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segunda-feira, julho 11, 2022

 DIA MUNDIAL DA POPULAÇÃO


Ao folhear a revista Além-Mar, deparei com uma lista de “dias mundiais” dos meses de Julho e Agosto e surpreendeu-me ver um “dia mundial da população”: hoje, dia 11 de Julho.
Fiquei-me a refletir sobre o que este dia representa, qual é a essência desta nomeação, o que se pretende com ela; mas não sei se terei atingido o seu cerne.
Qual será a essência, o verdadeiro sentido desta nomeação?
Quererá trazer à ribalta a baixa natalidade que acontece na velha Europa (incluindo em Portugal) e as consequências dessa discrepância entre os que chegam e os que partem? Ou quererá compará-la, por exemplo, com a dos países africanos e árabes, onde grassa a seca e a fome provocadas pelas intempéries e pelas guerras infinitas que os assolam, e a natalidade é elevada? Quererá fazer-nos refletir sobre a fome, a seca, as guerras e todas as atrocidades a que é submetida uma enorme percentagem da população mundial? Quererá fazer-nos refletir sobre a enorme avalanche, sempre crescente, de refugiados que procuram encontrar, no mundo, um lugar de paz, onde possam viver, trabalhar e matar a fome própria e a dos  filhos, e acabam por encontrá-lo entre as águas revoltosas do mar ou entre as quatro paredes de um camião, a monte, como animais irracionais, desidratados e sem ar que lhes alimente a vida?
Um dia?!…
São poucos os 365 dias do ano para nos dedicarmos a estes e tantos outros problemas diretamente inerentes à população. Todos nós: os que têm poder para fazer o necessário e o urgente para amenizar este estado de coisas; e nós, os que vivemos na sombra, sem alardes mas com convicção, fazermos a nossa parte, por pequenina que seja. Ainda que seja apenas a separação dos lixos, mesmo que possa parecer-nos que nada tem a ver uma coisa com a outra. Mas não é verdade. Tudo está ligado. Tudo está interligado e vai levar ao mesmo resultado final. 
Se pensarmos bem, sabemos que assim é.
Toda a água corre para o mesmo mar.
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 11/07/2022

                                                                                                                     

sábado, julho 09, 2022

 CANTA, ROUXINOL, CANTA!


Neste tempo sem valores, 
Onde a ética é ausente,
Pelo mundo alastra a fome, 
A morte, a destruição, a dor,
O canto do rouxinol, 
É uma meiga carícia 
No meu coração sofredor.

Canta, rouxinol, canta!
O canto do rouxinol
Diante da minha janela,
Tem ainda mais beleza, 
Tem ainda mais valor.

Canta, rouxinol, canta!
Não há canto como o teu. 
Diante da minha janela
O teu canto é puro e belo.
É um belo poema de amor. 

Canta, rouxinol, canta!
O teu canto é a esperança 
Contra tanto desamor.
O teu canto me consola 
De padecimentos e dores.

Canta, rouxinol, canta!
O teu canto, único alívio 
Para este grito impotente,
Que rasga todo o meu peito 
Com o afiado cortador.

Canta, rouxinol, canta!
O teu melódico cantar 
É tão saboroso e terno, 
Como o tronco de Natal
A arder no gélido inverno.

Canta, rouxinol, canta!
Teu cantar é belo, é único. 
Não há, como ele, igual!
É tão saboroso e tão terno 
Como um tronco de Natal.

