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segunda-feira, outubro 26, 2015

A INSÓNIA

O dia aproxima-se devagar.
Com seu manto nacarado
Engole  a escuridão
E sobe lentamente as escadas do dia.
Cansado da noite sombria
De há tanto esperar o dia
O meu coração
Para o dia estende a mão.
Saúda-o com alegria. 
Há longo tempo esperava
Que chegasse a madrugada.

Tenho saudades do tempo
Em que a madrugada
Subia as escadas
Com um sorriso maroto
E trazia ao meu coração
A alegria
De um dia
Carregado de emoção.

Tenho saudades do tempo
Em que a vida era curta.
Liberta das preocupações da vida.
Decorria, dia a dia,
Entre risos, brincadeiras…
E muita, muita Alegria.
Fiolhais
19/10/2015

domingo, outubro 11, 2015

EU QUERIA ESCREVER UM POEMA

O sol não ilumina o caminho dos prados floridos
A água já não banha as veigas da beira do rio
E a Lua nega-se a derramar o seu olhar prateado
Sobre as veigas moribundas do meu coração;
Mas a chuva a cantar de mansinho para lá da janela…
O canto da chuva para lá da janela
Traz-me à lembrança a voz da criança
E o sonho, e a esperança
Que em mim fervilham e quero alcançar.

Com letras, palavras e frases
começo a manchar
o corpo virgem imaculado
da folha branca, despojada sob o meu olhar.
Despejo em seu seio pedaços que doem.
Pedaços, que de mim, quero afastar.
A minha alma veste a folha branca
desnudada sob o meu olhar
com as lágrimas de cansaço que a prendem ao chão.
Enche-a de letras...
palavras conjugadas em frases que liberta do meu coração.

Eu queria escrever um poema.
Nele derramar todas as lágrimas
todo o cansaço que enche a minha alma.
Vestir com ele a folha branca.
Vestir com ele  todas folhas brancas...
Eu queria escrever um poema que a minha alma não solta.
Prende-o em si, numa dor que magoa.
Na vontade de ser forte quando a dor assola.

11/10/2015
Jeracina Gonçalves, Barcelos/Portugal

domingo, setembro 27, 2015

A VIDA


“A vida é um fluir contínuo como a água de um rio” com rochedos, levadas, planuras, cachoeiras e os mais variados escolhos ao longo do percurso, que permitem uma fluência mais célere e permanente ou mais morosa, por vezes parcialmente descontinuada, conforme a robustez das forças que se lhe opõem. Conforme a resistência que a torrente tenha de vencer ao longo do trajeto, para que possa continuar a fluir e a fazer florescer as várzeas das margens. Às vezes, como num rio, o seu leito torna-se perigoso e apertado, pejado de pedras de lâminas cortantes entre arribas rochosas, que retalham a pele dos pés, e deixam úlceras profundas à mercê de infeções oportunistas, sempre à espreita e à espera da primeira ocasião para se instalarem e dominarem a situação. E a corrente não flui. Oculta-se e some-se por entre o cascalho do leito. Regurgita, mas não dimana. Deixa-nos atados de pés e mãos, sem nada que possamos fazer para reverter o estado de coisas que domina e impõe. Mas é uma dádiva maravilhosa. Uma dádiva única. Cabe-nos amá-la, protegê-la, lutar por ela até ao último sopro e empregar todo o nosso esforço em vencer os escolhos que aparecem no seu leito, e vivê-la de forma positiva e produtiva enquanto o seu fluxo nos permita fazê-lo. Aproveitá-la em nosso favor e em favor dos que nos cercam e dos que a nós estão ligados por qualquer elo: profissional, familiar, de amizade ou outro, dando o nosso contributo para o desenvolvimento da sociedade em que estamos inseridos.
Jeracina Gonçalves
3/03/2015
Aspira o cheiro deste instante florido a cruzar o teu caminho.
Bebe a fragrância do Ser que irradia luz dos cantos da tua casa
a iluminar sorrisos que amas e dão força à tua vida - essa linha
cruzada com outras linhas, que a enriquecem e lhe dão sentido.

Jeracina Gonçalves
26/09/2015

domingo, setembro 20, 2015

SAUDADE DOS SONHOS PERDIDOS


No peito guardo saudades dos sonhos que contigo reparti
Dos sonhos perdidos, escangalhados, que contigo não vivi.
Sonhos, tantas vezes sonhados!...
Escangalhados nas encruzilhadas da vida
Nos passos da vida, cruzados noutros sonhos...
Sonhos, tantas vezes sonhados, levados pela barca da vida.
Sonhos, que para sempre perdi.

