção da Declaração e da Plataforma de Ação de Pequim? O discurso do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, evidenciou que há muito a fazer num mundo que é ainda dominado pelos homens e que tem uma cultura claramente patriarcal; Emmanuel Macron lembrou o autêntico retrocesso que alguns países estão a viver na caminhada pela igualdade de oportunidades; e ambos sublinharam o agravamento da situação das mulheres com a pandemia de COVID-19.
Phumzile Mlambo-Ngcuka, Diretora-Executiva da ONU Mulheres, fez uma declaração que é evidente: as mulheres ocupam ainda um quarto dos lugares na administração, no parlamento, na participação em negociações sobre o clima e a paz – e um quarto não é suficiente; UM QUARTO NÃO É IGUALDADE. De vez em quando é importante pormos em evidência verdades de La Palice como esta.
Esperemos que o Plano Mundial de Aceleração para a Igualdade surta resultados rápidos. É que precisamos mesmo de acelerar.

Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura, Museus e Editora
Publicado por: Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 04/07/2021

quinta-feira, junho 24, 2021

O CHEIRO A TERRA MOLHADA

O soprar manso do vento
embala a vida para lá da janela,
e espalha pelo ar
o cheiro a terra molhada
que refresca e acaricia
e acorda no meu coração
o desejo de ser vida.
Vida amada,
por outro coração desejada.


Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 19/06/2021

terça-feira, junho 22, 2021

O CÂNTICO ADORMECIDO DO AMOR

A sua presença é luz
E em luz transforma todos os cantos da casa
Os seus olhos são bênção são amor
Doces como pingo de mel
Aquecem a minha alma
Acendem em mim o cântico adormecido do amor intenso
Em jorros, a brotar
Forte e belo como o mais belo diamante
Da jazida prolífera do meu coração
Estendo-lhe a mão
Nossos pés não tocam o chão.

A água corre mansa pelo leito sereno
Respira serenamente o límpido e permanente gorjear
Até que abraça a rocha… o rochedo…
E canta… e dança… e ri em contínuo gargalhar.

A sua presença é luz
E em luz transforma todos os cantos da casa
Os seus olhos são bênção são amor
Doces como um pingo de mel
Aquecem a minha alma
Acendem em mim o cântico adormecido do amor intenso
Em jorros, a brotar
Da jazida prolífera do meu coração.

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 22/06/2021

sábado, junho 19, 2021

O MUNDO DE MÃOS DADAS

Ponho um sorriso no rosto
Amor no meu coração
A vida tem outro gosto
Se todos dermos as mãos
Caminharmos lado a lado
Em busca da solução
Para a fome a doença a guerra
A vida, sobre a morte 
crescente 
na Terra.
Travá-la… é urgente!

Por que em vez de protestar
Não nos pomos a trabalhar
Cada um no seu lugar
Mas na mesma direção
P’ra este movimento travar?

É bem mais fácil vencer
Quando juntos caminhamos
Partilhamos as ideias
Construímos o caminho,
Seja o caminho que for.
Pela vida, lado a lado,
Cada um dando o melhor
Constrói-se um mundo de Amor.

Se no mundo a vida for
Entre veredas de paz
A fome a sede a dor
Do mundo, se diluirão.
Unamos as nossas mãos
Num sublime cordão
E construamos, então,
Um mundo que seja melhor!

Após a pandemia passar
Agarremos mão a mão
Na mesma instigação
De um mundo mais igual
Onde todos possam ter
O pão para comer
A água para beber
E com dignidade viver

Cada Ser no seu lugar
Olhe o outro como igual
Com a firme convicção
De que tem uma missão
No planeamento geral
Deste mundo global.

