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sexta-feira, agosto 15, 2014

COMO NASCE O POEMA


Do nada surge um verso. Entra sem bater a porta
Sem dizer de onde vem ou para onde quer seguir
Ciranda daqui para ali, volteia por todo o espaço
Nesse espaço, busca espaço para se poder instalar
Instala-se sem pedir licença, lavra a terra, cria ninho
O verso traz outro verso… e outro… e outro… e outro
E em versos se multiplica
E desse verso vadio, sem poiso nem direção, nasce e cresce o Poema
Às vezes poema de amor e tem por mote a saudade
Às vezes é a Natureza que desperta a emoção
E cresce o poema bucólico que tocou o coração
Às vezes é a revolta, o asco, a indignação
Contra as injustiças que reinam e crescem mundo afora
Neste mundo, em sobressalto, neste mundo em putrefacção
Onde há monstros que comem gente: roem-na até ao tutano
Gente simples, gente obreira,  gente que produz o seu pão
E cresce em meu Ser a revolta, a náusea, a contestação
Contra o ódio e a maldade que destrói a Humanidade
Contra o sangue inocente pelas ruas, derramado
Contra o sangue criminoso sempre, sempre, preservado
Contra o mundo de corrupção, contra a sua podridão
Nestes tempos em que a Vida, vale menos que o tostão.
E o Poema revela, então, a náusea, a raiva, a contestação
Que enche o meu coração contra os vermes da podridão.

E aquele verso vadio, que chegou sem se anunciar,
Pôs o meu Ser a pensar neste tempo (des)arrumado
Nestes tempos em confusão
Nestes tempos em que a Vida vale menos que o tostão.

Jeracina Gonçalves
MJRCG
12/08/2014

domingo, agosto 10, 2014

ROSMANINHO

Rosmaninho, flor silvestre,
encanto do monte agreste
tens a graça tens a beleza
do que é puro na Natureza;

Tens a beleza singela
que atrai o meu olhar
se bordejas os caminhos
por onde vou a passar;

Aos montes onde cresces
dás real esplendor
às suas cores misturas
o púrpura da tua cor.

O perfume que emanas
e difundes pelo ar
é suave, doce carícia
de alguém que sabe amar!

És uma planta do campo
no jardim da Natureza
toda a beleza e encanto
estão na tua singeleza.
Jeracina Gonçalves

sábado, agosto 09, 2014

A VIDA


A vida corre em três tempos: Passado, Presente e Futuro
O Passado são os caboucos do edifício  VIDA
Edifício em construção até ao minuto final.    
Nele estão as raízes, a herança recebida e a história vivida.
O Passado é a escora que fundamente o Presente
É também os fundamentos e a alavanca pró Futuro.
O Passado são os alicerces que dão a alma a minha vida.
A tua vida. A sua vida.
O Presente é o agora, este momento, o já…
No momento seguinte, o que agora foi Presente,
Passou a Passado recente.
Curto na linha da vida, na vida momento importante:
É momento a momento que se constrói o Passado;
É momento a momento que se fundamenta o Futuro.
Cada momento presente deve ser bem agarrado
Acolhido e acarinhado com muita dedicação.
Cada momento vivido, com cabeça e coração, 
Na história de cada vida, será motivo de orgulho.
Será também a alavanca para mais ridente Futuro.
O Futuro é o mistério, o secreto, a emoção do desconhecido
Segredo por desvendar.
Não é certo, nem seguro
Que o Passado e o Presente possam vislumbrar o Futuro
09/08/2014
Jeracina Gonçalves





sábado, agosto 02, 2014

PERGUNTEI à VIDA


Um dia perguntei à vida o que tinha para me dar
A vida me respondeu sem qualquer hesitação:
“Tenho  tudo o que sejas capaz de conquistar.
Tudo está no teu caminho, tudo está à tua mão
Depende da tua atitude, da força do teu coração.
Tenho beleza e alegria, tenho tristeza e podridão
Tenho vitórias e derrotas, consórcio e solidão
Tenho amigos, inimigos, tenho prémios e castigos
Tenho venturas, desditas, tenho prazeres, tenho dores
Tenho palácios vistosos, tenho casebres sem cores
Tudo está ao teu alcance, tudo está à tua mão
Faz a escolha acertada, toma a tua decisão
Venturas e desventuras, beleza e podridão
Pelos caminhos da vida, tudo está à tua mão.”