Jeracina Gonçalves
20/09/2015

terça-feira, setembro 01, 2015

SOMOS INSTANTES

Somos instantes…

Somos instantes de um poema
a  cada instante construído, (des) construído
em instantes, de versos repetidos
que se fazem, se  (des)fazem, em instantes
escangalhados  por  entre o emaranhado do  tempo;
somos instantes de sorrisos gargalhados
perdidos em caudais de sonhos infinitos
em instantes destroçados;
somos instantes de luz fulgurante no olhar,
nesse instante que nos arrebata o  Ser,
esse  olhar que toca o nosso  olhar…

Somos instantes…

Somos instantes de sois fulgurantes
arrebatadores  dos sentidos
em instantes de loucura, vividos na plenitude do Ser;
somos instantes de  sombras  bolorentas, invasoras, dominantes
que, em instantes,
 cavam poços profundos onde se enterram nossos sonhos…

Somos instantes…

Somos instantes de água tranquila, remansosa
espelho  repousante de paisagens deslumbrantes;
somos instantes  de  risos gargalhados
a evolver em cascatas de flores  pelo ar;
somos em instantes semente  que germina, sorve  a luz, cresce
abre-se em flor de  versos de mil facetas…

Somos instantes…

Somos instantes de verões escaldantes, irreverentes
senhores da vida e  do  mundo;
somos instantes de primaveras vicejantes
forças renovadoras, floridas, prenhes de luz e de amor;
somos instantes de generosos outonos
paletas  de  cores refinadas  que  acarinham o olhar;
somos  instantes de invernos sombrios, tormentosos
sombras paralisantes de dor  e solidão…

Somos instantes…

Somos instantes de um Poema
construído, (des) construído
em instantes de versos sentidos
que, por  instantes,
emergem e imergem por  entre o emaranhado do tempo.

Somos instantes…

Somos instantes que veem e que vão a cada instante.
Somos um Poema, de instantes
construído, (des) construído a cada instante.
Nunca terminado.

E a vida, a cada instante,
mostra-nos instantes da Vida.
Da Vida, que é a nossa vida
que é a vida em volta de nós
que é a Vida para lá da Vida.
Instantes da nossa vida:
doces, amargos, luminosos, sombrios…
Instantes da nossa vida.
Às vezes bem troviscosos
envenenadores da Vida.
Instantes da nossa vida.

E a noite vai caindo. Em instantes.
Silenciosamente chegando…
Caminhando…
Para o outro lado da Vida. 

Somos instantes…

Somos instantes que veem e que vão a cada instante.
Somos um Poema de instantes construído.
Desconstruído a cada instante.
Somos um Poema em versos de instantes sentidos.
Nunca terminado.
Jeracina Gonçalves
Agosto/2015

sábado, julho 25, 2015

Quando a dor aperta a alma e em nós cresce um grito surdo, intenso, capaz de nos fazer estilhaçar o  coração  em  mil pedaços, é muito bom sentirmos  a solidariedade humana a envolver-nos  como uma almofada de  macio veludo.  Na dor é uma enorme  consolação.  Sentiu-a ontem, no funeral do meu marido, quando, com o coração angustiado, abracei cada pessoa, cada colega, cada amigo, amigos de há muitos anos, vindos de longe, alguns com enorme dificuldade de locomoção; senti-a ontem quando abracei cada amigo de infância, cada pessoa da minha aldeia que, inteira, foi despedir-se do meu marido, alguns velhinhos e com grande dificuldade em caminhar; senti-a ontem, quando fui maravilhosamente surpreendida pela entrada do pároco da minha aldeia (meu primo) paramentado para celebrar a Missa de Corpo Presente do meu marido. Foi uma surpresa maravilhosa, que me emocionou ate ao mais profundo da minha alma.

Muito obrigada, Senhor! Muito obrigada meu Jesus, por me Teres feito sentir tão amparada pela família, pelos amigos, e por todas as pessoas que, como seu abraço solidário me aqueceram a alma.

Obrigada a todos.

