"EU E OS OUTROS, DAQUI E DALI", será um espaço de reflexão e de registo de imagens e pensamentos colhidos e construídos nas vivências do dia-a-dia, que poderão ser em prosa, em verso, ou imagem.
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segunda-feira, maio 24, 2021
domingo, maio 23, 2021
LIANAS MALÍGNAS/CAVALO DE TRÓIA
A noite chega,
longa, solitária, e quer envolver a minha alma.
A minha alma luta.
A minha alma luta contra o véu negro
a querer enredá-la na teia de lianas demoníacas
das lianas emaranhadas, negras, que o tecem.
A minha alma luta!
A minha alma luta!
Luta! Luta! Luta!
Porém…
A minha alma vai perdendo energia pelas feridas abertas nesta luta desigual
nesta luta contra as lianas negras, emaranhadas
contra as lianas do mal.
Nesta luta desigual
a minha alma, solitária, não se deixa acobardar.
E luta! E luta! E luta! E luta ainda
luta contra as forças do mal.
Todavia…
As lianas malignas, negras, emaranhadas apertam o cerco.
Apertam, apertam, apertam…
E apertam mais.
Apertam ainda mais o cerco à volta da minha alma.
E a minha alma luta!
E a minha alma luta!
E a minha alma luta!
E o cerco aperta mais e mais e mais.
E a minha alma luta, e luta e luta ainda.
Mas a luta é desigual.
As lianas negras, malignas, emaranhadas,
apertam, apertam, apertam…
Fecham o cerco.
Mas nem assim a minha alma deixa de lutar.
Nem assim a minha alma se deixa acobardar.
Luta quase desfalecida
mas luta. E luta e luta ainda.
No cerco uma pequena brecha deixa vislumbrar um retalho de azul.
Será?! Será a liberdade a chegar?!
A minha alma solta um grito de esperança.
Triste ilusão…
Tudo não passa de uma manobra:
Um Cavalo de Tróia para maior invasão.
Mas a minha alma luta e luta e luta
e sempre lutará.
Para lá da minha janela brilha o sol intensamente.
Todavia, a sua energia, o seu calor, não atingem agora a minha alma
Nesta luta contra as forças do mal.
Com elas tem lutado E…NER…GI…CA…MEN…TE.
Com as armas que tem
Com as armas de um coração
que ama as forças do bem.
Um coração que não se rende às investidas das lianas malignas.
Hoje, porém, cansada de há tanto lutar,
a minha alma está prestes a soçobrar.
Não!
Não vai acontecer tal!
É apenas uma queda de tensão arterial.
É apenas o cansaço desta luta desigual.
A minha alma recobrará.
Recuperará intactas a sua força, a sua energia.
Nunca o poder do mal há de vencer a minha alma.
A minha alma é forte.
A minha alma nunca se deixará derrubar pelas forças do mal.
Enquanto lhe restar um pingo de vida continuará a lutar.
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sábado, maio 22, 2021
QUERO VERSOS DE AMOR
Tento esquecer a dor do meu coração
Mas a dor filou-se em mim
Dela busco afastamento entre as rosas do jardim
No seu frescor e beleza procuro consolação.
Mas a dor filou-se em mim e toma ângulos diversos
Procura lugar, assento, nos fonemas dos meus versos
Dela busco afastamento, procuro exorcizá-la
Tirá-la do meu coração, mandá-la para outros espaços…
Quero versos de amor, carinhosos como abraços,
que neste mundo, em dor, sejam laços de união,
sejam paz, sejam luz e sejam pão em movimento
a aliviar o sofrimento daqueles que não têm pão
Quero versos de amor, carinhosos como abraços,
que disseminem pelo ar o perfume inebriante da flor
a dispersar pelo solo sementes de justiça e de amor
que germinem equidade, sensibilidade, alegria, paz.
quinta-feira, maio 20, 2021
O PÃO DESPERDIÇADO
O meu olhar
é uma nau em convulsão
neste convulso mar
cobrindo a distância
que a separa do lugar
sinalizado pelo meu coração
onde não chega a paz nem o pão
e em tantos outros lugares
deste mundo redondo
onde a paz e o pão não deviam faltar.
fosse bem aproveitado
a todos poderia chegar.
em busca desse lugar
onde pão e paz possa encontrar.