28/06/2014



domingo, julho 27, 2014


Eu sou a imaginação e corro atrás da quimera
Em busca de alicerces para construir e criar
Não escolho o endereço, não escolho a direção
Navego em qualquer nuvem, que me ceda lugar.

                                                                                                                              Jeracina Gonçalves


sábado, julho 26, 2014

Não resisto a publicar este poema de Guerra Junqueiro que me chegou agora por mail e que retrata tão bem a atualidade do nosso Pais. JG

“E no entanto o país, meu Senhor,
é uma beleza! Uma beleza! Encantador!
Trinta portos ideais, um céu azul marinho,
A melhor fruta, a melhor caça, o melhor vinho,
Balsâmicos vergéis, serranias frondosas,
Clima primaveril de mandriões e rosas,
Uma beleza! Que lhe falta? Unicamente
Oiro,vida, alegria, outro povo, outra gente.
Raça estúpida e má, que por fortuna agora
Torna habitável este encanto…indo-se embora!
Deixe morrer, deixe emigrar, deixe estoirar:
Dois boqueirões de esgoto,- o cemitério e o mar.
Que precisamos nós? Libras! Libras, dinheiro!
Libras d’oiro a luzir! Onde as há? No estrangeiro?
Muito bem; o remédio é claríssimo, é visto;
Obrigar o estrangeiro a tomar conta disto.
Impérios d’além-mar, alquilam-se, ou então
Sorteados,- em rifa, ou à praça,- em leilão.
E o continente é dá-lo a um banqueiro judeu,
Para um casino monstro e um bordel europeu,
Fazer desta cloaca, onde a miséria habita,
Um paraíso por acções,-cosmopolita...”
                                      “Pátria” -1896-

De Guerra Junqueiro  (1850-1923)

quinta-feira, julho 24, 2014

ESCUTANDO O SILÊNCIO


Levantei-me da mesa de trabalho, fui à cozinha, peguei um copo de água, abri janela e fui tomando pequenos goles enquanto respirava o ar fresco e limpo da madrugada e admirava as copas das árvores, em frente, pintalgadas pelas cores quentes, que as enfeita na linda estação do Outono, e o céu raiado em tons de azul, rosa e laranja, a pressagiar, neste agradável amanhecer de finais de Outubro, um dia claro e bem ensolarado.
Dormi mal. Sem motivo aparente, sem qualquer razão consciente que a pudesse motivar, a insónia instalou-se teimosamente e, depois de voltas sobre voltas na cama, às cinco da manhã levantei-me e fui sentar-me em frente às teclas do meu computador – o meu fiel companheiro em noites como esta - ligando-o distraidamente, sem um objetivo definido de trabalho, mas, e apenas, para sentir em meu redor algum ruído que iludisse a solidão que sentia em mim e parecia querer invadir-me toda a alma.
Comecei por abrir o correio eletrónico e, distraidamente, principiei a abrir alguns e-mails mais recentes. Porém rapidamente desisti. Não estava motivada para esse tipo de atividade. Não me dominava a mente, não lhe ponha freio. Sentia-a inconstante e aérea como um pássaro sem poiso. Precisava de algo que a envolvesse no seu todo. Algo que captasse por inteiro o meu interesse e atenção. Resolvi então abrir uma “página” do Word, e a página em branco, despojada e submissa sob o meu olhar, convidou-me a verter sobre o seu corpo nu, em palavras simples, tudo o que o meu pensamento ia construindo no silêncio em redor. Rapidamente os meus dedos começaram a bater as teclas à velocidade do meu pensamento, que corria célere e, com os fios de seda da minha imaginação, em caracteres escuros e encadeados uns nos outros, fui tecendo o vestido que depressa cobriu a nudez do corpo branco da página, que tão tranquila e confiadamente havia exposto a sua nudez sob o meu olhar volúvel e inconstante.
Agora, em frente à janela, deixo o pensamento discorrer filosoficamente sobre o quanto o silêncio de uma sala fechada tem para nos dizer se soubermos e quisermos escutá-lo. Atentamente. Há um conteúdo riquíssimo de sons, cheiros, imagens e vivências, quer vindas do interior de nós mesmos, de onde crescem e transbordam, perdendo-se irremediavelmente se não tivermos a capacidade de rapidamente as agarrar, quer vindas dos objetos que nos rodeiam e nos dizem inúmeras e inestimáveis coisas da nossa existência, da nossa individualidade como Ser, dos nossos sentimentos, das nossas vaidades, das nossas dores…, e são inaudíveis no meio da barafunda do dia-a-dia. E, muitas vezes, são purgas na nossa vida, aliviando-a e preparando-a para novas vivências, mais ou menos positivas que o dia-a-dia nos traz e teremos de acatar. 
Sejam elas boas ou não.
Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal, Outubro/2011