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 16/02/2019

terça-feira, junho 15, 2021

COGITAÇÕES…

A maldade humana é um sentimento perverso, destrutivo, maligno, que acarreta sofrimento à vida, à humanidade, contrário ao seu desenvolvimento saudável e natural, que, a meu ver, é de aperfeiçoamento, bondade, crescimento, alegria, motivação, amor, tolerância, perdão. Não posso conceber que seja outro o sentido da vida. Não posso conceber que seja o de infligir dor e sofrimento ao outro, ao que é colocado sob a mira desse sentimento negativo, pérfido, malvado. Seria extremamente cruel, desmoralizante, contraditório.
Não, não é essa a finalidade da vida.
Os sentimentos que o maldoso carrega, de ódio, vingança, inveja, hipocrisia, criam seres amargos, invejosos, agressivos céticos, cruéis. O maldoso é a principal vítima da maldade que alimenta. Todos esses sentimentos negativos recaem sobre si próprio e vão roendo o seu coração, deixando-o incapaz de ver no outro, no seu semelhante, uma centelha de luz. Todos são maus, cheios de defeitos, cheios de pontos negativos, que usa a seu modo, para os denegrir e criar-lhes situações dolorosas. Andará sempre à procura da brecha para atacar as suas vítimas. 
A meu ver, as pessoas que praticam o mal, são infelizes e amargas. A maldade não pode promover a felicidade.
Mas, se é assim, por que há tanta maldade no mundo? O ser humano será, logo à nascença, mau ou bom? Determinada percentagem nascerá sob o signo da bondade e outra sob o signo da maldade, ou neutra? Será a criação, a forma e o ambiente em que é criado, a fazê-lo bom ou mau?
Lembro-me de uma história que circulava nas redes sociais há tempos, na qual um velho índio, a essa pergunta, respondia que todos nós temos dentro de nós dois lobos: um mau, outro bom. Sobrevive o que alimentarmos.
Se calhar o velho índio tinha razão. Todos temos momentos em que nos sentimos perversos, capazes desejarmos e praticarmos o mal contra alguém, ou porque nos atacou e nos fez infelizes por algum motivo, ou simplesmente por estarmos mal dispostos, zangados com a vida, que não corre a nosso gosto, e descarregamos no outro a nossa incompetência para a encararmos.
Vigiemos os nossos dois lobos. Alimentemos o bom, de forma a dar-lhe força para vencer o mau, fazendo que a bondade prevaleça, e possamos ajudar a fazer a transformação, deste nosso mundo, para melhor.
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 14/06/2021

segunda-feira, junho 14, 2021

BOM DIA!


O som delicioso, límpido, de uma flauta mágica da natureza, a destacar-se de outros, toca os meus ouvidos. Acorda-os. Abro os olhos. O quarto está escuro. Acendo a luz do candeeiro: cinco horas e quarenta e cinco. Levanto-me, vou à janela, subo a persiana, abro o cortinado: a luz começa a colorir o horizonte. Muito tímida, ainda, bem depressa se afoita e sobe ligeira por entre o rendilhado da cortina verde, mostrando alegremente a sua beleza cheia de encanto. Não lhe resisto. Vou buscar o telemóvel e fotografo a sua energia mágica a trepar pela abóbada celeste. Ora por entre a filigrana verde ora em campo aberto (ao som da minha orquestra favorita, que continua a atuar para mim) vou fazendo fotografias de vários ângulos. 

O som da flauta é inconfundível. Destaca-se de entre os outros com uma nitidez fantástica. O músico, vi-o ontem, à tardinha, a passear-se no terraço, altivo e vaidoso do seu traje cor de azeviche, lustroso, belo! Mas, hoje, mantém-se encoberto, entre a cortina verde do palco, concentrado na sua primorosa atuação. 

Vou depois à cozinha, bebo um copo de água, lavo uma maçã e vou comê-la à janela, enquanto observo atentamente o plátano gigante e procuro lobrigar por entre os seus ramos os artistas que todos os dias me premeiam com tão belo espetáculo musical. Nada. Nenhum aparece. Estão concentrados no espetáculo. Hoje não estão disponíveis para me presentearem, também, com o seu bailado. 

Retiro-me, preparo uma chávena de leite com café solúvel, três bolachas de milho com mel e canela, e sento-me a tomar o pequeno-almoço acompanhado pela bucólica melodia.

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 14/06/2021