Jeracina Gonçalves

sexta-feira, junho 26, 2015

APROXIMAM-SE AS FÉRIAS


Aproximam-se as férias de Verão (Já  chegaram  para alguns) e, com elas as viagens, os passeios pelas matas, os piqueniques, as idas à praia, o campismo... Enfim, todas as maravilhosas e saudáveis actividades que se podem praticar no Verão, em contacto com a Natureza.  A vida ao ar livre com todos os benefícios que nos traz à saúde do corpo e do espírito, nos retempera as forças depauperadas por um ano de trabalho para, depois, recomeçarmos um novo ano em boas  condições físicas e mentais e darmos todo  o rendimento possível nas tarefas que tenhamos de desempenhar.
Todos temos o "dever" - porque é um dever proporcionarmos ao nosso corpo e ao nosso espírito as condições para que se mantenham saudáveis - de usufruir dos bens que a Natureza nos proporciona. Mas há que fazê-lo com responsabilidade, com civismo,  com respeito pelos outros e pelo ambiente.
"A minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro." Eis a máxima que cada um de nós deve interiorizar  e dela fazer bandeira. Fazer dela o  lema regente do nosso comportamento no quotidiano da nossa existência. 
É tão agradável saborear uma deliciosa merenda à sombra amiga das árvores frondosas de qualquer mata, ou sob o abrigo protector de um toldo, olhando o mar, ouvindo, sentindo, cheirando o mar, o vaivém e o marulhar das suas ondas, na companhia de amigos e de familiares, num cálido dia de Verão! Porém, esses lugares – campo ou praia - depois de os deixarmos, que fiquem tão limpos e cuidados como se ali não tivesse estado ninguém: nem papéis, nem ossos, nem plásticos, nem latas, nem garrafas... Nada deverá ficar a macular esses espaços, contribuindo para a deterioração do meio ambiente e, por conseguinte, para a destruição da Natureza. Todos os detritos deverão ser metidos em sacos plásticos e trazidos para o contentor do lixo. Custa tão pouco e manteremos esses lugares limpos, proporcionando  aos que os ocupem  depois  de nós, o mesmo prazer que nós proporcionaram.  
É deprimente passearmos pela mata ou pela praia e encontrarmos espalhados pelo chão toda a espécie de resíduos, dando a conhecer o baixo nível, a falta de civismo e de respeito pelo seu semelhante das pessoas  que utilizaram esses espaços. Um ambiente limpo e saudável é um bem e um  direito que pertence a cada um de  nós, e todos temos o dever de contribuir para  que esse bem se mantenha em perfeitas condições.
Cuidado com os incêndios! A ponta de um cigarro mal apagada, um caco de vidro que ficou na mata exposto aos raios ardentes do sol de Verão, uma fogueira que se fez e que não se apagou  convenientemente… São “pequenos descuidos” que podem dar início a incêndios de proporções incalculáveis, com grandes prejuízos tanto para a vida vegetal, como para a vida animal, proporcionando também enorme  poluição do ar, sem esquecermos o enorme peso que os incêndios têm na economia do País.
Portugal era um país maravilhoso,  coberto por extensas florestas muito verdes, de árvores majestosas; e, apesar de continuar um país muito bonito,  perdeu alguns dos seus encantos e muita da sua riqueza com os inúmeros incêndios que o têm assolado desde há alguns anos.  A serra do Marão, a do Gerês, a de Sintra... e tantas outras, que foram povoadas por grandes florestas, são agora cobertas por uma vegetação rasteira, a maior parte composta de tojos, giesta, carquejas, urzes e, pouco mais. As majestosas árvores que as vestiam desapareceram devoradas por incêndios devastadores, dos quais, muitos poderão ter sido provocados por pequenos descuidos.
Cuidado! A floresta é  património da Humanidade. É o nosso escudo.  Determina a nossa qualidade de vida. Determina a qualidade do ar que respiramos. Se matarmos a floresta a nossa vida corre perigo. A vida Humana, a vida na Terra corre o perigo de extinção.
Vivamos as nossas férias de Verão com alegria e descontracção, mas também com responsabilidade e respeito por nós, pelos outros e pelo meio ambiente.
Jeracina Gonçalves

PS: Este  texto foi  escrito há muitos anos e publicado no jornal  da minha escola “RUA  DA IMAGINAÇÃO”.  
Parece-me um tema  sempre actual. Resolvi publicá-lo de  novo. JG

segunda-feira, junho 15, 2015

ROSAS VERMELHAS


Quisera que a vida fosse feita de rosas vermelhas.
A vida trocou-me as voltas.
Bordou o meu caminho de seixos e pedras soltas
entre renques de alecrim, de tojos e de giestas.
Rosas? Nem sequer vê-las!
Vermelhas, ou amarelas.

Jeracina Gonçalves
28/02/15

quinta-feira, junho 04, 2015

Preciso de luz

A escuridão escorre por entre os dedos das árvores 
Cai direta no meu coração desejoso da carícia luminosa da luz.
A luz, que ilumine os cantos escuros
Que, pouco a pouco, tomam espaço do meu  coração.
Mas não.
Não vejo réstia de sol, luz de alvorada, luz de luar…
Nada, para o meu coração iluminar.
Só as nuvens crescem
Só nuvens densas teimam em acumular-se sobre o meu horizonte
Só a escuridão se estende e adensa sobre a vastidão do meu mar.
Preciso de uma aragem pura, benfazeja,
Que enxote as nuvens do meu céu e as faça navegar
Quais pétalas de tule branco levadas no vento pelo espaço a vogar.
Preciso de luz! Luz para meu coração iluminar!
Jeracina Gonçalves

23/05/2015