PS: Em romagem pelas pastas do meu computador, encontrei este texto que resolvi publicar agora. JG

segunda-feira, julho 14, 2014

DÚVIDAS…


Sem nada o fazer prever, sem qualquer feito que o anuncie, alteram-se as relações entre as pessoas, alteram-se os comportamentos, altera-se o sentido das palavras trocadas, o tom e a forma como são pronunciadas, como se uma qualquer força, uma qualquer energia desconhecida, vinda não se sabe de onde, atue em nós e no ambiente em que nos movemos, independentemente da nossa vontade. Do mesmo jeito que hoje temos o coração terno, doce, carregado de amor, amanhã mostra-se sombrio, agressivo, amargo e amargurado, carregado de ansiedade, sem que para isso tenham contribuído qualquer ato ou quaisquer forças reais percetíveis aos nossos sentidos. 
Qual o porquê dessas forças demolidoras que, por vezes, sentimos à nossa volta e em nós, e dominam a nossa vida e as nossas ações contra a nossa vontade, sem termos a menor perceção da sua chegada? Que tipo de energia cósmica nos domina e controla? Serão, realmente, influências planetárias, como nos é transmitido pela astrologia, por muitos denominados de “fantochada”, “charlatanismo”, “crendice”? Estarão essas forças muito mais presentes no controle das nossas vidas do que queremos crer? Terão os astros uma influência real sobre as nossas vidas e os nossos destinos? Será que os planetas, os cometas, as estrelas… e todas as energias que nos cercam e constituem o cosmos em que nos inserimos e movemos, influenciarão muito mais a nossa existência do que o que queremos acreditar? 
Nós somos energia. Disso não tenho a menor dúvida. Somos energia pura enformada neste invólucro físico, que é o nosso corpo. Mas que, por vezes, se solta e se evolua no espaço alado. 
E, como nos foi dado estudar na Física, as energias atraem-se ou repelem-se. 
Ou seja: têm influência umas nas outras…                                                                               

Jeracina Gonçalves
Barcelos/Portugal

quarta-feira, julho 09, 2014

COISAS SIMPLES


Aquela roseira tão bela, que comigo plantaste
Vive triste e sem verdor, entre tojeiras e silvados, 
No canteiro abandonado tomado por ervas ruins
Que no tempo aconteceram e tomaram o jardim.

O  meu coração, pesado, anseia por coisas belas
Pra meus olhos deslumbrar. Coisas simples, singelas
Como um campo de flores, o sol a morrer no mar
A lua com seu luar sobre superfície do mar…
Anseio por coisas belas pró meu coração encantar.


Jeracina Gonçalves
2/07/2014

terça-feira, julho 08, 2014

A VIDA




Se sentes a vida brotar no fundo do teu coração
dá-lhe espaço
dá-lhe o norte por onde se possa alargar
expandir sua energia
dar-se expressão.
Criar!
JG