                                                                                                                                       Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 28/06/2022

terça-feira, julho 05, 2022

ENTRE AMIGAS

Espera, tenho muito mais para contar-te: há meses ou talvez há mais de um ano, resolvi que estava na altura de publicar o meu livro “Crónicas de Viagens”, e comecei a imprimi-lo para fazer uma leitura em papel. 
Mas, para meu espanto (embora saiba, desde há muito, que tudo o que escrevo vai cair num saco sem fundo dos aproveitadores do esforço alheio), recebo imediatamente uma mensagem “o ficheiro foi bloqueado para edição, por outro utilizador”. 
Teimei. 
E não é que a impressora começa a vomitar páginas e mais páginas, em grande velocidade, com as minhas crónicas, começando pela página trezentas e tal…, quando o livro tem 160 ou 180 (já não recordo bem) páginas!
- Ah... Não me digas!… Alguém, em algum sítio, está a usar o teu trabalho.
- Ó minha amiga, não tenhas dúvidas, que eu também as não tenho. Alguém, em algum sítio, está a usar o meu trabalho em seu proveito.
- Não sei como aguentas tudo isso e manténs esse ar sereno, como se a vida  seja para ti um mar de rosas. Admiro-te. Eu já teria mandado tudo para o diabo.
- É o que me apetece muitas vezes. Até porque as autoridades não fazem nada. Têm conhecimento disto há anos, e nada acontece. Mas que queres que faça? Escrever faz parte de mim. É algo que vem de dentro. Faz-me falta. É intrínseco ao meu ser. Todos os dias preciso de escrever ainda que seja uma simples frase. A minha cabeça, o meu corpo não funcionam sem isso. É estranho, mas preciso desse exercício intelectual para me ativar fisicamente. Tenho por aí inúmeros papéis escritos com pequenas anotações, que preciso de organizar.
- Sendo assim, porque não arranjas uns cadernos e escreves à mão?
- É muito diferente escrever à mão ou no computador. E, quando se começa a escrever no computador, há alguma dificuldade em nos adaptarmos de novo a escrever à mão. No computador, se nos parece que aquele termo não é o mais apropriado naquele contexto, temos o dicionário ali à mão e, rapidamente, teremos acesso a outro com o mesmo ou com significado equivalente que nos pareça compor melhor a frase; ao passo que, escrevendo à mão, será necessário andar com os calhamaços dos dicionários atrás de nós. E mais: se há uma frase, que numa segunda leitura nos parece menos bem naquele sítio, muda-se com toda a rapidez para outro, onde nos pareça que exerce melhor o sentido que queremos dar ao texto… E por aí afora. É muito diferente escrever no computador ou á mão. É muito mais cómodo, muito mais fácil e muito mais rápido. 
Estes abutres subterrâneos é que são o grande problema. Agarram a presa e não a largam. Tenho de convencer-me que, realmente, sou boa a escrever. Só assim se compreende estes anos todos de perseguição.
- Claro que és boa no que fazes. A tua escrita sai da alma. É sentimento, é amor, é paz.
- E de que me vale isso? De que me vale sentir o perfume da terra, o seu frescor sorridente, a luz perfumada da aurora, o cantar puro da fonte, se preciso de estar em guerra e em fuga permanente contra estes vampiros invasores? 
Sinceramente, Maria, não é fácil. E já chorei muitas lágrimas. O meu computador era o depositário da minha alma quando precisava de desabafar. Era o cofre dos meus segredos. E foi muito penoso sentir a minha alma conspurcada por olhares ímpios, perversos e sem pudor. Mas tudo passa. Quando temos consciência da limpidez da nossa existência (com pecados, claro, como todo o ser humano, mas nenhum causador de danos a qualquer outro ser), consciencializámo-nos de que a vida é para a frente e não podemos permitir que os abutres a travem. É necessário olhá-los de frente, com olhar direto, e continuarmos o nosso trajeto.
- Tens razão minha amiga. Mas é preciso coragem e muita força de alma para não sucumbir a tanta pressão.
- Claro que há momentos muito maus. Mas… Quem os não tem, de uma forma ou de outra? E, muitas vezes, a força chega-nos da revolta que sentimos contra este estado de coisas, esta perseguição consistente e permanente, quando há a plena consciência de nunca ter feito mal a alguém. Bem pelo contrário: Mas…
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 05/07/2022

sexta-feira, junho 17, 2022

DIA MUNDIAL CONTRA A DESERTIFICAÇÃO

A água, o sangue da terra, 
Fonte de energia, prazer, saúde e muita alegria, 
Em muitos lugares da Terra está a desaparecer.
E muitos outros lugares, onde fluentemente corria,
São já terra ressequida onde a 
vida está a morrer.

A água é a vida! Não se pode deixar morrer.
Tudo é preciso fazer para que continue a correr
E pela Terra derrame sua alegria e frescor 
Saúde, beleza, energia, comida e amor.

Cada um, só por si, muito poderá fazer.
Cada gota esbanjada 
é um pedaço de vida
Perdida. 
Cada gota esbanjada por mim por ti pelo outro...
Quantas gotas, quantas vidas assim são perdidas?