E, tantas vezes…
A fome é enterrada no mar.
quarta-feira, maio 19, 2021
O TEMPO
Olho a brisa doce, suave, meiga, acariciadora,
a afagar o corpo do majestoso plátano, em frente da minha janela,
como mãos maternais acariciam as faces sedosas do seu bebé amado,
enquanto lhe segreda palavras ternas, que só uma mãe sabe dizer.
Desce sob o meu olhar a nostalgia do tempo.
Do tempo que foi, mas já não é. E o meu coração interroga-se:
O tempo! O que é o tempo? O que é o meu tempo?
O meu tempo é apenas o momento. Este momento.
Este momento, aqui, sentada em frente do meu computador.
O tempo em que digito esta letra, e apenas esta.
Não sei se terei tempo para digitar a segunda,
Não sei se terei tempo para continuar no tempo,
Ou se o tempo me será cortado.
O tempo! O tempo de cada um é algo tão efémero!
É algo sobre o qual não temos qualquer controlo.
Aqui, neste planeta tão belo, que habitamos,
somos apenas marionetas com tempo marcado.
Sabemos o dia em que chegamos e, geralmente,
festejámo-lo com alegria: o nosso aniversário.
Mas não sabemos o dia em que fecharemos os olhos e partiremos.
Somos apenas marionetas manobradas por um alto comando
que está para além de nós.
terça-feira, maio 18, 2021
INSÓNIA
quinta-feira, maio 13, 2021
ASSIM VAI A TERRA
sábado, maio 08, 2021
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sexta-feira, maio 07, 2021
“Todo o homem tem um preço”
Como um cancro insidioso, perverso, que mina silenciosamente as células do organismo, assim a corrupção vai minando a sociedade atual, estendendo a sua teia em todas as direções, em todos os meios e das mais diversas formas.
quarta-feira, maio 05, 2021
DO DEVANEIO À REALIDADE
Vejo o sol, vejo a lua, vejo o luar
Vejo as crianças no recreio a rir e a brincar.
Os seus alegres gorjeios
Como gorjeios de pássaros pelo azul a voar
Trazem até mim os teus braços
Para com eles me abraçares;
Da janela do meu quarto
Vejo pássaros felizes em piruetas pelo ar
E a cantar…
Num firme golpe d’asa
A minha alma em teus braços
Em piruetas pelo ar
Com os pássaros pelo azul a voar.
Todavia o devaneio a outrem cede o lugar.
Na voz do locutor, que me chega pela rádio:
“Há mais um caso suspeito.
Já são vinte e cinco os casos confirmados.”
De fantasia já basta. Toca a por os pés no chão.
Esses são os factos que se opõem à ilusão.
Minha alma em breve está de volta
Num breve “fechar de mão”:
Não é tempo de sonhar, mas de por os pés no chão.
Essa sombra negra e crua, a crescer do oriente
com a rapidez do relâmpago, propaga-se pelo mundo
de segundo em segundo. Toma grande expansão.
Já são mais de noventa os países contaminados
e muitos são os seres sob o seu hálito finados.
São porém muitos mais os que já foram curados!
Há que ter a consciência de que é necessário agir
enquanto na sombra maligna temos ainda mão.
Há que agir rapidamente para deter sua incursão.
Cerrar caminhos, carreiros, por onde possa caminhar.
Encarcerá-la entre muros para a sombra não voar.
Se a sombra toma asas não haverá como a parar!
“Hoje, em Portugal, são já trinta os infetados.”
Há que agir rapidamente!
Travar o seu avanço também está na nossa mão.
Cada um, no seu lugar, deve tomar consciência
do seu viver coletivo neste mundo global
e que suas atitudes têm repercussão geral.
Há que agir rapidamente para deter a invasão.
Travar o seu avanço também está na nossa mão!