Sejamos barreira, sejamos contenção
Ao avanço acelerado da destruição:
Plantemos árvores, cuidemos das florestas, reciclemos,
Afrouxemos o consumismo, os resíduos…
Previnamos os incêndios...

A água, o sangue da terra, 
Fonte de energia,  saúde, alegria e prazer 
Em muitos lugares da Terra está a desaparecer  
                                                                                                                          Jeracina Gonçalves
                                                                 Barcelos/Portugal, 17/06/2022

quinta-feira, junho 16, 2022

A LIBERDADE DE PENSAMENTO



Alguém disse um dia:
“A liberdade de pensamento é a única liberdade.”
Em meu entendimento essa é a verdade.
Desde que, do pensamento,
Não haja expressividade 
Sem barreiras na expressão.

O pensamento é secreto.
Não pode ser alcançado
Sem permissão do pensante.
Pode sonhar, pode voar,
Tomar qualquer forma
Estar em qualquer lugar.
Andar por onde quiser
Seguir nas asas do vento...

Mas nem todo o pensamento 
Poderá ter expressão,
Ser audível para o outro,
Formalmente entendível.
Só por metáforas e códigos 
Que a arte lhe concede
Poderá ser exprimido.

Alguém disse um dia:
“A liberdade de pensamento é a única liberdade.”
Em meu humilde entendimento 
Essa é a verdade
Desde que, do pensamento,
Não haja expressividade 
Entendível para o outro.

Só assim o pensamento
Tem inteira liberdade.
                                                         

                                                                    Jeracina Gonçalves
                                                                    Barcelos/Portugal, 16/06/2022

quinta-feira, junho 09, 2022

 ERVAS DANINHAS

Entre códigos e algoritmos espreitam olhares invisíveis.
Felinos, secretos, esperam a presa.
Como o animal bravio à espera da presa para se alimentar,
Esperam o momento para o seu laço lançarem.
Entram, esmiúçam baús, cofres secretos
Mexem, remexem…
Conspurcam o teu relicário, o baú dos teus segredos
e dos teus afetos, 
Onde a tua alma guardavas.
Apoderam-se da tua alma e dela fazem festim.
Seus olhos vampirescos do teu sangue se alimentam.

Felinos, secretos, espreitam invisíveis olhares.
Como toupeiras, cavam galerias subterrâneas.
Esquadrinham o espaço.
Felinos, secretos, esperam o momento de laçarem suas presas.
Mexem, remexem, escarafuncham seus espaços,
Roubam, traficam, chantageiam…
Lançam a anarquia o desconcerto, a desordem, a confusão
Onde tudo estava certo, decorria sereno, ordenado, seguro
Surge o caos, o desconcerto, a desorientação.
São escória deste tempo.
São as ervas daninhas deste prado cibernético.


Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 05/06/2022

domingo, junho 05, 2022

 CUIDEMOS DA NOSSA CASA

CUIDEMOS DA NOSSA CASA

Meu corpo sobre a areia 
deitado na borda do mar
com doçura, com carinho 
o mar me abraça, me enleia
qual foguetão que da Terra 
ruma direto ao Espaço
num ledo e manso sonhar 
no dorso de um golfinho
parto a navegar 
sobre a flor viva do mar;

Sobre a flor viva do mar 
percorro grandes distâncias 
ascendo depois ao espaço, 
perscruto o sistemas solar
sem contudo encontrar
outro planeta outra Terra 
para poder habitar
quando esta Terra acabar.

Num ledo e manso sonhar 
no dorso de um golfinho
sigo p'ra outro lugar. 
outro sistema solar.
em busca d' outro planeta
d'outra Terra 
para poder habitar
quando esta Terra acabar, 
sem outra Terra encontrar.

No dorso de um golfinho 
regresso ao mesmo lugar
esta é a casa que tenho. 
não posso desbaratá-la
nem aos seres que nela habitam  
sustêm o meu lugar
são desta casa o alento, 
sustentáculo, harmonia
p'ra esta casa  ser lar 
careço de os cuidar.

Com cabeça e coração 
careço de os cuidar
com todos coabitar 
a todos dar atenção
deles recebo saúde, alegria
recebo beleza, amor e pão.
Cuidemos da nossa casa! 
Vivamos em união!
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, 05/06/2022